**Frei Celebrante:** Martinho, diante de Deus e desta comunidade, perguntamos: o que você pede?
**Martinho**: (com a cabeça baixa, em tom humilde) Misericórdia.
*O frei faz um sinal da cruz sobre Martinho e sorri com benevolência.*
**Frei Celebrante**: Levante-se, então, Martinho, e receba o que o Senhor preparou para você.
*Martinho se levanta lentamente. O frei pega uma veste preta e branca, representando pureza e dedicação, e cuidadosamente a coloca sobre Martinho. Frei Barragán, afastado no fundo da sala, observa a cena com lágrimas discretas nos olhos, tocado pelo momento.*
**Frei Celebrante**: A partir de hoje, Martinho, como deseja ser chamado?
**Martinho**: (olhando nos olhos do frei, em tom simples) Apenas Martinho.
*O frei sorri e, com solenidade, toca o ombro de Martinho.*
Frei Celebrante: Não. A partir de agora, todos nós o chamaremos de Martinho de Porres.
*Martinho ergue o olhar para o alto, com uma expressão de gratidão e devoção. Ele une as mãos em oração e fala em um tom de profundo respeito e entrega.*
**Martinho**: Senhor, receba este humilde servo em seus braços.
*Os freis presentes respondem em coro, dizendo "Amém". Frei Barragán limpa discretamente uma lágrima enquanto observa Martinho, agora oficialmente reconhecido por sua dedicação, dar início a uma nova etapa de sua vida. A cena termina com Martinho sorrindo serenamente e o som do canto gregoriano se intensificando.*
*Uma movimentada praça em Lima. O sol brilha sobre os paralelepípedos, e os comerciantes gritam oferecendo seus produtos. Uma senhora idosa, de pele enrugada e sorriso caloroso, está atrás de uma pequena banca cheia de frutas frescas. Ela observa algumas jovens passando com roupas curtas e franzindo o rosto em reprovação.*
**Senhora**: (balançando a cabeça enquanto arruma as frutas) Esses tempos modernos… Jovens andando por aí com roupas que mal cobrem o corpo. Onde já se viu!
*Enquanto ela resmunga, Martinho aparece ao fundo, caminhando com calma pela praça, usando suas novas vestes pretas e brancas do convento. Ele atrai olhares de curiosidade e respeito. Ao vê-lo se aproximar, a senhora abre um largo sorriso.*
**Senhora**: (animada) Ah, Martinho! Que alegria vê-lo!
**Martinho**: (sorrindo humildemente) Bom dia, Dona Rosa.
**Rosa**: (olhando para as novas vestes dele) Olhe só para você! Que traje bonito! Ouvi dizer que foi renomeado no convento. Parabéns, meu filho! Você merece.
**Martinho**: (curvando levemente a cabeça em agradecimento) Obrigado, Dona Rosa. Mas não é mérito meu, e sim de Deus. Ele guia meus passos.
**Rosa**: (tocando a mão de Martinho com carinho) Que palavras bonitas. Você é uma bênção para essa cidade, meu filho.
*Martinho sorri e pega uma maçã da banca de Rosa 'Socorro Bonilla'.*
**Martinho**: Posso levar esta maçã?
**Senhora**: (acenando com a mão) Leve, leve! É presente para o nosso novo Martinho de Porres.
**Martinho**: (brincando, com um sorriso leve) Então que Deus a retribua em dobro, Dona Rosa.
(O ambiente é simples, com cadeiras de madeira e espelhos grandes nas paredes. Don Cayetano está cuidadosamente barbeando um cliente, mas comete um leve erro, fazendo um pequeno corte na bochecha do homem.)
Cliente: (reclamando) Ai! Você me cortou, homem!
Don Cayetano: (tentando acalmá-lo) É só um arranhão, meu amigo! Nada que um pouco de vinagre e sal não resolvam. Já volto!
(Don Cayetano caminha apressado até uma pequena prateleira, procurando os ingredientes. Enquanto ele está distraído, Martinho entra na barbearia, vestindo seu novo traje. Don Cayetano se vira e, ao ver Martinho, seus olhos se enchem de emoção.)
Don Cayetano: (largando tudo que tem nas mãos) Martinho! Olha só para você, meu rapaz! Que figura mais distinta!
Martinho: (sorrindo humildemente) Don Cayetano, que alegria vê-lo.
Don Cayetano: (se aproximando para cumprimentá-lo) Você está ainda mais impressionante com esse traje, meu amigo. Me faz lembrar dos tempos em que você estava aqui comigo, sempre tão prestativo.
Cliente: (impaciente) E o meu corte, Cayetano? Vai me deixar aqui sangrando?
Don Cayetano: (gesticulando sem paciência) Já vou, já vou! Tenha calma, homem!
Martinho: (rindo baixinho) Parece que algumas coisas nunca mudam.
Don Cayetano: Pois é, meu amigo. Sinto falta dos tempos em que você estava por aqui. Sempre foi uma grande ajuda.
Martinho: (sereno) Agora espero ser útil para muito mais pessoas, Don Cayetano. Meu caminho está nas mãos de Deus.
Don Cayetano: (tocando o ombro de Martinho) E você está fazendo o certo, meu rapaz. Mas nunca esqueça que aqui sempre terá um lugar para você.
Cliente: (interrompendo novamente) Cayetano!
Don Cayetano: (virando-se para o cliente com um sorriso forçado) Já estou indo, homem!
(Martinho se prepara para sair. Don Cayetano se despede com um tom emocionado.)
Don Cayetano: Vá em paz, Frei Martinho.
Martinho: (parando por um momento e sorrindo) Soa bem melhor assim.
(Martinho sai da barbearia, e Don Cayetano o observa pela porta, orgulhoso. Ele então se vira para o cliente com um suspiro, pegando o vinagre e o sal.)
*O sol da tarde ilumina um belo jardim com flores de várias cores. Uma menina de vestido simples e sorriso encantador colhe rosas delicadamente, colocando-as em um cesto de vime. De repente, Martinho surge caminhando tranquilamente, com seus novos trajes. Ao vê-la, ele para e faz uma leve reverência.*
**Menina:** Mas o que é isso, senhor? Por que essa reverência?
**Martinho**: Porque senti que era necessário. O que vejo aqui são mãos que cuidam com carinho da criação divina.
**Menina:** Ora, o senhor é um homem curioso!
**Martinho:** Essas flores... são magníficas.
**Menina:** São rosas. As primeiras a brotarem em Lima nesta estação. Não são lindas?
**Martinho:** São, de fato, uma obra-prima da natureza.
**Menina:** Sabe... eu poderia lhe dar um rosário feito dessas flores. O que acha?
**Martinho:** Seria uma honra e uma alegria. E essas rosas não serão apenas um rosário, mas também plantarei algumas no jardim do convento.
**Menina:** Vai plantá-las?
**Martinho:** Sim. E prometo a você que aquele será o jardim mais lindo de toda Lima.
**Menina:** Tenho certeza de que será, Frei Martinho.
*Juana 'Gleici Damasceno', vestindo um vestido simples e colorido, está organizando uma mesa. Martinho entra pela porta com um sorriso radiante. Assim que a vê, ele a agarra e a gira no ar, rindo com carinho.*
**Martinho:** Olhe só para você, Juana! O tempo fez maravilhas, hein? Você está tão bonita e... tão natural!
**Juana:** Pare, Martinho, vai me deixar tonta!
**Agustín:** Concordo com você, Martinho. Mas vamos lembrar que essa beleza toda é minha esposa, hein?
**Juana:** E você nunca perde a chance de dizer isso, não é?
**Ana:** Martinho, o pai continua mandando cartas e dinheiro.
**Martinho:** E você tem usado o dinheiro?
**Ana:** Não me importa o dinheiro. Mas ele está na metrópole, e às vezes penso que essas cartas são o único vínculo que ele sente conosco.
**Martinho:** Ele tenta do jeito dele, Ana. Talvez um dia possamos entender melhor.
**Juana:** E você, Martinho? O que anda fazendo?
**Martinho:** Vou visitar um amigo em um acampamento.
**Martinho:** Quando o espírito viaja, minha irmã, nada é longe.
*Juana e Ana trocam olhares, admirando a sabedoria simples de Martinho. Agustín observa tudo em silêncio, mas com respeito. Martinho pega uma pequena sacola e se despede com um sorriso, deixando a casa cheia de amor e reflexão.*

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