Mostrando postagens com marcador Limite Da Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Limite Da Vida. Mostrar todas as postagens

14/12/2024

Limite da Vida - Capítulo 11 - Último Capítulo

 Limite da Vida - Capítulo 11

ÚLTIMO CAPÍTULO 

Uma novela de Larice da Costa




Dr. César: A boa notícia é que sua noiva não perdeu o bebê, ele está bem.


Clementino: Espera! Graça está grávida?


Dr. César: Sim, meus parabéns. Bom, a má notícia é que… enfim.


Clementino: Diga logo, doutor.


Dr. César: Ela nunca mais vai andar.


Clementino coloca a mão na boca espantado enquanto o doutor se retira, deixando ele a sós com Graça.


Graça: Meu amor, que bom que veio. Só a sua força pode me ajudar.


Os dois se beijam e Clementino não consegue disfarçar a expressão de descontentamento.


Graça: O que houve? Por acaso o doutor lhe disse algo que eu não saiba? É mais grave do que parece ser?


Clementino: Não, não é nada disso, se acalme. Só fiquei preocupado com você, mas está tudo bem, eu garanto.


Graça tenta mexer as pernas, mas não consegue.


Graça: O que está acontecendo? Eu quero me sentar, não estou conseguindo.


Graça se desespera.


Graça: Clementino, meu amor. Eu não estou conseguindo me mover, me ajude. CHAME O MÉDICO, MINHAS PERNAS NÃO ME OBEDECEM. 


A enfermeira entra no ambiente com um sedativo.


Enfermeira: Isso vai ser importante, descanse dona Graça, não se desespere.


Graça: EU NÃO VOU CONSEGUIR MAIS ANDAR, É ISSO?


Clementino abaixa a cabeça.


Graça: NAAAÃOOOO. ISSO NÃO É JUSTO.


Clementino começa a chorar tentando abraçar Graça que se debate.


Graça: EU NÃO MERECIA ISSO, TÃO JOVEM.


Clementino: Se acalme, Graça, pense no bebê.


Graça: Bebê? Eu estou grávida?


Clementino: Está. Apesar da queda, o bebê continua bem aí dentro e você precisa se controlar.


Graça: Não é possível, um filho? Justo agora eu estou esperando um filho de você? Em um momento tão ruim como esse?


Clementino: Nós vamos dar todo amor e carinho a ele, apesar de tudo, sejamos fortes para enfrentar esse momento difícil, ele é a luz no fim do túnel.


Graça abraça Clementino e os dois choram se consolando.


(Fazenda Poaia):


Humberto chega afoito, pulando da charrete e entrando correndo pela casa.


Humberto: MULHER, MULHER!


Catarina: Que desespero é esse, Humberto? Pra quem perdeu uma filha, está muito feliz.


Humberto: Eu não perdi a minha filha. Anda, deixa isso, vamos à cidade.


Catarina: E para quê eu iria até a cidade?


Humberto: Não discuta comigo, Catarina. Vamos comigo até a cidade, preciso te mostrar algo, mas é surpresa.


Catarina: Gostaria tanto que fosse algo bom, mas esperar o melhor de você hoje em dia está difícil, se você me decepcionar, Humberto…


Humberto: Confie em mim, é a melhor coisa que você poderia ganhar hoje, te garanto que você não faz a mínima ideia do que seja, mas é bom. Vem, meu amor.


Catarina e Humberto sobem na charrete e vão correndo para a cidade.


(Mansão de Tânia):


Mitra: Eu vou embora, não quero me reencontrar com ela, não me sinto bem fazendo isso.


Tânia: O que sua mãe lhe fez de tão grave a ponto de você querer evitar falar com ela? 


Mitra: Minha mãe sempre foi muito opressora comigo, sempre reprimindo meus gostos e vontades, me tratando como uma empregada sem direitos, não me importava se não tivéssemos condições tão boas para viver, se fôssemos pobres, mas se ela me desse amor e carinho estava de bom tamanho, mas ela sempre negligenciou isso de uma forma tão grande, não consigo me lembrar de um momento feliz e leve entre eu minha mãe, sempre com posicionamentos duros e uma pose se altiva, mas o que eu queria mesmo ela nunca me deu.


Tânia: Eu sinto muito, mas apesar de tudo ela é sua mãe e eu tenho certeza que te ama, ela não merece ser enganada..


Tânia abraça Mitra e as duas choram.


Humberto e Catarina se aproximam da mansão de Tânia e Catarina começa a se preocupar, se lembrando do lugar. Humberto para a charrete em frente a mansão e desce, esperando que Catarina também desça.


Humberto: Pronto, chegamos.


Catarina: É essa a casa em que Mitra está? Essa é a mansão que a acolheu?


Humberto: Sim, é aqui, porquê?


Catarina desce da charrete e observa a mansão com uma lágrima escorrendo do seu olho.


Catarina: Não pode ser!


Catarina desmaia nos braços de Humberto.


Humberto: Catarina, meu amor. Acorda, Catarina.


ABERTURA.


Humberto carrega Catarina no colo para dentro da casa, preocupando a todos que estão dentro.


Mitra: O que aconteceu com ela?


Humberto: Eu não sei, ela estava ótima quando desmaiou aqui, na sua porta, Tânia.


Tânia: Rosinha, busque um frasco de perfume, aquele bem forte, isso vai ajudar a acordar.


Tânia coloca o frasco no nariz de Catarina que acorda assustada e se afastando de Tânia.


Catarina: Não, não, saia daqui. Eu preciso ir embora, eu não posso ficar aqui.


Catarina se levanta e dá de cara com Mitra.


Catarina: Eu estou morta? Então é isso? Mas não é possível. Mitra?


Mitra: Minha mãe, eu estou aqui, viva! Eu não morri naquele convento, eu estou viva.


Catarina abraça Mitra aos prantos.


Catarina: MINHA FILHA ESTÁ VIVA, VIVA!


As duas emocionadas, sentam no sofá se abraçando.


Catarina: O quanto eu sofri por sua causa, eu te amo, minha filha. Vamos pra casa, venha!


Mitra: Eu só volto para a casa se a senhora disser o que esconde, não adianta tentar mudar de assunto, é algo bem sério, eu sei.


Catarina: O que eu escondo? Mas eu não escondo nada.


Humberto: Diga de uma vez, Catarina! Só voltamos para casa se você contar tudo.


Mitra: E pode contar aqui mesmo pois sei que envolve a dona Tânia.


Tânia: O que?


Mitra: Conte logo, diga de uma vez por todas. Sabe que é errado esconder isso então, diga logo.


Humberto: Fale de uma vez, Catarina.


Catarina: PAREM! Eu digo. A filha da Tânia é minha filha!


Tânia: O que?


Felícia: Eu sou o que?


Catarina: Pediram para eu dizer, então eu disse. Você, menina, é minha filha.


Humberto: Conte essa história direito, como assim?


Felícia: Fale alguma coisa, mamãe. Diga que ela está mentindo, diga que tudo não passa de uma invenção.


Tânia: Não, minha filha. A senhora está certa, você não é minha filha biológica.


Felícia: Me explica isso, como tudo aconteceu?


Catarina: Eu me apaixonei por um rapaz, antes mesmo de te conhecer, Humberto. Ele era maravilhoso, uma pessoa estupenda. Mas antes do casamento, eu fiquei grávida dele, desesperado e não querendo arcar com tudo, ele fugiu para longe, até hoje não sei o paradeiro dele. Grávida e sem marido, meus pais descobriram e me botaram para fora de casa, foi aí que o bordel da dona Dandara me adotou e cuidou de mim, ela também estava grávida na época. Tive a Joana, quer dizer, Felícia, mas não tinha condições de cuidar então deixei ela enrolada em um pano que eu tinha costurado e bordado, como lembrança, na porta da dona Tânia. Ela sim teria todas as condições essenciais para cuidar de uma criança. Eu também queria ter uma vida estável e com uma criança no colo, ninguém iria querer se casar comigo, tive que cometer esse sacrifício para poder dar uma vida digna a ambas, você também merecia ser bem tratada e ter um ótimo futuro, Felícia.


Catarina se aproxima de Felícia, tentando fazer um carinho, mas ela rejeita.


Felícia: E a senhora? Não achou estranho? Me pegou assim, de repente?


Tânia: Seu pai e eu estávamos passando uma temporada na casa da serra, havia muita cobrança, principalmente de minha mãe, para que eu engravidasse, já que o tempo estava passando e não acontecia. Inclusive achamos até que poderia ser um problema de saúde, mas não, não era. Até que eu finalmente consegui engravidar, foi o dia mais feliz da minha vida quando eu descobri, mas essa felicidade não ia durar muito já que num fatídico dia que eu decidi andar a cavalo, eu caí de cima dele e perdi o bebê, aquilo marcou a gente de uma maneira tão horrível e sombria, era um sonho nosso sendo despedaçado. Voltamos para a cidade estraçalhados, com o coração em pedaços, mas quando chegamos, passou uns dois dias, um bebê em um cesto estava em nossa porta, foi como se fosse um presente de Deus nos devolvendo aquele sonho, não pensamos duas vezes e te adotamos, sua avó pensou por um bom tempo que você era a criança que eu estava esperando, mas depois que ela descobriu a verdade, dona Maia te deu mais amor e carinho ainda. Achamos triste e estranho sim uma criança ali abandonada, mas decidimos cuidar porque pensamos ser um propósito, e você também era a coisa mais fofa nesse mundo.


Felícia: E mesmo assim decidiram me largar.


Catarina: Eu já imaginava que você não aceitaria o meu perdão, e eu não lhe julgo, é uma situação bem difícil mesmo, mas eu espero um dia que você me perdoe, eu fiz tudo aquilo pensando no melhor de nós duas. As pessoas pensam que quando se é mãe tudo muda, mas não é tão mágico assim, continuamos com problemas. Desde que minha irmã partiu, um pouco depois desse fatídico dia, nós estávamos brigadas pois ela também gostava desse homem, minha vida mudou de uma maneira tão maluca, só queria ela aqui do meu lado.


Catarina começa a chorar.


Mitra: Mãe, eu estou aqui, eu te amo.


Catarina e Mitra se abraçam.


Catarina: Espero que você me perdoe por tudo que eu fiz durante todo esse tempo, eu pensei estar te ajudando, mas como sempre, errei bastante com você.


Mitra: Mãe, está tudo bem, eu te perdoo. Não precisa se cobrar tanto dessa maneira. E saiba que estou aqui para o que precisar, eu te amo.


Catarina: Vamos embora? Vamos recomeçar como uma família feliz, novamente?


Humberto: Não sei… isso que você fez, Catarina.


Catarina: Não me espanta, você só estava esperando uma oportunidade, uma desculpa para se separar de mim e correr para os braços dela.


Tânia: Olha dona Catarina, eu não tenho nada a ver com isso. Inclusive eu sempre disse ao Humberto que não era certo. Se eu fosse a senhora, não pensava dessa maneira, até porque ele te ama, eu sei disso.


Catarina: Eu sei que o que eu fiz foi horrível, mas pensei no meu lado, eu também tive motivos. Vamos, Mitra.


Felícia: Esperem! Mitra, então nós somos irmãs? Eu sempre quis ter uma irmã, ainda mais assim, tão inteligente e sábia como você, me dê um abraço.


As duas se abraçam emocionadas com todo o acontecimento.


Felícia: Eu quero muito você ao meu lado, vamos aproveitar o tempo que perdemos, vamos ser felizes.


Catarina: Você me perdoa, Humberto?


Humberto: Eu… te amo, Catarina. É claro que te perdoo.


Humberto e Catarina se beijam na boca.


Alguns meses se passam.


(Igreja):


Clementino: Ainda podemos fugir se você quiser, eu deixo a Graça aqui mesmo e podemos ser felizes, meu amor.


Felícia: Não. Se case com Graça, ela precisa de você nesse momento tão difícil, sejam felizes e faça ela feliz, não podemos ter tudo nessa vida.


Clementino: Só me deixe dar um último beijo.


Clementino e Felícia se beijam escondidos e Felícia se afasta.


Felícia: Vá para seu casamento, vá ser feliz!


Felícia chora e observa Clementino e Graça se casando.


(Convento):


Mitra vai até o convento para relembrar daquele tempo quando reencontra Giovanna ali.


Mitra: O que você está fazendo aqui?


Giovanna: Mitra? Por acaso é algum tipo de assombração?


Mitra: Eu estou viva, pensou que tivesse me matado, não é? 


Giovanna: Vá embora daqui, saia da minha frente.


Giovanna corre em direção aos montes e sobe até o alto deles.

Mitra corre atrás de Giovanna.


Mitra: Temos que resolver isso aqui, nessa vida!


Giovanna: Não temos que resolver nada.


Mitra: Por que me odiava? Por que tentou me matar e prejudicar as outras noviças?


Giovanna: EU AMAVA A LÍCIA, E VOCÊ ME TIROU A POSSIBILIDADE DE ME APROXIMAR DELA, VOCÊ SÓ TROUXE DESGRAÇA AO CONVENTO.


Mitra: Mas eu também amava a Lícia, eu continuo amando ela.


Giovanna: Você como sempre me tirando do sério, eu te odeio, Mitra, ODEIO!


Giovanna corre em direção a Mitra e as duas caem do penhasco no meio das pedras ao som de Something For You.


São Paulo, 2012…


Mitra está em coma no hospital quando acorda, como se tudo tivesse sido um grande sonho.


FIM


ENCERRAMENTO AO SOM DE MISTY - LESLEY GORE






11/12/2024

Limite da Vida Capítulo 10



 Limite da Vida - Capítulo 10

Uma novela de Larice da Costa




Graça se encaminha para subir as escadas quando ouve um barulho e se vira assustada, ela desce as escadas e vê a janela aberta, Graça fecha as janelas e volta a subir quando vê um vulto passando, ela se volta contra o andar de cima assustada e permanece não vendo ninguém, a sala continua em silêncio somente com o barulho do relógio, ela, mais calma, volta a subir quando vê Maia em sua frente, ela se assusta e rola escada abaixo. Janete ouve o estrondo assustada e corre em direção à sala para verificar o que é, ela se assusta ao ver Graça no chão e imóvel.

Janete se levanta e vai até o telefone, afoita ela procura pelo número do doutor pela lista telefônica.


Janete: Cadê… Achei! Alô, doutor César? Preciso que o senhor venha até a residência de Graça Nunes urgentemente, a antiga casa de dona Maia.


Janete se aproxima novamente de Graça com receio de colocar a mão. Graça acorda.


Graça: Ahh que dor! Eu não quero morrer, Janete.


Janete: Fique calma, senhora. Já acionei o médico, não faça esforço.


Graça passa a mão por baixo da barriga e sente o sangue.


Graça: Estou sangrando, me ajuda, Janete!


Janete percebe o vestido de Graça todo ensanguentado


Os médicos chegam no momento e carregam Graça pela maca.


Dr. César: A senhorita sabe o que aconteceu? Se puder nos explicar com mais calma.


Janete: Não sei ao certo, eu estava na cozinha, me preparando para ir dormir, quando ouvi o estrondo, vou correndo à sala e a dona Graça estava caída ao pé da escada, ela provavelmente rolou lá de cima.


Dr. César: A senhorita terá que acompanhar a Graça na ambulância. Vamos.


Graça: Eu quero o Clementino, chame ele, Janete.


Janete: Agora não dá, dona Graça, mas quando chegarmos no hospital eu aviso ele. Fique calma, vai dar tudo certo.


(Mansão de Tânia):


Rosinha: A senhora já vai se recolher?


Tânia: E porque? Não devo?


Rosinha: Só gostaria de lhe contar algo estranho que vi hoje, sobre a Mitra.


Tânia: Deixe de fuxicos, Rosinha. Vá se deitar.


Rosinha: É realmente sério.


Rosinha encosta a porta.


Rosinha: Quando o senhor Humberto esteve aqui, conversando com a senhora, Mitra estava no corredor ouvindo a conversa e chorando, quando me aproximei ela disfarçou dizendo que estava distraída, mas dava pra perceber que aquele choro tinha a ver com a conversa.


Tânia: Ela não me parece esse tipo de pessoa, que ouve a conversa atrás da porta. Tem certeza de que viu isso, Rosa?


Rosinha: Absoluta, pela minha vida eu te juro.


Tânia: Não exagere. Mas por qual motivo? Mesmo assim, ela tem muitos traumas e momentos difíceis do passado, chorar para ela deve ser normal.


Rosinha: A senhora está tentando ver pelo melhor prisma, não é?


Tânia: De qualquer forma, amanhã converso com ela. Felícia já chegou?


Rosinha: Não senhora.


Tânia: NÂO!? Ela anda chegando muito tarde ultimamente, tenho que puxar a orelha dela. Agora pode ir dormir, Rosinha. Vá!


Clementino está andando pelas ruas quando se encontra com Felícia e os dois caminham juntos.


Clementino: Uma moça como você, é perigoso andar sozinha nessas horas perdidas.


Felícia: Já me acostumei, virou uma rotina para mim.


Clementino: Mas não podemos dar sorte ao acaso, vai que…


Felícia: Se alguém se atrever eu ensino direitinho o caminho de casa.


Felícia mostra um canivete escondido em sua cintura.


Felícia: Não sou uma paspalha também. Mas o que faz essas horas na rua?


Clementino: Estou indo para a casa.


Felícia: Está vindo da casa de Graça?


Clementino: Como sabe?


Felícia: Imaginei… Enfim, cheguei em casa, obrigada por ter me acompanhado mesmo não tendo precisão.


Clementino: Fiz por livre e espontânea vontade. Espera, eu queria te dizer que eu sinto muito sua falta e que se você quisesse eu deixava tudo e me casava com você.


Felícia: Mas você está noivo da Graça, seria errado de ambas as partes cometer esse erro com ela.


Clementino: A Graça não é perfeita como pensa, ela também tem seus erros, não ache que ela mereça tudo de bom ou um sacrifício como esse. A gente se ama, eu sei que você ainda sente algo por mim, prefere renunciar a esse amor e deixar tudo para trás?


Felícia: Não é justo porque o nosso tempo já passou.


Clementino aproxima o rosto de Felícia e os dois se deixam levar, eles se beijam intensamente, sem qualquer compromisso.

Humberto chega completamente bêbado no portão da mansão de Tânia, gritando por seu nome.


Humberto: TÂNIA, DESÇA AQUI, MEU AMOR. EU TE AMO, FICA COMIGO!


Felícia: Mas o que é isso?


Tânia acorda sem entender nada e sai pela varanda do quarto.


Tânia: HUMBERTO? Felícia!?


Mitra ouve o burburinho e resolve sair do quarto, ela anda pelo jardim e consegue ver seu pai.


Tânia: Vá embora, Humberto.


Felícia: Ele não pode ir embora assim, mamãe. Me ajude, vamos entrar com ele, Clementino.


Mitra corre e Humberto vê sua filha, mas ela se esconde a tempo de ninguém mais ver.


Humberto: Mitra? Minha filha alí, ela tá viva?


Felícia: Quem é Mitra?


Clementino: Ele não fala coisa com coisa.


Felícia e Clementino deixam Humberto no sofá.


Felícia: Vou preparar um café bem amargo para ele.


Tânia: Humberto, o que você está fazendo da sua vida, meu querido?


Humberto: Eu te amo Tânia, fica comigo, fica!


Tânia: Você está bêbado, então não tem controle totalmente sobre a sua mente, depois a gente conversa.


No outro dia…


Mitra bate na porta do quarto de Felícia.


Mitra: Dá licença, dona Felícia.


Felícia: Entra, Giovanna. Precisa de alguma coisa?


Mitra: Gostaria de conversar com a senhora, é que…


Mitra vê um pano com um tipo de bordado que sua mãe mais fazia.


Mitra: Onde conseguiu?


Felícia: Ah, é lindo não é? Minha mãe disse que eu tenho desde bebezinha.


Mitra: Tem certeza?


Felícia: Tenho, mas porquê? Mitra, onde vai?


Mitra sai correndo e chorando.


Mitra: Não acredito, eu não acredito.


Mitra esbarra em Tânia que se espanta.


Tânia: O que aconteceu? Por que está chorando?


Mitra: Eu não aguento mais, dona Tânia, eu vou contar tudo.


Tânia: Calma, se sente no sofá.


Felícia aparece desesperada atrás de Mitra.


Felícia: O que foi? O que está acontecendo?


Mitra: Meu nome não é Giovanna e eu tenho sim dois pais.


Humberto invade a casa de Tânia querendo conversar com ela e se espanta com Mitra ali.


Humberto: MAS O QUE É ISSO? MITRA?


Tânia: Mitra? Então você é a filha do Humberto, a que ele pensava estar morta?


Mitra: Meu pai, que saudades eu estava do senhor.


Mitra corre e abraça o pai que fica sem reação.


Humberto: Como pôde você ter feito isso comigo, com a gente, pois a sua mãe está sofrendo muito.


Mitra: Fiz isso por causa dela mesmo, não queria voltar pras rédias curtas de mamãe, ela me odeia.


Humberto: Não diga bobagens, a sua mãe te ama, ela se arrepende tanto do que fez.


Mitra: Não quero que o senhor conte a ela que estou viva e bem, por favor.


Tânia: Não, não, não. Vá, Humberto, avise Catarina de que Mitra está viva e traga ela até aqui, você não vai poder fugir de sua mãe a vida toda, não dê esse desgosto a ela.


Humberto: Estou indo agora mesmo, ela vai ficar tão feliz, minha filha.


Mitra dá um sorriso sem graça e abaixo a cabeça.


(Hospital):


Dr. César chama Clementino para o lado e o conta sobre Graça.


Dr. César: Tenho duas notícias para lhe dar, uma boa e uma péssima, qual quer primeiro?


Clementino: A boa.


Dr. César: A boa notícia é que sua noiva não perdeu o bebê, ele está bem.


Clementino: Espera! Graça 

está grávida?


Dr. César: Sim, meus parabéns. Bom, a má notícia é que… enfim.


Clementino: Diga logo, doutor.


Dr. César: Ela nunca mais vai andar.


Um close no rosto de Clementino.


ENCERRAMENTO 






09/12/2024

Limite da Vida - Capítulo 09

 


Limite da Vida - Capítulo 09

Uma novela de Larice da Costa





Giovanna passa um rouge nas maçãs do rosto.

Dandara: Olha como dá uma cor a pele, você não parece mais uma mosca morta. Está linda, Giovanna.

Giovanna sorri se encarando no espelho.

Dandara: Então você entendeu tudo o que deve fazer, não é? Dê preferência aos homens mais ricos. Tente a todo custo ter uma noite com eles.

Felícia bate na porta e a abre um pouco, mostrando seu rosto.

Dandara: Pode se retirar, Giovanna. 

Giovanna se retira da sala e Felícia entra fechando a porta.

Felícia: É novata?

Dandara se senta em sua penteadeira e começa a passar um batom, enquanto isso vemos o reflexo de Felícia no espelho.

Dandara: É... me parece que não tem para onde ir e me pediu emprego aqui, não iria negar, não é mesmo? Inclusive, Felícia, acho que você com esse corpão, com esse busto lindo, deveria aproveitar mais das qualidades que Deus lhe deu.

Felícia: Sabe que o meu negócio é a dança, única e exclusivamente a dança. E sabe também da minha opinião sobre o que faz com essas garotas, mas enfim, não vem ao caso.

Dandara se levanta nervosa.

Dandara: Não vem ao caso mesmo, amorzinho. E por falar em dança, a senhorita chegou atrasada para a primeira apresentação, vou descontar do seu salário.

Felícia: Pode descontar, não me importo.

Dandara: Ah claro, esqueci que é rica, que é uma mulher de boas condições e que dança aqui por pura arte. Não vou negar, acho lindo o jeito que se diverte.

Felícia: Até porque, trago clientes a senhora. Enfim, só vim lhe avisar o motivo do meu atraso, mas pelo visto a senhora não se importou muito, devo me apressar para não perder a segunda apresentação.

Felícia se retira do quarto e Dandara fica se encarando no espelho com ódio.

No camarim, Felícia chega estressada, derrubando algumas coisas no chão.

Silvia: O que foi, amiga?

Felícia: Dona Dandara com aquele ar prepotente dela, me tira do sério, viu. Uma pena esse ser o único lugar em que posso dançar nesse fim de mundo, senão já teria me mandado daqui.

Silvia: Nossa, se acalma. Não fica pensando na dona Dandara, tome uma água e concentre que temos uma apresentação agora.

Felícia: Está certa. Vamos nessa!

Felícia e as outras meninas se apresentam ao som de Night and Day - 
Frank Sinatra.

Todos se levantam, quando a apresentação se encerra, e aplaudem as meninas.

Felícia observa Giovanna no canto do salão isolada e decide ir até ela.

Felícia: É nova aqui, não é?

Giovanna: Sou.

Felícia: De onde veio? Você me parece familiar.

Giovanna: Por que quer saber de onde venho? 

Felícia: Sabe que esse lugar aqui não é uma boa influência para moças como você, não sabe? Quer mesmo ficar presa em um inferno como esse?

Giovanna: Eu saí de um muito pior, mas não vem ao caso. Se é um lugar tão ruim assim, o que você faz aqui? 

Felícia: Por acaso não viu minha apresentação? Estou aqui pela dança, somente por ela.

Giovanna: Ah, sei. Que bom, querida!

Giovanna avista um homem bem vestido entrando pela casa e caminha até ele.

Felícia observa aquilo com muito desgosto.

(Mansão de Tânia):

Tânia está conversando com Mitra na sala de estar.

Tânia: Giovanna, me perdoe se eu for indiscreta, é uma curiosidade que eu tenho desde que chegou aqui. Você não tem pais ou alguém do tipo que poderia lhe dar um apoio, um suporte nessa situação?

Mitra: Meus pais, eles... eles morreram, morreram quando me colocaram no convento. Não tenho mais ninguém nessa vida.

Tânia: Oh... eu sinto muito, a perda dos pais é a pior que se pode ter nessa vida. Era mais ou menos isso que eu gostaria de conversar com você, pode se sentar.

Mitra: Pode falar, dona Tânia.

Tânia: Então... se lembra do almoço beneficente na qual você me disse algumas coisas? Se lembra do que me disse? Você fez algum tipo de aviso sobre o futuro, não sei como fez aquilo, mas eu gostaria que me ajudasse. 

Mitra: Não faço avisos sobre o futuro, dona Tânia, eu me comunico com o outro lado, vamos dizer assim.

Tânia: Como eu imaginei... É exatamente aí onde eu quero chegar. Você... enfim, você conseguiria se comunicar com minha mãe? 

Mitra: Bom, isso vai depender se ela ainda está nesse plano ou se ela vem até aqui. Eu não tenho certeza de como isso acontece, eu me baseio em alguns livros que já li. 

Tânia: Entendo. Mas você consegue sentir essa vibração se ela estiver no lugar?

Mitra: Meio que consigo. Todos nós emitimos energia, eu consigo sentir a da senhora, por exemplo. Eu senti também naquele almoço, era uma energia densa, fechada. Hoje está mais leve.

Tânia: E está sentindo a de mamãe?

Mitra fecha os olhos e se concentra.

Mitra: Não. Eu sinto muito... Mas talvez ela esteja em outro lugar, quem sabe na casa onde viveu seus últimos dias de vida.

Tânia: Siiimm, a mansão de mamãe, que agora é de Graça. 

Mitra: Se pudermos ir lá, acho que é um lugar que ela possa estar presa. 

Tânia: Mas presa! Ela não teria que ir embora? Não que eu esteja reclamando, já que isso vai nos ajudar e muito.

Mitra: Sim. Eu já li uma vez que os espíritos que ficam presos na terra se tornam obscuros e até obsessores. Mas eu não entendo muito disso, só sei que ela deve seguir a luz.

Tânia: Ai que assunto pesado, até me arrepiei. Faz um cházinho pra mim, Giovanna.

Mitra sorri.

Mitra: Claro, dona Tânia. De camomila com erva cidreira?

Tânia: Está aprendendo.

Mitra se dirige para a cozinha quando a campainha toca, ela retorna mas Tânia impede.

Tânia: Pode deixar, querida. Eu abro a porta, vá fazer o chá.

Tânia abre a porta.

Tânia: Humberto?

Humberto: Tânia! Será que poderíamos conversar?

Mitra escuta do corredor e se apavora.

ABERTURA 



Tânia: Claro! Entre. Eu sinto muito, Humberto.

Tânia abraça Humberto.

Tânia: Não tivemos a oportunidade de conversar melhor devido às circunstâncias. Gostaria de dizer que tem todo o meu apoio.

Humberto: Ah, Tânia. Minha filha não merecia isso. Mas tudo o que aconteceu com ela foi culpa de Catarina, eu nunca vou perdoar ela.

Tânia: Não diga isso. Sua mulher não tem  culpa de absolutamente nada. Inclusive, era pra você estar ao lado dela, dando forças um ao outro, e não aqui.

Humberto: Poxa, Tânia. Eu vim aqui pedir o seu apoio, será que pode pelo menos me dar ele?

Tânia: Não é certo isso, e quem vai consolar Catarina? É o seu papel de marido. Vá, Humberto. Eu gostaria muito de poder te consolar, de te dizer as melhores palavras em um momento tão difícil, mas seria errado. Eu realmente sinto muito por tudo, perder alguém que a gente ama é difícil.

Mitra escuta tudo do corredor.

Tânia: Mas não é certo. Vá embora, fique ao lado de sua mulher.

Tânia praticamente empurra Humberto para a porta.

Humberto: Vá ao enterro de minha filha, ou pelo menos do que restou dela. Você é uma grande... amiga e a sua presença lá vai ser muito importante.

Mitra chora ouvindo o pai dizer aquilo.

Tânia: Claro! Você também é um... amigo muito importante pra mim.

Rosinha esbarra com Mitra chorando e ouvindo a conversa.

Rosinha: O que faz aqui ouvindo a conversa da madame?

Mitra: Nada, com licença.

Rosinha estranha a reação de Mitra.

(Casa das Dançarinas):

Lívia observa Giovanna dançando com o ricaço agarradinhos e fica com ciúmes.

Lívia: Olhe, Silvia. Essa garota mal chegou e já quer se sentar na janela, alguém tem que avisar que aquele cliente é meu, só meu.

Silvia: Sossega, Lívia. Aqui não tem disso, você sabe. Bom, deu a minha hora, vê se não arruma problema, sabe como a dona Dandara é.

Dandara: Eu o que?

Silvia: Nada. Já estava de saída, com licença.

Lívia: A senhora não faz nada? Vai deixar a novata se esfregar com o meu cliente?

Dandara: Ah menos que ele pague bem caro por você, o que não é o caso, ele pode dançar e se esfregar com qualquer outra moça, inclusive a novata. Não fique aí parada, olhe, está chegando cliente.

Lívia: Aquele caipira?

Dandara: Mas que paga bem, vá!

Lívia se levanta e vai até o cliente, eles começam a dançar, dividindo o salão com Giovanna e o outro cliente.
Os casais começam a se aproximar e Lívia provoca Giovanna com o olhar; Lívia pisa no pé de Giovanna que agarra seu cabelo, as duas caem no chão se batendo e se engalfinhando. Lívia puxa um tufo de cabelo de Giovanna. Elas se levantam.

Lívia: Atirada, desavergonhada. Ele é meu cliente.

Todos do salão param para assistir a briga.

Giovanna: Não sabia que tinha cliente particular, deixe me verificar se tem um cadeado com senha.

Lívia: Cínica, rameira!

Lívia dá um tapão em Giovanna que retribui.

Lívia: Se eu sou rameira você é uma cadela, meretriz.

As duas voltam a rolar no chão se batendo.

(Mansão de Maia):

Graça e Clementino estão sentados no sofá abraçados.

Graça: Meu amor, sabe o que eu estava pensando. Dessa vez temos condições de organizar um ótimo casamento, o que acha?

Clementino: O que?

Graça: Onde está com a cabeça?

Clementino: Ah, em lugar nenhum, é que...

Clementino olha para o relógio no canto da sala e se espanta.

Clementino: Por Deus, olhe as horas! Tenho que ir, meu amor.

Graça: Durma aqui, meu bem. Só hoje.

Clementino: Não posso, não quero deixar minha avó sozinha, você sabe.

Graça: Deixe essa velha pra lá.

Clementino: Não fala assim da minha avó, você sabe que eu não gosto.

Graça: Ah, me desculpa, não quis ofender.

Clementino: Mas ofendeu. Enfim, vou indo, boa noite.

Clementino sai da casa.

Graça se encaminha para subir as escadas quando ouve um barulho e se vira assustada, ela desce as escadas e vê a janela aberta, Graça fecha as janelas e volta a subir quando vê um vulto passando, ela se volta contra o andar de cima assustada e permanece não vendo ninguém, a sala continua em silêncio, somente com o barulho do relógio, ela, mais calma, termina os degraus, quando vê Maia em sua frente, ela se assusta e rola escada abaixo.

Um close em Graça no pé da escada desmaiada.

ENCERRAMENTO.







29/11/2024

Limite da Vida - Capítulo 08

 


Limite da Vida - Capítulo 08

Uma novela de Larice da Costa



Felícia: Finalmente acordou! Como está se sentindo?

Mitra coloca a mão na cabeça sentindo fortes dores.

Felícia: Acho melhor a senhorita permanecer deitada, está ardendo em febre.

Mitra automaticamente coloca a mão no pescoço para sentira a temperatura e se assusta, ela tenta se levantar mas não consegue, então permanece sentada.

Felícia: Não se esforce tanto, fique calma.

Mitra: Eu não quero dar trabalho, eu só vim até aqui conversar com a dona da casa, a senhora que fez o almoço beneficente da outra vez.

Felícia: Veio falar com minha mãe? Ela não está, mamãe foi até o convento Santa Isabel, não sei se demora. Yoná, faça um chá para a moça por obséquio.

Mitra: Ao convento? 

Felícia: Espere! Primeiramente, qual o seu nome?

Mitra: Giovanna, muito prazer. Escute, eu acabei de vir do convento, aconteceu uma tragédia, ele está em ruínas, tudo dentro pegou fogo, eu fui a única sobrevivente do local. Eu escutei a pessoa que eu mais amei na vida suplicar por socorro, gritar pela vida e eu não pude fazer nada, você entende o que é isso? Logo ela que amava viver, que queria ser feliz e livre, morreu encurralada pelo fogo. 

Mitra, chorando, encara Felícia.

Mitra: Perdão, foi um desabafo. Eu não tenho pra onde ir, e como a sua mãe, enfim, foi tão caridosa com o convento da outra vez, pensei que ela podia me ajudar, quem sabe me dando um emprego. Olha, eu faço de tudo, sei lavar, sei secar, sei cozinhar, e o que não sei eu posso aprender, mas por favor, me deixe ficar.

Felícia: Se acalme, você está muito agitada, apesar da febre. Tenho que esperar mamãe chegar e assim ela resolve.

Felícia se senta na poltrona ao lado e, como se fosse falar algo, se inclina perante Mitra.

Felícia: Mas você pode ficar até que ela chegue, não acho que vá demorar já que... enfim, o convento pegou fogo. Mas me conte melhor sobre isso, se você se sentir à vontade, é claro!

Mitra: Eu vou explicar como ocorreu.

(Fazenda próxima ao convento):

Tânia: Humberto?

Humberto: Tânia?

Catarina olha depressa percebendo que eles já se conhecem.

Catarina: Quem é a senhora, Humberto?

Humberto: Isso não importa agora, Catarina. 

Tânia: O que houve? Alguém poderia me explicar o que aconteceu com o convento?

O delegado se aproxima de Tânia e a leva para um canto, os dois conversam mais discretamente.

Delegado: O convento pegou fogo nessa madrugada e, infelizmente, a filha deles estava lá dentro e não conseguiu escapar.

Tânia fica espantada e se aproxima de Catarina e Humberto.

Tânia: Eu lamento muito. Podem contar comigo para o que precisarem.

Catarina: Não precisaremos.

Humberto interrompe Catarina.

Humberto: Eu agradeço o seu apoio, Tânia. Muito obrigado.

Catarina observa os olhares entre os dois e fica desconfortável. Ela começa a chorar pensando na filha e Tânia percebe.

Tânia: Vá confortar sua mulher, ela merece. Rosinha, vamos embora. É lamentável, eu sinto muitíssimo pelo que aconteceu, fica aqui meus pêsames.

Ela olha para Humberto que faz um gesto com a cabeça.

O delegado tira um relógio do bolso e observa as horas.

Delegado: Bom, tem certeza de que o casal que abrigou a menina volta logo?

Jussara e o marido chegam no momento em casa.

Yoná: Óia lá, seu delegado. Eles acabaram de chegar.

Delegado: Ah, muito obrigado a todos, agora, vamos ao trabalho.

Delegado na casa de Jussara.

Delegado: E vocês têm certeza de que não viram para onde a menina foi? Não deixaram ela em casa?

Jussara: Não senhor, ela pulou da charrete dizendo que não precisava levá-la na porta de casa, ela saiu correndo pelas ruas e se dissipou no meio das pessoas.

Delegado: Era importante que vocês soubessem o endereço da senhorita Giovanna ou que pelo menos ela ficasse para contar como aconteceu o acidente no convento. Mas infelizmente, não há mais o que perguntar, muito obrigado pela atenção do senhor e da senhora também.

O delegado cumprimenta o casal e se retira.

(Mansão de Tânia):

Tânia chega em casa bastante cansada, larga a bolsa em cima de Rosinha e sobe as escadas sem olhar para Felícia e Mitra que estavam na sala.

Felícia: Mãe, mãe.

Mitra e Felícia se levantam.

Felícia: Não precisa se levantar, fique sentada.

Tânia se aproxima das duas sem dar muita atenção.

Tânia: O que foi, minha filha? 

Felícia: Essa senhorita quer conversar com a senhora, ela disse que te conhece.

Tânia repara em Mitra e se choca.

Tânia: VÔ-CÊ?

A noite chega e Catarina e Humberto chegam em casa, Humberto se deita na rede e lágrimas escorrem dos seus olhos.
Catarina entra pela casa vagarosamente se lembrando de cada momento de Mitra ali dentro. Ela entra pelo quarto da filha, abre o armário e cheira as roupas da filha. Catarina cai no chão chorando como se fosse morrer de tristeza ali mesmo.
Com ódio ela vai até a caixinha escondida, a abre e começa a rasgar as cartas.

Catarina: Eu sei que não fui correta, que o meu passado me condena, mas eu tentei me redimir. Senhor, por favor, já tive que deixar uma filha, agora eu perco a outra. ISSO NÃO É JUSTO, NÃO É.

Catarina quebra e derruba todas as coisas que estavam na mesinha, ela joga um vaso no espelho que se parte em mil pedaços.

Catarina: MITRAAAAAAA.

Humberto se aproxima e entra no quarto.

Humberto: Isso tudo é remorso? Se sente culpada por ter provocado a morte de nossa filha? Não é por menos pois você tem culpa sim, se não fosse essa sua obsessão, esse seu fanatismo, Mitra não teria ido para aquele convento. VOCÊ MATOU A NOSSA FILHA!

Catarina: EU NÃO MATEI NINGUÉM, PARA COM ISSO, PARA, PARA.

Catarina pega o travesseiro e coloca nos ouvidos.

Humberto: Assassina! Eu quero distância de você.

Catarina: Você não fez nada para impedir.

Humberto: Não tente jogar a culpa para cima de mim, você é a responsável por isso. Hoje eu não durmo em casa.

Catarina se levanta desesperadamente.

Catarina: Você não pode fazer isso comigo, Humberto. Eu também estou sofrendo, ela também era a minha filha. Não aja como se tivesse total razão e de um jeito que eu tivesse como impedir tudo o que aconteceu. EU NÃO TIVE CULPA!

Humberto: Conviva com o seu remorso, não vou ficar aqui escutando essa ladainha.

Catarina: Pare de anular meu sofrimento.

Humberto: Me solte, Catarina. Fique longe de mim de agora em diante, você acabou com a minha vida.

Humberto larga Catarina no chão e sai andando pelos destroços do vidro, Ceiça se aproxima.

Ceiça: Eu sinto muito, dona Catarina.

Catarina: SAIA DAQUI. SAI!

Ceiça corre e Catarina fica jogada no chão frio chorando.
Humberto pega a charrete e parte para a cidade.

(Casa das dançarinas):

Giovanna está andando nas ruas da cidade, toda suja e com as roupas rasgadas quando se depara com a Casa das Dançarinas. Um local onde moças expressam a arte dançando e que outras cobram por uma noite de prazer. Giovanna entra observando todos aqueles homens dançando com um par no meio do salão, até que a maioria das luzes se apagam e todas as atenções voltam para o palco, algumas moças saem de trás da cortina e começam a dançar, se apresentando.
A dona do local se aproxima.

Dandara: Querida, o que aconteceu com você? Não era pra estar aqui, você está usando o hábito em um local como esse.

Giovanna: Eu não sou noviça, não tenho para onde ir, queria um emprego aqui.

Giovanna tira o hábito que fica na cabeça e joga no chão.

Giovanna: A senhora teria uma vaga para mim?

Dandara sorri.

Um close no rosto de Giovanna.

Dandara: Bom, já que você veio aqui por live e espontânea vontade pedir, claro que aceitamos. Vamos até o meu escritório conversar mais detalhadamente sobre o assunto.

Giovanna: Ótimo.

(Mansão de Tânia):

Tânia: Que tragédia tudo isso. Então você foi a única sobrevivente daquele incêndio?

Mitra: Sim, fui a única que conseguiu escapar daquele horror. 

Tânia: Bom, não deveríamos ir até a delegacia, é importante o seu depoimento para o delegado.

Mitra: Não. Pelo amor de Deus. Eu quero paz na minha vida, só quero seguir em frente. Não quero mais retornar a algo que me fez tão mal, que só me prejudicou. Por favor, dona Tânia, não quero ir a delegacia.

Tânia: Bom, já que é horrível para você, eu entendo que não queira ir. Já que é assim, então não vamos.

Mitra: Eu queria pedir mais uma coisa.

Tânia: O que foi? Pode pedir, se eu puder fazer.

Mitra: Gostaria de trabalhar aqui como empregada, posso fazer o que a senhora quiser. Eu não tenho para onde ir e esse emprego me ajudaria muito em um momento tão... difícil.

Tânia: Sabe o que é? Não estamos com falta de empregados aqui em casa...

Mitra: Por favor, dona Tânia. Me ajude.

Tânia: Está bem, vamos conversar melhor sobre isso. Mas eu também quero a sua ajuda.

Felícia: Bom, já que está tudo acertado, agora tenho que ir.

Tânia: Felícia dá aulas a noite, tenho uma filha maravilhosa.

Felícia: E já estou atrasada, boa noite e seja bem vinda, Mitra.

Felícia chega correndo na Casa das Dançarinas.

Silvia: Onde estava? A primeira apresentação já aconteceu, a dona Dandara não vai gostar de saber disso.

Felícia: Deixa que depois eu me entendo com dona Dandara. Agora eu vou me arrumar para a segunda apresentação, beijinhos.

Giovanna passa um rouge e se olha no espelho.

Dandara: Olha como dá uma cor a pele, você não parece mais uma mosca morta. Está linda, Giovanna.

Giovanna sorri se encarando no espelho e um close nela.

ENCERRAMENTO 

Postagem em destaque

Teia de Sedução - Capítulo 32 (Última Semana)