21/02/2025

Os Fantoches - Capítulo 15 (21/02/2025)

 


CENA 1. APARTAMENTO DE ANÍBAL. INT. SALA. NOITE. 2000


A iluminação é baixa, as sombras projetadas pelas arandelas criam um clima soturno. O apartamento de Aníbal exala sofisticação minimalista: linhas retas, tons escuros, móveis caros, mas discretos. O silêncio é denso, interrompido apenas pelo som do uísque sendo servido em copos de cristal.

James, impecavelmente vestido, observa Aníbal com um olhar calculista. Aníbal, por sua vez, ostenta a postura de quem controla o ambiente, mas há um brilho de rancor contido em seus olhos.

ANÍBAL - (SERENO, MAS FERINO) Dói mais quando se perde um irmão do que um amigo, James. Henrique era um pilar. Um daqueles que você não imagina ver ruir.

James recebe o copo de uísque sem gelo, um breve sorriso satisfeito.

JAMESAssim como era um noivo promissor. Imagine o que essa união significaria para a consolidação dos meus interesses. A Campos de Sodré e o meu grupo (PAUSA) Uma fusão tão elegante quanto inevitável.

Aníbal recosta-se no sofá, girando seu copo com gelo, o tilintar preenchendo o vazio do salão.

ANÍBAL — Parece que o destino não compartilha do seu apreço por elegâncias.

James o encara, avaliando cada sílaba, cada expressão.

JAMES - (MAIS DIRETO) Eu vim aqui porque sei que você também perdeu. E porque agora você é o homem que Amelinha ouve. A dor tem dessas ironias, não?

Aníbal esboça um sorriso enviesado.

ANÍBAL — Ironias são o que movem esse jogo, James. Mas vamos lá (T) Corte o luto. Qual é o real propósito da visita?

James se inclina, pousando o copo com firmeza sobre a mesa de vidro.

JAMES — Uma aliança. Você herdou a confiança da Amelinha e, em breve, herdará mais do que isso. Eu proponho um acordo. Operações discretas, lucrativas (T) Uma via de mão dupla.

O silêncio se prolonga. Aníbal ergue o copo, saboreia o uísque com um olhar perscrutador.

ANÍBAL - (BAIXO, AFIADO)  E por que eu dividiria o lucro se posso ter o prêmio inteiro?

James estreita os olhos, o sorriso desaparecendo por um instante.

JAMES — Porque eu conheço seus pontos fracos, Aníbal. Assim como você conhece os meus. E juntos somos imparáveis.

Aníbal solta uma breve risada, quase cínica, antes de erguer o copo.

ANÍBAL — Brindemos então (T) Às fraquezas que nos tornam tão fortes.

Os copos se tocam. A tensão no ar, densa como o silêncio que volta a se instalar.


A IMAGEM FUNDE-SE COM:

 

CENA 2. CEMITÉRIO SÃO JOÃO BATISTA. FACHADA. EXT. DIA


A manhã está cinzenta, o vento suave movimenta as copas das árvores centenárias, conferindo um clima ainda mais lúgubre ao cenário. A fachada imponente do cemitério contrasta com a brutalidade do que acaba de ocorrer. A área está completamente isolada por fitas amarelas, o som de rádio comunicadores e murmúrios discretos dos agentes ecoa no silêncio respeitoso.

Dois legistas estão agachados junto aos corpos de Alma e do POLICIAL. O corpo de Alma está parcialmente coberto, mas a expressão rígida e os olhos semicerrados ainda são visíveis, refletindo o choque do momento final. O policial ao seu lado, com o uniforme manchado de sangue, recebe os mesmos cuidados técnicos enquanto a perícia fotografa cada detalhe.

O Delegado Pedro, elegante, usando um terno cinza bem cortado e gravata de tom sóbrio, chega ao local de forma decidida. Seu olhar é gélido, calculista. Ele se aproxima de um dos policiais, que imediatamente o saúda.

PEDRO — (BAIXO, MAS INCISIVO) Atualize-me. Quero os fatos, não as suposições.

POLICIAL — (FORMAL) Chegaram ao local em viatura oficial. Foram alvejados ao descerem do veículo. Dois disparos em cada. Execução precisa. Sem testemunhas diretas.

Pedro estreita os olhos, analisando a cena com um misto de irritação e curiosidade.

PEDRO — E o que Alma estava fazendo aqui? Não era a jurisdição dela.

O policial hesita por um segundo antes de responder.

POLICIAL — Parece que tinha algo relacionado ao caso da Marina Campos de Sodré, senhor. Ela mencionou o nome antes de sair da delegacia.

Pedro cruza os braços, ponderando.

PEDRO — (SARCÁSTICO) Então a nossa querida investigadora resolveu brincar de heroína fora do horário e pagou o preço.

Ele se aproxima do corpo de Alma, observa com frieza, abaixando-se ligeiramente para encarar o legista.

PEDRO — Alguma estimativa exata da hora da morte?

LEGISTA — Entre trinta e quarenta minutos. Tiros à queima-roupa. Assassino experiente, não deu chance de defesa.

Pedro se levanta e observa o veículo de Alma, a lateral perfurada pelos disparos, e o capô ainda ligado. Ele exala irritação contida, os lábios crispados em um quase sorriso.

PEDRO — (PARA SI MESMO, CÍNICO) Marina, Marina (T) Parece que você ainda dá trabalho mesmo morta.

O policial se aproxima novamente.

POLICIAL — Senhor, devo chamar reforço para proteção extra no Copacabana Palace? Eles já retornaram para lá.

PEDRO — (FIRME) Não. Quero mais discrição. Menos uniformes, mais olhos atentos.

Ele dá as costas para a cena, ajusta o nó da gravata e, antes de se afastar, lança um último olhar para o corpo de Alma.

PEDRO — E descubram quem mais está envolvido.

A câmera fecha no rosto inexpressivo de Alma, enquanto o som de sirenes ao fundo se intensifica.


CORTA PARA:

 

CENA 3. HOTEL COPACABANA PALACE. ESCRITÓRIO DE MARY LÉON. INT. DIA


O ambiente é sofisticado, a luz natural filtra-se através das amplas janelas de cortinas de linho, refletindo nos móveis de madeira nobre e nos objetos de arte dispostos com precisão. Amelinha, impecável em um vestido de seda preto, está sentada em uma poltrona de veludo esmeralda, pernas cruzadas, segurando uma taça de vinho branco. No braço do sofá, um frasco de pastilhas.

Mary León, em um tailleur preto cortado à perfeição, está em pé, apoiada na mesa, observando Amelinha com um meio sorriso irônico.

MARY LÉON — (SARCÁSTICA) Então, é isso? Vinho branco antes do meio-dia e comprimidos? Está mais nervosa do que aparenta, Amelinha.

Amelinha ergue o olhar, gelado como o cristal de sua taça.

AMELINHA — (FERINA) Nervosa? Que conceito primário. É apenas um ritual (T) Vinho e calmantes têm seus méritos (T) Diferente de opiniões não solicitadas.

Ela toma mais um gole do vinho, elegante, mas carregada de desprezo calculado.

AMELINHA — (CONTINUA, IMPLACÁVEL) Terminarei essa reunião na mansão dos Campos de Sodré, em Paraty. É lá que esse capítulo precisa se encerrar.

Mary León franze o cenho, surpreendida.

MARY LÉON — (ATÔNITA, MORDAZ) Paraty? A mesma onde Henrique morreu? Não parece o ambiente mais acolhedor para discussões delicadas.

Amelinha se inclina levemente para frente, afiada.

AMELINHA — (GELADA, CORTANTE) Não há lugar melhor para enterrar esse mistério do que onde ele começou. Quem sabe você também não encontra algumas respostas, Mary?

Mary León estreita os olhos, mas mantém o tom elegante.

MARY LÉON — (SECA) E eu suponho que você precise de mim lá.

Amelinha sorri, afiada como uma lâmina.

AMELINHA — (VENENOSA) Preciso dos seus serviços, sim. Mas não se preocupe, querida. Alguém tão capaz quanto você certamente saberá como manter esse hotel em ordem enquanto eu resolvo assuntos de família.

Mary León estreita os lábios, mantendo a postura, mas a tensão entre as duas é palpável.

MARY LÉON — (CONTIDA) Claro. Estarei em Paraty. Mas, Amelinha (PAUSA, PENETRANTE) Não confunda controle com poder. Nem tudo nesse jogo está ao seu alcance.

Amelinha esvazia a taça de um só gole, firme.

AMELINHA — (SORRISO GLACIAL) Não? Então eu mesma provarei o contrário.


CLOSES ALTERNADOS


CORTA PARA:

 

CENA 4. HOTEL COPACABANA PALACE. RESTAURANTE PÉRGULA. INT. DIA

 

O restaurante Pérgula, com sua sofisticação tropical, é o cenário de uma conversa carregada de tensão. Olga, impecável em um vestido de linho branco, segura uma taça de espumante, enquanto Clarisse, em um tailleur creme, observa com um olhar incisivo. O ambiente, iluminado pela luz natural, contrasta com a gravidade do diálogo.

OLGA — (MORDAZ, COM UM MEIO SORRISO) Não há dúvidas, Clarisse. James está envolvido até o pescoço (T) Sempre foi como o pai incapaz de resistir ao poder quando se vê diante de um espelho.

CLARISSE — (FIRME, CONTROLADA) Olga, nós não podemos nos precipitar (T) Acusações sem provas são apenas palavras ao vento (T) Precisamos de evidências, fatos concretos Uu será apenas um escândalo vazio.

Olga toma um gole lento do espumante, inclinando-se levemente para frente, os olhos semicerrados.

OLGA — Evidências? Clarisse, minha cara, os olhos não mentem. Eu o vejo pelo que é um homem consumido por ambições pequenas, capaz de tudo para preservar uma ilusão de grandeza.

CLARISSE — (CAUTELOSA) Eu entendo o que sente (T) Mas a justiça não se faz com sentimentos (T) Se ele estiver envolvido, será desmascarado (T) Não podemos agir pelo calor da emoção.

Olga, agora mais fria, repousa a taça sobre a mesa, o olhar penetrante.

OLGA — (PAUSADA, AFIADA) Eu não temo as cortes, Clarisse. A minha preocupação não é levá-lo à justiça dos homens. Quero apenas que ele enfrente (PAUSA CALCULADA) O tribunal mais implacável de todos: aquele que ressoa na alma quando o silêncio pesa e não há mais máscaras para esconder as verdades.

O silêncio paira denso por um instante. Clarisse encara Olga, tocada pela profundidade das palavras. A cena se encerra com a tensão ainda suspensa no ar.


CLOSE EM OLGA


CORTA PARA:

 

CENA 5. HOTEL COPACABANA PALACE. SUÍTE DE AMELINHA. INT. DIA


A iluminação suave reflete nos espelhos bisotados e no mobiliário clássico. Amelinha, impecavelmente vestida em um robe de seda champagne, está diante de seu espelho de camarim, retocando o batom vermelho com precisão cirúrgica. Um batido seco à porta interrompe o ritual. Ela fecha o batom com um clique e vai abrir.

Na soleira, o Delegado Pedro, de terno bem cortado, expressão firme. Amelinha o avalia de cima a baixo com um meio sorriso de desdém.

AMELINHA — (SECA) Pois não?

PEDRO — Delegado Pedro. Gostaria de falar com a Senhora Campos de Sodré (PAUSA TENSA) Ou devo chamá-la de Amelinha?

AMELINHA — (ARQUEANDO UMA SOBRANCELHA) Apenas Amelinha, por favor (T) Entre.

Ele entra. O ambiente é de luxo contido, polido demais. Pedro permanece em pé enquanto Amelinha retorna à penteadeira, observando-o pelo espelho. Ele não perde tempo.

PEDRO — Acredito que a Dra. Alma estava prestes a efetuar uma prisão antes de ser brutalmente assassinada, mas alguém a silenciou.

Amelinha se vira devagar, fingindo surpresa.

AMELINHA — (FERINA) Como sempre, a "eficiência" da nossa gloriosa justiça (RI) Morta antes mesmo de agir (T) Um feito impressionante, delegado.

PEDRO — (SECO, MANTENDO O TOM) Impressionante é a quantidade de cadáveres em torno de sua família, Sra. Campos de Sodré. Não subestime meu trabalho.

Amelinha sorri, venenosa, pegando seu cálice de vinho branco. Dá um gole antes de responder.

AMELINHA — Ah, claro (T) E vai resolver tudo com a mesma destreza com que mantiveram Tomé circulando em nosso meio durante anos,aplicando golpes sob o pseudônimo de Adamo Rangel, suponho?

Pedro estreita os olhos, se aproxima lentamente.

PEDRO — A morte de Tomé foi encerrada por Alma. Mas eu estou assumindo agora. Marina, Alma, Alice (T) Vou chegar ao fundo disso. E não me importo com sobrenomes poderosos.

Amelinha se levanta, encarando-o, agora mais próxima.

AMELINHA — (GÉLIDA) Encerrar? Delegado, não me entenda mal, mas a única coisa que precisa de um fim é essa sucessão de incompetências. (PAUSA VENENOSA) Eu mesma resolvi levar a reunião para a mansão em Paraty. Onde tudo começou e onde tudo se esclarecerá.

Pedro sorri de lado, irônico.

PEDRO — Uma ideia curiosa (T) Ou um espetáculo cuidadosamente encenado?

AMELINHA — (SORRINDO, PROVOCATIVA) Oh, delegado (T) O senhor sabe tão bem quanto eu. No teatro da vida, o que importa não é a verdade. É a plateia.

Pedro se aproxima da porta, mantendo o olhar firme.

PEDRO — Estarei a um telefonema de distância. E, acredite, Amelinha (T) Eu não costumo perder o final dos espetáculos.

Amelinha o conduz até a porta, mantendo o sorriso controlado. Ao fechar, porém, o olhar endurece. Ela retorna ao espelho e finaliza o batom com um toque decidido.


CLOSE EM AMELINHA

CORTA PARA:

 

CENA 6. RIO DE JANEIRO. ANOITECER. EXT 


SONOPLASTIA - SÁBADO EN COPACANA SARA MONTIEL

 

O céu alaranjado se dissolve lentamente em tons púrpura enquanto as luzes da cidade começam a piscar. O reflexo dourado do sol poente dança sobre as águas da Baía de Guanabara. Silhuetas de banhistas deixam a praia, enquanto carros deslizam pelas avenidas iluminadas. O Pão de Açúcar se destaca imponente ao fundo. A câmera então se aproxima, revelando o icônico Hotel Copacabana Palace, majestoso sob o crepúsculo.


CORTA PARA:


 CENA 7. HOTEL COPACABANA PALACE. RESTAURANTE PÉRGULA. INT. NOITE.

 

A iluminação suave reflete nos cristais delicadamente posicionados. A atmosfera é densa, tensa, porém impecável em elegância. À cabeceira da grande mesa, Amelinha ergue a taça de vinho branco, o tilintar discreto interrompendo o murmúrio contido do jantar.

AMELINHA — (FERINA, MAS CONTROLADA) Amanhã cedo, todos partiremos para a Mansão dos Campos de Sodré, em Paraty. Parece-me o cenário ideal para esclarecermos todas as pendências.

Olga, sempre altiva, repousa o talher com delicadeza calculada, fitando Amelinha.

OLGA — (FERINA) O mesmo lugar onde o sangue dos Campos de Sodré já foi derramado (T) Uma escolha teatral, Amelinha (T) Quase poética.

James esboça um sorriso enviesado, concordando com a mãe.

JAMES A questão é se lá também será o palco do desfecho...

Olga, sem perder a pose, crava:

OLGA O lugar perfeito para que justiça seja feita.

O clima pesa ainda mais. Sol, inclinada na cadeira, solta em tom deliciosamente irreverente:

SOL Ai, eu adorei a ideia. Sempre tive um fraco por aquela piscina (T) Quem sabe até aproveito um último banho de sol.

Amelinha a fuzila com um meio sorriso gélido.

AMELINHA Aproveite mesmo, querida (T) Porque depois, a única água que verá será do chafariz do calçadão.

Joaquim, desconfortável, interrompe.

JOAQUIM — (CORTANTE) Vocês podem, por favor, deixar de lado essa guerra fria por uma noite?

Amelinha não se intimida, apenas ajusta o guardanapo no colo.

AMELINHA — (FRIA) Guerra? Eu não luto, Joaquim. Eu venco.

Aníbal, sempre sombrio, intervém num tom grave:

ANÍBAL Revisitar a mansão trará dores que talvez não estejamos prontos para suportar.

Olga, sem hesitar, rebate com um olhar cortante:

OLGA Doloroso, Aníbal é enterrar minha neta sem sequer saber se ela está mesmo morta

Clarisse, desconfortável, tenta recuar:

CLARISSE Eu sou apenas uma hóspede, um acidente nessa trama. Não vejo necessidade alguma de me juntar a essa viagem.

Amelinha sorri de canto, ferina.

AMELINHA Oh, Clarisse (T) Eu faço questão da sua presença. Quem sabe assim, os mistérios se tornem ainda mais interessantes.

A tensão atinge o ápice. Amelinha ergue novamente a taça, com um sorriso frio e impecável.

AMELINHA — (SOLENE, MAS VENENOSA) Um brinde à verdade, aos acertos e ao fim dos jogos.

As taças se erguem, o silêncio ecoa. Os olhares trocados dizem muito mais que qualquer palavra


CLOSES ALTERNADOS


CORTA PARA:


CENA 8. RIO DE JANEIRO. AMANHECER. EXT 

 

SONOPLASTIA - QUERIDA - TOM JOBIM

 

O sol desponta suavemente por trás do Pão de Açúcar, tingindo o céu de tons dourados enquanto a melodia suave de Tom Jobim embala o despertar da cidade. As ondas beijam preguiçosamente a areia de Copacabana, e os primeiros raios refletem nos vidros do Hotel Copacabana Palace, imponente e eterno. Barcos de pesca cortam a Baía de Guanabara, enquanto a silhueta do Cristo Redentor se destaca, serena, sobre o amanhecer carioca.


CORTA PARA:

 

CENA 9. HOTEL COPACABANA PALACE. FACHADA. EXT. DIA


SONOPLASTIA – POR UMA CABEZA – CARLOS GARDEL


A câmera abre com a imponente fachada do Hotel Copacabana Palace, reluzente sob o sol quente do Rio de Janeiro. A rua movimentada está tomada por vários carros luxuosos e blindados, de vidros escuros e com placas de diferentes estados, estacionados na frente do hotel. Cada veículo parece ser uma extensão do status e poder das pessoas que neles estão.

 

CORTE PARA A MOVIMENTAÇÃO DOS PASSAGEIROS.

 

Amelinha, com sua postura elegante e olhar decidido, é a primeira a se aproximar de um dos carros. Ela caminha com confiança, vestindo um vestido sofisticado, seus cabelos perfeitamente arrumados, e entra no carro sozinha. A porta do veículo se fecha suavemente, destacando a solidão de sua figura, contrastando com o burburinho ao redor.

Em seguida, um outro carro, de luxo igualmente imponente, se aproxima. Olga, com um semblante de quem está sempre em controle, está ao lado de Clarisse, que parece um pouco mais agitada, talvez em busca de algo que ela não consegue encontrar. James conversando baixinho com Olga, com um ar de mistério e sigilo. Os três entram, e o motorista fecha a porta com uma precisão militar. O carro parte suavemente, indo em direção ao destino.

Outro carro, também escuro e blindado, está estacionado um pouco mais adiante. Dentro dele, Aníbal e Sol se acomodam. Sol, sempre atenta ao que acontece ao seu redor, ajusta o espelho retrovisor e sorrir com um ar cínico para Aníbal, que observa tudo em silêncio, ainda com uma aura de resistência que ele não consegue esconder. A porta se fecha com um baque sutil, e o carro começa a se mover.

O último carro, mais espaçoso e com menos formalidade, traz Joana e Joaquim, acompanhados de Mary Léon. Joaquim parece inquieto, olhando para os lados, ainda lidando com a tensão do momento, enquanto Joana, com a graça de sempre, tenta manter as aparências e desviar sua atenção do que está por vir. Mary Léon sorri para os dois, tentando quebrar o clima tenso. Eles entram e a porta se fecha, o carro começa a seguir os outros, se afastando da fachada do Copacabana Palace.

A comitiva agora começa a se deslocar, criando um contraste entre a ostentação dos veículos e a tensão visível nos rostos de seus ocupantes. A câmera observa o movimento, focando em cada detalhe.

À medida que os carros se afastam, uma sensação de inquietude e expectativa toma conta da cena, deixando claro que algo grande está prestes a acontecer. A comitiva segue pela rua movimentada, enquanto as sombras da cidade se estendem por trás da movimentação, refletindo a trama de mistérios que se desenrolará.


CORTA PARA:

 

CENA 10. CLIP. PARATY. EXT. DIA

 

Com a sonoplastia da cena precedente, começamos com os sons suaves de ondas batendo nas pedras e o ambiente vibrante de Paraty. Ruelas de pedras estreitas e casas coloniais coloridas formam o cenário, com turistas caminhando por suas vielas. O rio Paraty reflete o céu claro, enquanto barcos deslizem tranquilamente. A movimentação das pessoas mistura-se com o som dos pássaros e o vento. Aos poucos, a câmera se aproxima da Mansão dos Campos de Sodré, destacando sua fachada imponente e cheia de detalhes. A mansão se ergue majestosamente, envolta em mistério e elegância.

CORTA PARA: 

 

CENA 11. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. SALA. INT. DIA


SONOPLASTIA - SEVEN DEVILS - FLORENCE AND THE MACHINE


Os convidados começam a chegar, todos encantados com a grandiosidade da sala de mármore da mansão, que exibe sua imponente escada de mármore no centro, banhada pela luz suave que entra pelas janelas. James, Olga, e Clarissecaminham em silêncio, observando os detalhes da sala, enquanto o resto dos convidados se deixa fascinar pela beleza do lugar.

De repente, uma mulher aparece no topo da escada, segurando uma taça de champanhe com uma postura altiva, causando um silêncio abrupto. A câmera passa pelos rostos dos presentes: Olga observa com os olhos cheios de lágrimas, Clarisse tenta esconder sua surpresa, e James, em seu usual silêncio, apenas observa a mulher. A câmera então foca nos olhares de Amelinha, que mantém uma expressão dura e imperturbável, e de Aníbal, que observa com um sorriso discreto, mas curioso. Sol, ao seu lado, parece se divertir com o jogo de poder que está prestes a se desenrolar. Joana, Joaquim, e Mary Léon observam a cena, atentos, sem dizer uma palavra.

A mulher começa a descer lentamente a escada, seus passos ecoando no ambiente silencioso, e cada rosto reflete uma reação diferente. Quando ela finalmente chega ao pé da escada, vira-se para o grupo, e com um sorriso mordaz e uma provocação no olhar, ela solta, em tom de quem sabe o impacto que suas palavras causarão:

ALICE - (OLHA DIRETAMENTE PARA AMELINHA E OS OUTROS, COM UM SORRISO SÁDICO) Ora, ora, quem diria (T) Sentiram minha falta, ou estavam apenas esperando que eu chegasse para dar um pouco de vida a essa festa?

 

CORTA PARA:

 

FIM

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