29/01/2025

Martinho de Porres - Capítulo 03 (Terceiro Capítulo)

 

Martinho de Porres
Escrita por Lucas Gustavo
Faixa das 18h

**Cena 01 - Igreja - Quartinho - Tarde**

*Em um quartinho abafado e pouco iluminado dentro da igreja, o ar está pesado. Ao redor de uma cama onde Frei Barragán 'Márcio Ribeiro' jaz adoentado e dormindo, há um grupo de freis e um padre com expressões graves. A saúde de Frei Barragán, um dos mais queridos membros da igreja, parece estar no limite, e a situação deixa todos apreensivos.*

**Frei 1:** Acho que chegou a hora, Padre. Precisamos preparar o último sacramento… para que ele parta em paz.

*De repente, a porta se abre lentamente, e Martinho entra no quartinho. Ele tem um olhar determinado e sério, trazendo consigo uma calma inesperada.*

**Martinho:** Frei Barragán não vai morrer. Eu tenho certeza disso.

*Os freis olham para ele surpresos e céticos. Um dos freis, desconfiado, o encara de cima a baixo, analisando-o com desdém.*

**Frei 2:** Quem é ele, Padre? Por que ele se atreve a falar sobre algo tão sério?

**Padre:** Este é Martinho de Porres. Ele frequenta nossa igreja, sempre prestativo e devoto. Um bom homem, sempre aqui para ajudar.

**Martinho:** Frei Barragán não vai morrer. Eu tenho fé que ele vai se recuperar.

*O Frei desconfiado revira os olhos, claramente irritado com a confiança de Martinho.*

**Frei 2:** Martinho, você está sendo imprudente. Há coisas que não cabe a nós decidir. Esse é o caminho de Frei Barragán, e o sacramento precisa ser feito.

*Martinho abre a boca para falar mais uma vez, mas antes que consiga, o frei o interrompe com um gesto brusco e o expulsa do quartinho.*

**Frei 2:** Já chega. Saia daqui, Martinho. Não há mais nada a fazer.

*Martinho fica parado por um momento, decepcionado, mas vê o padre fazendo um leve sinal com a cabeça, indicando que ele deveria sair. Martinho, resignado e triste, baixa a cabeça e sai do quartinho em silêncio. Ele caminha lentamente pelo corredor da igreja, suas esperanças abaladas, mas sua fé ainda forte. Ao longe, o som suave das orações murmuradas pelos freis preenche o ar.*

Corte para a próxima cena.

**Cena 02 - Casa de Martinho - Quarto de Martinho - Fim de Tarde**

*Martinho reza incessantemente a Frei Barragán. Ele ora pela melhora do frei e pede a Deus para que se recupere rápido.*

**Cena 03 - Igreja - Quartinho - Manhã**

*No quartinho da igreja, Frei Barragán está deitado, com o rosto ainda pálido, mas agora com os olhos abertos. Ao lado da cama, o padre e dois freis o observam em silêncio, com expressões de preocupação. A câmara foca no rosto de Frei Barragán enquanto ele, com uma voz baixa e cansada, faz uma pergunta inesperada.*

**Frei Barragán:** O jovem Martinho... ele esteve aqui, não esteve?

*O padre e os freis se entreolham, surpresos com a pergunta. O padre levanta uma sobrancelha, claramente intrigado, e responde calmamente.*

**Padre:** Frei Barragán, como soube que ele esteve aqui?

*De repente, um dos freis que estava ao lado de Frei Barragán toca sua testa para verificar a temperatura. Ele se exalta, puxando a mão para trás com uma expressão de assombro.*

**Frei 1:** Padre! Ele… ele não está mais com febre!

*O padre, surpreso, aproxima-se da cama, examinando Frei Barragán com atenção. Frei Barragán, percebendo o clima de espanto ao seu redor, lentamente começa a se erguer da cama, com uma expressão bem-humorada.*

**Frei Barragán:** Pois é, parece que Deus ainda tem planos para este velho frei. Agora, será que alguém pode me arrumar algo para comer? Estou faminto!

*Os três religiosos ao seu redor soltam uma risada leve e aliviada, o clima na sala se torna alegre, quase cômico, com todos rindo da súbita recuperação de Frei Barragán. A cena se encerra com o padre e os freis ainda rindo, enquanto o frei já se prepara para sair da cama, cheio de energia.*

Corte para a próxima cena.

**Cena 04 - Igreja - Biblioteca - Tarde**

*A cena começa com um close em uma escultura de um santo em uma prateleira de biblioteca. A câmera se afasta gradualmente, revelando um homem de vestes religiosas, recitando uma frase em latim com fervor. Ele termina de recitar e olha com solenidade para Martinho e Ana, que estão em frente a ele, claramente ansiosos.*

**Homem Religioso:** Essa frase foi dita pelo fundador da nossa ordem, jovem Martinho. Sabedoria que guiou gerações.

*Martinho, determinado, dá um passo à frente e respira fundo antes de fazer seu pedido.*

**Martinho:** Senhor, gostaria de me juntar à sua ordem. Sinto em meu coração que esse é o caminho que devo seguir.

*O homem observa Martinho com uma expressão séria e, após um momento de reflexão, balança a cabeça em negativa. Ana, confusa e desapontada, lança-lhe um olhar questionador.*

**Ana:** Não entendo, senhor... Por que não pode aceitar meu filho?

**Martinho:** Isso é por causa da minha cor?

*O homem suspira, mantendo sua postura rígida, e responde com um tom que mistura autoridade e formalidade.*

**Homem Religioso:** Existem regras, jovem Martinho. Regras que foram estabelecidas para manter a ordem e a tradição. Você não pode entrar como irmão, nem mesmo como membro da ordem. Apenas como alguém que se entrega de corpo e alma a Deus.

**Martinho esboça um sorriso astuto e olha para sua mãe com um brilho de determinação nos olhos.**

**Martinho:** Então, se eu me entregar a Deus, por que minha mãe também não pode se entregar e apoiar meu desejo?

*Ana, tocada pelas palavras de Martinho e pela determinação de seu filho, olha para ele e faz um sinal de aceitação.*

**Ana:** Se isso é o que você deseja, meu filho, eu estarei ao seu lado.

*O homem observa os dois com um olhar de surpresa, mas logo sua expressão se torna inflexível novamente.*

**Homem Religioso:** Ainda assim, seu voto e seu desejo de doação precisam ser avaliados pela comunidade. Só assim poderá ser considerado um “doador” para a ordem.

*Martinho e Ana trocam um olhar de cumplicidade. Embora desapontados pela resposta, ambos mantêm um semblante esperançoso e firme, não deixando que a resistência os desanime.*

Corte para a próxima cena.

**Cena 05 - Igreja - Altar - Tarde**

*A câmera mostra Martinho realizando uma oração na igreja.*

**Cena 06 - Igreja - Corredor - Tarde**

*Martinho joga um balde de água no chão e varre o local. Um frei passa pelo local todo desajeitado e pede desculpas a Martinho.*

**Cena 07 - Igreja - Cozinha - Tarde**

*Martinho está na cozinha preparando uma receita enquanto um cachorro está choramingando no chão e um gato miando em cima da mesa implorando por comida. Martinho olha sorrindo para os dois e rindo*

**Cena 08 - Igreja - Lado de Fora - Fim de Manhã**

*Martinho sai da igreja com uma bandeja com a comida que ele preparou no dia anterior e os sem tetos vão até ele degustar da comida que ele ofereceu a eles.*

**Cena 09 - Igreja - Curso de Barbearia - Início de Tarde**

*No Curso de Barbearia da igreja, Martinho está concentrado, cortando o pouco cabelo que resta na cabeça de um frei calvo. Ele se move com delicadeza, aparando cada fio com precisão. De repente, um outro frei entra na sala e, ao ver Martinho, sorri e faz um elogio.*

**Frei 1:** Martinho, você tem mãos de ouro! Esse corte está impecável.

**Martinho:** Agradeço, Frei. Aprendi observando os padres, cada um com seu estilo.

*Antes que ele possa terminar o corte, Frei Barragán entra na sala com uma expressão de desaprovação, carregando outro frei calvo ao lado, cujo cabelo foi aparado de forma cômica, quase liso e redondo, parecendo uma cabeça de ovo.*

**Frei Barragán:** (Martinho, olhe só o que esse aprendiz fez! Deixou o pobre Frei Alonso parecendo... um ovo!

*Martinho olha para o frei calvo e não consegue segurar o riso. Ele se aproxima do aprendiz, colocando uma mão no ombro dele de maneira humorada.*

**Martinho:** Talvez o aprendiz estivesse com fome, Frei Barragán. Isso explicaria o corte... meio "ovalado".

(Frei Barragán e Martinho caem na risada, enquanto o aprendiz, meio envergonhado, acaba rindo junto. A sala se enche de risos leves e brincadeiras, transformando o erro em um momento de descontração e alegria.)

(Corte para a próxima cena.)

**Cena 10 - Igreja - Quartinho - Tarde**

*Em um quartinho modesto da igreja, Martinho está ao lado de Juan Macias, um frei adoentado que repousa na cama, com o semblante cansado e frágil. Martinho organiza alguns remédios e lençóis ao redor do leito. De repente, um outro frei entra no quarto com um leve sorriso, trazendo boas notícias.*

**Frei:** Irmão Juan, o Padre Prior deu permissão para que você descanse aqui até se recuperar completamente.

**Juan Macias:** Que Deus o abençoe, irmão. Agradeço pelo apoio.

*O frei faz um sinal de respeito e sai discretamente. Martinho sorri para Juan e se aproxima da cama.*

**Martinho:** Agora você poderá repousar em paz, irmão Juan. Enquanto isso, nós e os outros freis iremos descansar em Limatambo.

*De repente, Juan Macias faz uma leve careta de dor, levando a mão ao ombro. Martinho nota e imediatamente se preocupa.*

**Martinho:** O que houve, irmão? Sente dor no ombro?

**Juan Macias:** Martinho, poderia… colocar sua mão aqui novamente? Parece que… o toque das suas mãos me alivia. Como se a dor se dissipasse.

**Martinho:** Irmão Juan, quem cura não sou eu. A cura vem de Deus.

*Mesmo assim, Martinho coloca a mão gentilmente sobre o ombro de Juan, transmitindo uma serenidade que deixa o frei em paz. Juan fecha os olhos, aliviado, e o ambiente fica em silêncio reverente. A cena se encerra com Martinho olhando para cima, em uma breve oração silenciosa, enquanto o frei adoentado repousa serenamente.*

(A câmera congela)

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