03/02/2025

Os Fantoches - Capítulo 1 (03/02/2025)

 


CENA 1. MANSÃO DOS CAMPOS SODRÉ. INTERIOR. NOITE  


SONOPLASTIA – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD - LINO KRIZZ


Iniciamos a cena com um plano geral do interior da mansão de Amélia Campos Sodré. No ambiente há um aglomerado de pessoas, perto da estrutura que abriga o DJ, observamos que há balões com os números que compõe “2.000”, indicando que trata-se de uma festa de réveillon. O plano geral  dá espaço para um plano subjetivo que passeia entre a multidão e nos mostra uma jovem Amélia dançando e fumando cigarros, acompanhada de sua irmã Marina, a qual está um pouco embriagada. Abraçadas e sorrindo, Amélia e Marina levam seus olhares até o sujeito que as observa. Rapidamente, há uma mudança de plano e a identidade de Solange nos é revelada.


AMÉLINHA — O que você faz aqui? Pensei ter sido bem clara quanto a sua presença em nosso meio...

SOL — (INTERROMPE AMÉLINHA) A senhora foi clara (RI) Claríssima (BEBE UM GOLE DO CHAMPANHE) Cristalina (T) Pena que seu filho não entendeu direito.....

AMÉLINHA — ( AMEAÇADORA) Então faça ele entender (TRAGA O CIGARRO) Ou pode esquecer aquela suas férias na Europa e os vinte e cinco mil dólares.

SOL — (RI, APROXIMA-SE DO OUVIDO DE AMELINHA) Pra que me contentar com essa merrequinha se eu posso ter toda a tua fortuna casando com teu filho ( DEBOCHADA) Abra a mão Madame, ou vai comer na minha para o resto da vida....

AMÉLINHA — Isso foi uma ameaça?

SOL — (CONFIANTE) Não (T) Isso é um fato (OLHA AO REDOR) Agora se me dá licença vou aproveitar essa festinha maravilhosa que foi organizada com tanto carinho pela senhora.


Sol dá um gole em sua bebida e volta a circular, deixando Amelinha e Marina desconcertadas. Voltamos ao plano subjetivo, por ele é possível conhecermos personagens como James, o qual está cercado de mulheres e Aníbal, um jovem bastante tímido, sentado em uma mesa longe de toda aglomeração. Observamos o Sol dançar e beber, a música atinge seu auge, juntamente com o brilho de nossa personagem, a qual exala carisma e sensualidade em suas roupas curtas e fora do esperado para uma festa de Amelinha. A câmera afasta-se até uma grande janela de vidro, nos deixando saber que está chovendo. A câmera subjetiva volta a ser acionada, mas desta vez por outro personagem, ele está do lado de fora da mansão, seu olhar que oscila entre o horizonte e o chão bastante encharcado é acompanhado de uma respiração ofegante. Ele se aproxima de uma porta que dá acesso a área interior da casa. O personagem move-se e podemos ver os olhares de desconforto e inquietude nos convidados. O personagem aproxima-se de Amelinha e Marina. A câmera nos mostra que se trata de Alice, namorada do filho de Amélinha. Ela está encharcada e atormentada. Instantes. Marina se aproxima de Alice.


MARINA — (PREOCUPADA) O que foi minha querida? Está tudo bem?

AMÉLINHA — (PÕE O BRAÇO SOBRE OS OMBROS DE ALICE) Minha querida, por que essa expressão de tormento? Me conta...

ALICE — (PERTURBADA) É o Henrique, Amelinha (SUSPIRA) O HENRIQUE MORREU!


Amelinha fica impactada com as palavras proferidas por Alice, a sonoplastia dá espaça para “Seven Devils de Florence and the Machine”, enquanto observamos a forte Amelinha deixar sua taça cair e aos poucos acompanhá-la até o chão, enquanto sua irmã Marina tenta levantá-la. A câmera deverá alternar entre Closes dos personagens, Sol, James, Clarisse e Aníbal, e, então, atravessar novamente a janela, passar rapidamente pelo jardim, piscina e focar sua atenção na quadra de tênis, local em que há um corpo de um homem próximo ao centro. A câmera aproxima-se, assim como o ápice da canção. Agora observamos Henrique, o qual foi baleado e também sofreu um golpe na cabeça. 


CLOSE EM HENRIQUE. 


A IMAGEM ESCURECE E FUNDE-SE COM:


CENA 2. HOTEL COPACABANA PALACE. SUÍTE DE AMÉLINHA. SACADA. EXT. DIA


A câmera inicialmente centra-se nos olhos de Amelinha, fechados. Ao abri-los, ela contempla o mar em silêncio, enquanto ouvimos os últimos acordes da sonoplastia iniciada na cena anterior. O ano agora é 2025, estamos a vinte e seis anos dos acontecimentos da primeira cena. Amelinha agora já em sua velhice, está acompanhada de Marina que sai do quarto e dirige-se até a irmã. 


MARINA — Está pensando nele não é?

AMÉLINHA — (OLHA PARA A IRMÃ COM TRISTEZA) Não há um dia que não pense nele, Marina (T) Ele era minha vida, minha alegria, a razão por eu ter mantido e ampliado o império deixado pelo pai dele (T) E agora? Para quê? Morrerei e junto comigo o legado dos Campos de Sodré (VOLTA-SE PARA O MAR)

MARINA —  (ESCORA-SE NA SACADA AO LADO DE AMELINHA E ENCARA O MAR) Minha irmã, tem coisas que não podemos mudar, ele não vai voltar e você precisa aproveitar o tempo que ainda tem....

AMÉLINHA — (OLHA PARA A IRMÃ) O tempo que ainda tenho é para descobrir toda a verdade daquela noite (T) A polícia desse paisinho em que vivemos nem isso me proporcionou (T) A identidade do assassino do meu filho (T) Marina, eu só vou partir em paz quando descobrir quem foi...

MARINA —  As respostas estão chegando, Amélinha (MOSTRA UM TABLET QUE SEGURA NA MÃO, ATÉ ENTÃO DESPERCEBIDO) Os convidados já confirmaram presença (SOLETRA) TODOS ( RI) Até a Sol do Verão...

AMÉLINHA — Marina, eu também não gosto dela, fico feliz que passado tudo ela casou com aquele gringo burro e foi embora para os States (T) Nos dando paz estes anos todos, mas precisamos dela (T) Precisamos de todos se quisermos a verdade sobre o meu filho (SUSPIRA) Todos me fizeram de boba de alguma forma naquela noite e nos próximos sete dias pretendo manipulá-los até que a verdade escorra da boca de alguma daquelas víboras (T) Eles serão minhas marionetes nesse jogo (RI) Os meus fantoches (T) E o objetivo final é punir o culpado pela morte do meu filho (SORRI) E eu sei que vou conseguir.


CLOSES ALTERNADOS


CORTA PARA:


CENA 3. CLIP. EXTERIOR. RIO DE JANEIRO.DIA/NOITE. 


SONOPLASTIA – ELA É MINHA CARA - MART'NÁLIA


Iniciamos com imagens áreas da Cidade Maravilhosa, somos apresentados aos principais pontos turísticos cariocas: Cristo Redentor, Arcos da Lapa, Teatro Municipal, Jardim Botânico, o Pão de Açúcar, a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Pedra do Arpoador.  Somos brindados com a orla de Copacabana, e, por fim, somos levados ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. 


CORTA PARA:


CENA 4. AEROPORTO INTERNACIONAL ANTÔNIO CARLOS JOBIM. FACHADA. EXT. DIA

 


A sonoplastia da cena precedente continua, enquanto acompanhamos a movimentação em uma das portas do aeroporto, na qual passa Solange, mais conhecida como Sol do Verão, agora adulta, acompanhada de seu filho Joaquim. Sol, calça um salto alto e agulha, acompanhada de uma saia curta e justa e uma blusa extremamente decotada. Ela usa muito ouro, indicando que é uma mulher rica, mas o dinheiro não consegue esconder sua falta de senso e breguice. Joaquim com vestimenta discretas chama atenção por carregar as malas animal print de sua mãe.


SOL —  Oh garotinho (T) Já pediu um uber ou vamos de táxi mesmo?

JOAQUIM — Táxi, mãe (T) Não consegui ativar o roaming internacional ainda (PARA, OLHA PARA SOL) Tem certeza que eu preciso ir nesse evento com você?

SOL —  (RI) Tenho (T) Oh se tenho (RI) Antes de ser essa mulher chique, fina, da high society, fui muito humilhada por essa gente (T) Agora, quero que eles me vejam mais linda do que nunca, bem sucedida e mãe desse garotinho lindo (APERTA AS BOCHECHAS DO FILHO) Eu tenho muita coisa para acertar com essa gentalha (T) Mas vou cobrar tudo que eles me devem com juros e correção monetária (RI) E em dólar hein (T) Porque agora eu sou uma cidadã americana e não sei e nem quero saber o que é real (GARGALHA)

JOAQUIM — (ABRE A PORTA DO TÁXI) Já vi que os próximos dias vão ser puxados (T) Aguentar a senhora e sua magnitude, junto com esses amigos (T) Vai ser fogo, dona Solange...

SOL —  (OLHANDO PELA JANELA DO TÁXI ABERTA) Oh se vai (RI ALTO.


CLOSE EM SOL.


CORTA PARA:


CENA 5. APARTAMENTO DE JAMES. SALA. INT. DIA


SONOPLASTIA - THE NIGHT WE MET - LORD HURON


A câmera percorre lentamente a sala luxuosa do apartamento em que residem James e Alice, passando lentamente sobre as fotos que um pai orgulhoso expõe da filha na juventude sob  um aparador. Na parede há, várias medalhas emolduradas. A câmera continua a percorrer o ambiente até nos depararmos com uma Alice triste, enfadonha, acompanhada de uma caixa de memórias e um Dry Martini. Ela olha para uma foto sua acompanhada de Henrique, lágrimas percorrem seu rosto, toma um longo gole de seu drinque. Nesse momento James desce as escadas, a sonoplastia encerra-se ao mesmo tempo em que Alice enxuga as lágrimas. 


JAMES — Você deveria estar pronta...

ALICE —  (RI) Mas eu tô pronta (BEBE) Prontíssima para ficar sozinha nos próximos sete dias (BEBE)

JAMES — ( APROXIMA-SE DA FILHA, TOMA O COPO DE SUA MÃO) Toma um banho, cura esse porre (T) Alice não é nem meio dia e você está assim...

ALICE —  (INDIGNADA) E você queria que eu estivesse como? (irônica) Feliz? Estou sendo forçada a ir em um encontro com pessoas que não vejo há anos e não tenho o menor interesse de ver (T) Vamos lá para quê? Henrique não vai voltar e nós dois sabemos muito bem disso (CHORA)

JAMES — (ABRAÇA A FILHA) Alice, sei quanto é difícil para você, mas se não comparecermos a essa reunião da Amélinha será estranho....

ALICE —  (AFASTA-SE DO PAI) Tem certeza que quer ir lá? Está pronto para reviver o passado (T) Eu não estou (DESESPERADA TOMA O COPO DA MÃO DO PAI E BEBE) Não quero reviver aquela noite (T) Tento esquecer dela há 25 anos (T) Nunca me reergui depois de encontrar ele naquela quadra (T) Destruí minha carreira, não tive filhos e vivo com o meu pai aos cinquenta anos (AMARGURADA) Aquela noite me transformou nessa piada e não tenho a menor intenção de servir de entretenimento para aquele bando de abutres...

JAMES — Se não fores, Amelinha vai ficar desconfiada...

ALICE —  (GRITA) QUE DESCONFIE! Eu conto toda a verdade (RI) Mas isso você não quer, não é paizinho?

JAMES — (APERTA O BRAÇO DA FILHA, PERDE A PACIÊNCIA) Eu to cansado de aguentar esses seus chiliques e essas bebedeiras (APERTA MAIS) Toma um banho, se vista adequadamente e desça para irmos (BRAVO, AMEAÇADOR) Chega de show que ninguém vai comprar ingresso para ver essa porcaria.

ALICE —  Eu vou (T) Mas eu não vou mais mentir (T) Prepare-se papaizinho a atriz de segunda aqui está prestes a tirar sua máscara. 


CLOSES ALTERNADOS


CORTA PARA:




CENA 6. HOTEL COPACABANA PALACE. SAGUÃO. INT. DIA


Amélinha e Marina entram no saguão principal do Hotel e logo a gerente, Mary León dirige-se a elas.


MARY LEÓN — Ficamos encantados de realizar sua pequena reunião aqui, Amélinha

AMÉLINHA —  (INDIFERENTE) Marina já acertou todas as despesas iniciais (T) O serviço de quarto está liberado, assim como bebidas e quaisquer adicionais que forem solicitados (T) Cobrimos tudo, quero que meus convidados tenham uma grande experiência nos próximos dias...

MARY LÉON — E terão (T) Selecionei os melhores entre os melhores para atendêlos...


A atenção de Amelinha desvia-se de Mary León diretamente para a entrada, pela qual passa uma figura bastante conhecida sua, trata-se de Olga Devaux. Ao ver Marina e Amélinha ela acena e aproxima-se das duas e as abraça.


OLGA —  Amélinha (OLHA AO REDOR) Você ainda sabe dar um bom espetáculo (T) Pelo menos escolher um cenário adequado (ELAS RIEM)

AMÉLINHA—  Olga, você ainda não viu nada, este é o começo, espere o ato final!

OLGA —  Tenho certeza que será surpreendente para muitos (T) Mas tenho noção do que esperar (RI) 


Amélia está sorrindo genuinamente para Olga, quando seus olhos identificam uma figura exótica naquele ambiente: trata-se de Sol, acompanhada de Joaquim.


AMÉLINHA—  Ora, ora ora (T) Parece que a Prefeitura deixou uma cadelinha escapar de seu abrigo (T) Essa sua falta de pedigree é sempre reconhecível....

SOL —  Bom dia para você também Amélinha (T) Adorei o convite sabe (T) Ter a oportunidade de fazer um pouco de caridade e passar sete dias da minha vida com vovózinhas de asilo me deixa muito feliz (T) Desde que casei e fiquei rica, passei amar a fazer caridade (RI)

MARINA—  (CURIOSA, IGNORA OS DESAFOROS) E esse moço bonito ao seu lado (T) Parece ter boa genética (T) Se for seu filho deve ter puxado só ao pai (SORRI)

SOL —  (ABRAÇA JOAQUIM) É meu filho (BEIJA A BOCHECHA) Lindo né (T) Fui eu que fiz (RI) Não sozinha né, tive uma companhia adorável no processo

AMÉLINHA —  Arranjada pela Olga?

OLGA —  Amélinha (T) Não me rebaixe, por favor (T) Apresento moças de classe a homens desacompanhados (T) Amigas queridas que sempre são gratas a mim por esses encontros cósmicos (T) Mas essa senhora, não conheço (T) Para ser sincera jamais teria essa senhora que usa malas de animal print na minha lista de amigas.

AMÉLINHA—  (OLHA PARA JOAQUIM) E você? Não vai defender a honra da sua mãe? (TODAS, EXCETO SOL RIEM)

JOAQUIM—  Se dependesse de mim, senhora (T) Estaríamos em Nova Iorque (T) Vim para acompanhar minha mãe, mas não protege-la (T) Se alguém precisa de proteção aqui são as senhoras (T) Ela pode até ser um pouco peculiar, mas é uma leoa quando desafiada (T) Eu não gostaria de estar no caminho dela..


AMÉLINHA —  Pois eu adoraria estar nesse safári (T) Faço questão de ver (T) Inclusive trouxe ela aqui para isso (T) Defender-se....

Ao fundo observamos Clarisse nas escadas, observando toda a cena ao longe enquanto sorve uma taça de vinho. A câmera rapidamente volta-se a Amélinha que agora recebe James e Alice com um carinhoso abraço, amenizando a tensão.


AMÉLINHA—  Joaquim (T) Conheça Alice e o pai dela, James, meu grande amigo (T) Sua mãe e Alice foram rivais na adolescência 


MARINA —  (RI) Mas não nas quadras (T) Alice era tenista (T) Mas elas disputavam o mesmo homem...

ALICE —  (RI) E no fim nenhuma de nós ficou com ele, não é Sol...

SOL—  (SEGURA-SE) É, nenhuma ficou (T) Porque ele morreu (T) Se não era óbvio que ele teria me escolhido (DEBOCHA) Olha se ele trocar esse filé por essa carne de pescoço (RI)

JOAQUIM —  Mãe....

AMÉLINHA —  Ela não vai diminuir as provocações, Joaquim (T) Você mesmo disse, ela é uma leoa e não se importa de ferir a todos para alcançar o que deseja (T) O que você não espera, Sol é que talvez seja a caça e não o caçador (RECOMPÕE-SE) Bem, vejo vocês novamente no jantar (T) É um prazer recebe-los para essa reuniãozinha (T) Aproveitem é tudo por minha conta (SORRI)


CLOSES ALTERNADOS.


CORTA PARA:


CENA 7. CLIP. EXTERIOR. RIO DE JANEIRO. ANOITECER 


SONOPLASTIA – SÁBADO EM COPACABANA – SARA MONTIEL


Iniciamos com imagens da praia de Copacabana, em cortes descontínuos observamos pessoas correndo, caminhando, jogando futevôlei, passando protetor, enfim, situações cotidianas. Ao pôr do sol, somos apresentados aos principais pontos turísticos cariocas: Cristo Redentor, Arcos da Lapa, o Pão de Açúcar, a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Pedra do Arpoador. Já à noite, somos brindados com a orla de Copacabana, e, por fim, somos levados ao Hotel Copacabana Palace.


CORTA PARA:


CENA 8. HOTEL COPACABANA PALACE. PISCINA. EXT. NOITE


SONOPLASTIA – O QUE TINHA DE SER – ELIS REGINA


Juntamente com os primeiros acordes da canção, somos apresentados a Marina, introspectiva, segurando uma taça de champanhe, enquanto caminha em torno da piscina do hotel. Seu olhar é triste, descompensado, de uma mulher que guarda profundo segredos. Ela senta-se em uma espreguiçadeira. Instantes. Um garçom aparece e preenche sua taça. Instantes. Ao fundo, uma figura fosca começa a tomar forma, trata-se de Sol. Ela aproxima-se de Marina, senta-se ao seu lado, segurando uma caipirinha. Ela fita Marina com interesse ao mesmo tempo que a irmã de Amélinha ignora sua presença.


SOL —  Tá pensando na vida que não teve? Em tudo que abriu mão para ser a sombra da Amélinha? 


MARINA —  (RESPIRA, OLHA PARA SOL) Estou pensando em tudo que foi tirado de mim, o assassinato do meu marido no altar, a morte do meu sobrinho (T) Sabe Sol, sou uma mulher forjada pela dor (T) A vida já tirou tudo que um dia me trouxe alegria (T) Não tenho medo de você...

SOL —  (RI) Pois deveria, posso tirar ainda mais...

MARINA —  Pode tentar, mas já aviso (SORRI DE FORMA MELANCÓLICA) É difícil tirar algo de alguém que não tem nada...

SOL —  Você ainda tem o amor da Amélinha (BEBE) E eu os segredos que podem tirá-lo de você...

MARINA —  E eu sei de segredos que podem acabar com essa sua vidinha perfeita (T) Não me provoca, garota (T) Me erra (T) Você pode estar cheia de ouro e usando grifes de maneira desastrosa, mas ainda é uma garotinha perdida esperando a aprovação e validação de todos (T) Já adianto, você nunca as terá (T) Você é a escória, limamos você de nossas vidas uma vez e só está de volta porque é uma peça importante em um quebra-cabeça, mas você não passa disso (T) Uma peça...


As duas trocam olhares ameaçadores, crescendo a tensão do ambiente. Ao fundo, vemos Amélinha observando a conversa com atenção.


CORTA PARA:


CENA 9. HOTEL COPACABANA PALACE. RESTAURANTE PÉRGULA. INT. NOITE


Uma luxuosa mesa foi preparada para Amélinha e seus convidados: James, Sol, Joaquim, Olga, Alice e Marina. As entradas já foram servidas, assim como a bebida. O clima é bucólico. Olhares de desconfiança e desaprovação são trocados por todos a todo momento.


AMÉLINHA—  (LEVANTA UMA TAÇA DE VINHO) Gostaria de propor um brinde (T) Aos reencontros que a vida nos proporciona (T) Todos aqui temos diferenças, não gostamos uns dos outros em sua grande maioria, mas estamos aqui por um motivo maior. Há vinte e cinco anos meu filho Henrique foi assassinado e ainda não tenho respostas (T) Espero que nos próximos sete dias elas apareçam, venham a tona (T) Independentemente do impacto que ela pode causar na vida de todos, inclusive a minha (T) Eu preciso da verdade (T) E confio em Deus, como um menino confia em outro menino que as respostas virão por meio de vocês (T)Um brinde a verdade, somente a verdade!


De forma tímida, todos acompanham o brinde de Amélinha. Alice que, parece um pouco bêbada, fica em pé, demonstrando desequilíbrio. Ela ergue sua taça e sorri.


ALICE —  Adorei Amélinha (T) Eu concordo completamente (T) Aqui vale somente a verdade (BEBE) Por isso vou compartilhar algumas com vocês (T) Eu sei quem matou o Henrique (T) Eu mesma vi e venho guardando esse segredo todos esses anos (DEMONSTRA EMBRIAGUEZ) Eu vi quando tiraram o vida dos olhos do amor da minha vida e não fiz nada....

JAMES —  (TENTA PARAR A FILHA) Alice você está descompensada...

ALICE —  (DEBOCHA) E você só percebeu isso hoje, pai? E o que é mais triste para você é que na frente de todos não pode me calar (SORRI) Não pode me dar um tapa, apertar meu braço ou arrancar meu copo (T) A única coisa que pode é sorver minhas palavras como eu sorvo o álcool e aceitar que quando Amélinha souber a verdade ela nunca mais te olhará (FITA TODOS) Olhará para vocês da mesma maneira (T) Todos aqui foram importantes para aquela bala ser disparada (T) Mas não adianta chorar sobre um tiro disparado, mas eu posso te oferecer o que você tanto quer Amélinha (SUSPIRA) A verdade...

OLGA —  (DEBOCHA) E eu posso oferecer companhias agradáveis para todos vocês (T) Claro, pelos mimos certos (OLHA PARA ALICE) Você já não é mais uma criança e nem tem mais idade para esse tipo de cena, isso não combina com uma cinquentona, nem com o que espero de minha neta...

SOL—  (INTRIGADA) Por que, Olga? Uma neta da cafetina mais poderosa do Rio não pode ser uma fiasquenta? Uma alcoólatra decadente que não proporciona a verdade a ninguém, apenas se envergonha em público? 


AMÉLINHA—  CHEGA (T) VAMOS JANTAR CIVILIZADAMENTE (T) Eu quero a verdade, Alice e estou curiosa para ouvi-la mas quando estiver sóbria e tiver um pouco de compostura (T) Agora sente-se e mantenha o resto da dignidade que lhe sobrou.


Alice senta-se. Todos voltam a comer. O silêncio é perturbador, ouvimos as batidas de garfos e facas. Em outra mesa, Clarisse permanece atenta, percebemos que ela ouviu toda a conversa de maneira curiosa.


CORTA PARA:


CENA 10. HOTEL COPACABANA PALACE. FACHADA. EXT. NOITE


SONOPLASTIA – O MUNDO É UM MOINHO - CARTOLA


Somos contemplados com a fachada do Luxuoso Hotel Copacabana Palace. A câmera está parada, acompanhando a movimentação de carros e demais luzes em frente ao hotel, indicando uma passagem de tempo.


CORTA PARA:


CENA 11. HOTEL COPACABANA PALACE. CORREDOR. INT. NOITE


Com a sonoplastia iniciada na cena anterior somos apresentados a uma Alice cambaleante, enfadonha. Instantes. Ela escora-se contra a parede e desaba em uma crise de choro. Instantes. Ao perceber que alguém se aproxima ela se recompõe e continua a caminhar de forma cambaleante. Percebemos que, a pessoa que se aproxima é Clarisse, observando Alice atentamente. Ao notar a presença da estranha mulher, Alice acelera o passo e a despista.


CLOSE EM CLARISSE.


CORTA PARA:


CENA 12. HOTEL COPACABANA PALACE. SUÍTE DE AMÉLINHA. INT. NOITE


Amélinha está sentada sorvendo uma taça de vinho, apenas de lingerie e rob vermelhos. James está na cama, coberto por lençóis, observando sua amante de forma intrigada.

JAMES —  (TERNO) Por que nos trouxe aqui Amélinha? Quer mesmo mexer nessa ferida?

AMÉLINHA —  Estou morrendo, James (T) Você sabe que essa pode ter sido a última vez que fizemos amor (T) Não sei mais quanto tempo meu coração aguenta, só sei que ele não aguenta mais viver sem saber toda a verdade (T) É hora de abrir o baú, James (BEBE) E revelar todos os segredos do passado.


James encara Amélinha com um olhar penetrante e ameaçador, enquanto ela bebe seu vinho despreocupadamente.


CLOSE EM AMÉLINHA.

CORTA PARA:


CENA 13. HOTEL COPACABANA PALACE. PISCINA. EXT. NOITE


SONOPLASTIA - SEVEN DEVILS - FLORENCE AND THE MACHINE


Clarisse ainda está procurando Alice, ela sai pela porta e observa a área aparentemente vazia. Ela relaxa, passa as mãos pelo cabelo, suspira e quando está prestes a entrar novamente para o hotel, observa uma bolsa feminina jogada no chão. Instantes. Ela aproxima-se, mexe na bolsa e encontra a carteira de habilitação de Alice. Nesse instante, a música atinge seus primeiros acordes de tensão. Angustiada com a descoberta ela aproxima-se da piscina e automaticamente seus olhos arregalam-se juntamente com o ápice da canção. Não observamos o que o Clarisse viu dentro d'água, no lugar ficamos com um close se seu rosto perturbadamente assustado. Instantes. Em um plano plongée, observamos um corpo feminino vestido de branco boiando na piscina. Instantes. A câmera rapidamente assume um plano subjetivo percorrendo todo o hotel até encontrar um caminho para a rua, e, posteriormente, a Praia de Copacabana. O capítulo encerra-se com a lua iluminando o mar carioca e um grito agudo de Clarisse.


FIM


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