27/06/2025

Entre a Cruz e a Espada - Capitulo 4 (27/06/2025)

ENTRE A CRUZ E A ESPADA - CAPÍTULO 4


 

CENA 01 - (MANSÃO DOS VENTURINI/EXT./NOITE):

OTÁVIO: Aquela é a sua irmã?

JOYCE (falando baixo): Otávio por favor me diz que isso não está acontecendo.

OTÁVIO: Espera aí eu vou resolver.

Otávio vai até Isabelle, pra recebê-la. 

ISABELLE (abraçando o cunhado): Otávio, querido! Quanto tempo! 

OTÁVIO (sorriso sem graça): Isabelle.... você por aqui, não é mesmo? 

ISABELLE (tom cômico e fingida): Ah! Meu bem, você nem imagina o inferno que eu passei pra chegar aqui, nem te conto.

Um close nos dois por alguns segundos calados, sem jeito, evitando olhares.

ISABELLE (quebrando): E a Joyce, onde está?

Joyce caminha em direção a sua irmã, todos em volta observam. O seu olhar expressa todo ódio da situação.


ISABELLE (com um sorriso sínico): Irmã Joyce! Joyce! Minha irmã querida! quanto tempo, não é mesmo?

*No objetivo de não perder a classe diante de todos, Joyce passa por cima da raiva e mantém o máximo a pose*

JOYCE (sorriso falso): Isabelle, minha irmã! Mas que surpresa... agradável não é?

ISABELLE: Ai minha irmã, mas que festa linda, e você nada de me convidar não é mesmo? Bobinha! 

JOYCE: É que foi algo tão rápido e simples, achei que não havia necessidade, mas entre, querida! Eu vou ver se tem uma mesa sobrando pra você! 

OTÁVIO (no meio das duas): Eu vou mandar o motorista carregar as malas.  

JOYCE: Faça isso, Otávio. (T) Isabelle, deixa eu só terminar o que eu comecei no palco (risos) 

ISABELLE: Não se preocupe, má cherie! Até porque, acho que os seus convidados não estão entendendo nada. 

Joyce, mesmo envergonhada, volta ao palco e finge que nada aconteceu. 


CENA 02 - (CASA DE MARION/INT./NOITE):

Pouco tempo após o acidente de Adelaide, Marion foi morar no Rio de Janeiro, para ficar mais próxima de Felipe. Sempre trabalhou com orgulho e nunca deixou de cuidar bem do seu filho, André. Ela mora na zona norte da cidade.

ANDRÉ (entrando em casa): Mãe?

MARION (sentada no sofá): Filho, achei que só ia voltar mais tarde. 

ANDRÉ (trancando a porta): É, mas o clima fechou lá pela família da Simone.

MARION: Mas o que houve?

ANDRÉ: Parece que a irmã lá da Dona Joyce apareceu na festa sem mais e nem menos, ela chegou ao berros, sobrou até pro pobre coitado do porteiro. (T)  Você precisava ver a cara da Joyce quando viu aquela maluca chegando com todas aquelas malas.

MARION (levantando e rindo suavemente): Gente de céu, e você acha que isso só acontece em família de pobre? 

ANDRÉ (desabotoando a camisa e se acomodando no sofá): Pois é, pra ser sincero... A família da Simone é mais problemática que qualquer uma abaixo da linha pobreza. Tenho pena dela, sabe? Ela é tão diferente daquela gente. (T) Mas sabe, eu sinto que vamos ser muito felizes (um leve sorriso puro) Com muito suor, muito trabalho, mas vamos ser felizes. 

MARION: É claro que vão. (T) Mas, me diz uma coisa, André: Você tem visto o Felipe? Olha, você não sabe como eu tenho pensado nesse menino. Só de imaginar o que ele tá passando...

ANDRÉ (franzindo a boca como se tivesse tentando lembrar): Ah... tem quase um mês. A gente se fala muito pelo celular, mas eu vi tem quase um mês. 

MARION: Tenta se aproximar dele, ajudar ele, você sabe que ele vive por aí ao Deus dará, sabe-se lá com quem e com o que ele anda se envolvendo. 

ANDRÉ: Eu sei, eu tenho pena dele, no fundo ele só precisava de alguém.

MARION: Exato, eu sinto tanto por não ter conseguido criar ele. (balançando a cabeça num gesto mudando de assunto) Mas enfim, eu vou dormir que eu ganho mais. Boa noite, meu filho.

ANDRÉ: Boa noite, mãe!

Antes da transição, a cena foca rapidamente em André pensativo.

Corta para:


CENA 03 - (CORTIÇO/INT./NOITE):

Pra muitos, o tempo foi favorável, mas pra Jorge foi totalmente o contrário. Ele agora tem um aspecto 10x mais velho, perdeu tudo e agora mora numa casa velha, se enterrando no alcool. Em mais um dia de uma vida miserável, ele entra no cortiço, no qual chama de casa. 

JORGE (entrando em casa bêbado e resmungando): Vagabunda! Foi me vender atum estragado, você ver sua bandida.

Mas, a dona do casa, no qual aluga pra Jorge, chega por trás, sem ele ver. 

JORGE: Mas o que é que você tá fazendo aqui, Dona Maria?

MARIA: Vim cobrar o dinheiro desse mês. Seu filho deu dinheiro nenhum esse mês. 

JORGE: Desgraçado, ingrato. Ali quer me ver morto. Eu agora, eu não tenho esse dinheiro, depois eu acerto com a senhora.

MARIA: Não quero acerto nenhum, quero meu dinheiro agora. 

JORGE: Você não ouviu que eu tô com nada, eu hein.

MARIA: Mas pra encher o rabo de cachaça você tem dinheiro de sobra né mesmo? Escuta, você tem dois dias pra me pagar, se não, RUA! Dá licença, viu.

JORGE (batendo a porta): Vai, cretina.



ABERTURA



CENA 04 - (MANSÃO DOS VENTURINI/INT./MANHÃ):

Na cozinha da Mansão Venturini, Zélia continua trabalhando pra família. Após a morte de Mariana, a mulher se dedicou a cuidar da sua outra filha, Camila, que agora já é adulta. Camila é uma jovem talentosa, com um sonho de ser tornar dançarina. Depois da festa de Joyce, a mansão amanheceu em silêncio total, até que Simone vai ter a cozinha pra animar o ambiente.

SIMONE: Então, Camila? Passou no teste?

CAMILA: Menina, é hoje, você não sabe como eu tô nervosa. Imagina meu nome lá: Camila Kelly no jornal ao lado da Claudia Raia? 

ZÉLIA (franzindo a testa): Mas que Kelly é esse, menina?

CAMILA: Kelly é o meu nome artístico, né mãe. Ou a senhora acha que eu vou ser famosa com o nome de "Camila Silva de Oliveira"? Um mico né.

SIMONE: Ai, eu tô torcendo por você. E a minha mãe tá sabendo?

CAMILA: Eu nem sei, e mesmo sabendo acho que agora nem vai ligar, depois que a Dona Isabelle chegou no meio da festa, a perua tá com as ventas lá em cima.

ZÉLIA: Camila, olha lá como fala, menina.

SIMONE (gargalhando): Não, mas é verdade, a chegada da Tia Isabelle abalou mesmo. E minha mãe com aquele olhar mercenário, com aquela postura. 

SIMONE (imitando Joyce): "Otávio, querido! A nossa festa de casamento está adorável, conduza a Isabelle até o quarto". "Otávio, vou ao cabeleireiro, meu bem!"

Joyce chega na mesma hora. 

JOYCE: Simone, mas o que você está fazendo na cozinha com as empregadas?

SIMONE: Ué mãe, tomando café da manhã, acabei de acordar. 

JOYCE (pra Zélia): Você deveria ter servido a Dona Simone, na sala, Zélia.

SIMONE: A Zélia não tem culpa nenhuma, mãe. Fui eu que escolhi tomar café da manhã aqui na cozinha.

JOYCE (suspirando): Eu preciso falar com você, em particular, claro.

Joyce sai andando na frente, e Simone vai atrás e fazendo graça.

SIMONE (imitando em Joyce): Eu quero falar em particular com você. 

Zélia e Camila dão boas risadas discretas na cozinha. 


CENA 05 - (PRAIA DE COPACABANA/EXT./MANHÃ):


SONOPLASTIA: "ENTRE O BEM E O MAL" — 
JOHNNY HOOKER

André marca com Felipe num barzinho em frente a praia de Copacabana.

ANDRÉ: Felipe!

FELIPE: Como vai, meu primo!

ANDRÉ: No corre, trabalhando, estudando e tal, na mesma luta de sempre.

FELIPE: Como vai a Tia Marion? 

ANDRÉ: Bem, ela tava perguntando por você. Você já sabe, ali se preocupa mais com você, do que comigo. 

FELIPE: Imagina, ali me adora, mas respira por você.

ANDRÉ: E você, cara? Já tem mais um de mês que a gente não se fala. 

ANDRÉ (desconfortável): Você ainda tá envolvido naquela parada?

FELIPE (desviando o olhar): Eu sai daquilo, eu quero viver limpo, agora. 

ANDRÉ: Você não sabe como isso me alivia. Olha, no que você precisar, fala comigo! A gente é família, tá aqui pra se ajudar. 

FELIPE: E você? Ainda tá estudando pra aquele tal concurso.

ANDRÉ: É, não deu muito certo, eu também já tô focado lá na empresa, tô afim de crescer. Aquilo sim é o que gosto. Ah e, eu conheci uma garota. Eu pensei até em a gente marcar nesse barzinho aqui mesmo! Você ainda tá com aquela garota? 

FELIPE (tomando um gole de cerveja): Hmm, sim, a Giovanna. Que tal a gente marcar no sábado? Vai ser ótimo. 

ANDRÉ: Então ótimo, no sábado então. 


Corta para:


CENA 06 - (MANSÃO DOS VENTURINI/INT./MANHÃ):

JOYCE (caminhando até a sala): Então Simone, eu te chamei aqui pra que você participe e seja testemunha dessa conversa que eu vou ter com a sua tia. Por falar nisso, onde está aquela desfrutavel?

ISABELLE (descendo as escadas): A desfrutavel está descendo, má chérie. 

JOYCE (atravessando o olhar): Ótimo! 

SIMONE (saturada): Bom dia, Tia Isabelle. 

ISABELLE: Bom dia, querida. (deboche) Vejo que a minha chegada nessa casa não foi de bom tom pra certas pessoas aqui, não é mesmo? 

JOYCE (afiada): Para com essa sua irônia, que eu não estou com a menor paciência, entendeu?

* Isabelle faz caras e bocas, não dando a mínima pelos ataques de nervos da Joyce.

JOYCE: O que você fez ontem na minha festa foi lastimável! Foi a maior vergonha que você me fez passar em toda minha vida! Se você quer saber, você estragou tudo. 

SIMONE: Mas que exagero, minha mãe.

JOYCE: Exagero? Queria ver se fosse você no meu lugar! 

ISABELLE (debochada): Mas gente? Porque estraguei? Que mal tem uma mulher de classe, bem apresentada, aparecer de surpresa no aniversário de casamento de sua irmã?

JOYCE: Não se faça de idiota, você chegou fazendo o maior escarcéu, aos gritos feito uma favelada sem a menor educação, sem avisar nada a ninguém.  Você não sabe o vexame que eu passei. Todos olhando, comentando, julgando, ai que vergonha, meu Deus!

ISABELLE: Então, Joyce, quanto a isso eu só tenho a lamentar, e se eu cheguei aos berros, é porque eu foi mal recebida na sua casa, a começar por esses seguranças quase me barrando, um horror!

JOYCE: Fizeram pouco! Eram pra ter te barrado de vez.

ISABELLE: Mas não barraram, queridinha! E todo ano você faz essas festa que mais parece um desses bailes de carnaval do subúrbio, me poupe!

Joyce vira a cabeça pro lado em negação, mordendo a língua.

JOYCE (franzindo o rosto em tom desconfiado): Me  diz uma coisa: qual o motivo dessa visita "surpresa"?

ISABELLE (sem jeito): Saudades, oras.

JOYCE (risos irônicos): Ah não! Não mesmo! Eu te conheço bem, Isabelle. E sei perfeitamente que você é do tipo de pessoa que sente tudo, menos saudades. Fala logo, antes que eu perca a o pouco que sobrou da minha paciência e tire você a ponta pés dessa casa!

ISABELLE (respirando fundo): Tudo bem! Mas eu preciso conversar isso com você a sós. 

JOYCE: A sós?

ISABELLE: É um assunto sério (T) Muito sério...

Corte rápido para elas duas entrando no escritório da casa. 

JOYCE (fechando a porta): E então? O que é de tão importante assim que a Simone não pode presenciar? 

ISABELLE (desfilando pelo ambiente): Bom, minha querida. Você soube que há cerca de um ano, o meu marido faleceu. Você sabe que ele era mais velho, já havia algum tempo doente? 

JOYCE: Sim, e?

ISABELLE: O Edward, não só estava doente quando me deixou... Ele estava atolado em dívidas também. (Isabelle fecha os olhos com uma revolta) Foi uma traição imperdoável. Ele não tenha filhos e deixou todo o resto que tinha pra mim, resto esse que eu usei pra quitar tudo, e pra enterrar o caixão... a casa foi a leilão. 

JOYCE (olhos arregalados, esperando ouvir uma bomba): O que você quer dizer com isso?

ISABELLE: É isso mesmo que você está pensando, eu estou falida! 

JOYCE: Como é? 

JOYCE: Mas você só pode estar de brincadeira comigo! Como é que um homem feito o seu marido, morreu e deixou todo o dinheiro destinado as dívidas? Ele sabia de tudo isso e nunca te contou nada?

ISABELLE: Pois é, você não acha que eu tive um choque também? O desgraçado foi embora e me deixou aqui na penúria. Espero que esteja queimada com o capeta agora no inferno.

JOYCE: Porque você não me contou isso Isabelle? 

ISABELLE: Eu iria te contar depois com mais calma, mas isso... isso nem importa mais agora! 

JOYCE: Como não importa? Você está na minha casa sem um centavo e diz mesmo que não importa? 

ISABELLE: É justamente a sua casa que vai ser o lugar que eu vim pra tentar reverter toda a situação. 

JOYCE (risos, incrédula): Na minha casa?

ISABELLE: É minha querida, na sua casa. Eu não tenho pra onde ir. Mas não ache que ficarei aqui de pernas pro ar como você faz. (T) Eu sei que o Ivore Shopping é um dos maiores lugares de comércio dessa cidadezinha, eu estava pensando em abrir uma loja de jóias, as minhas jóias... Ao menos isso sobrou pra mim.

JOYCE: Mas você tá completamente louca! 

ISABELLE: É por um tempo, querida. E você nem precisa se preocupar com isso até porque todas as despesas dessa casa quem cuida é o seu marido. 

JOYCE (sem paciência): Eu quero só ver! Vamos ver se o Otávio vai aceitar uma palhaçada dessa. (Joyce sai resmungando) Inferno de vida, inferno.

Joyce sai, enquanto a câmera dá destaque a Isabelle.

ISABELLE (olhando pro nada): Vamos ver, querida, vamos ver.


Corta para:


CENA 07 - (CASA DE MARION/INT./MANHÃ):

Marion está sentada na cadeira da cozinha, fitando um colar quando ouve batidas na porta da casa. Ao abrir a porta se depara com Jorge.

MARION (cara desconfiada): O que é que você quer aqui?

JORGE: Vai me deixar entrar ou não? 

MARION: Não sei. Depende do que você quer falar comigo. 

JORGE: Ok... Tô precisando de grana.

MARION (risada irônica e sucinta): Hm, você sempre tá precisando de grana, não é Jorge? Tá devendo pra quem dessa vez?

JORGE: É o aluguel daquela merda que eu moro. Tem dois meses em atraso.

MARION: O Felipe não manda mais dinheiro? 

JORGE: Que dinheiro? Aquele desgraçado esqueceu que tem pai. Me mandou uma merreca durante esse tempo pra eu encher a barriga e olhe lá.

MARION: Vai ver ele cansou de ver o pai dele usando todo o dinheiro pra bebida. Sem falar que você sabe que foi um grande pai pro Felipe. 

JORGE: Vem cá, Marion, você vai emprestar essa grana ou vai ficar aqui me dizendo o que eu fui pro Felipe?

MARION: Eu vou te ajudar, só que é última vez! Tá me ouvido? Você precisa achar alguma coisa pra fazer da vida. 

JORGE: Vou achar o que, mulher? Na minha idade vou achar o que pra mim? Oras, me deixe.

MARION: Pois trate de achar. O que mais tem por ai é vaga pra qualquer coisa. Espera ai que eu vou pegar um dinheiro na bolsa. 

Enquanto ela vai até a bolsa, Jorge vira a cara, como se estivesse certo. 

MARION (voltando): Toma aqui esse dinheiro. Escuta: usa esse dinheiro pro aluguel e não pra uma garrafa de pinga.

JORGE (contando o dinheiro): É, vai servir. 

MARION: Agora vai embora daqui, Jorge. E não aparece mais aqui pra pedir dinheiro. 






CONGELAMENTO EM ISABELLE.

A novela encerra seu quarto capítulo ao som de "Que Pais é Este?" - (tema de abertura).

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