CENA 1. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. JARDIM. EXT. NOITE
SONOPLASTIA - DESTINY'S CHILD – SURVIVOR
O som da música ecoa ao longe, abafado pela chuva que começa a cair com mais intensidade. As luzes da mansão refletem-se nas poças que se formam no chão. No centro da quadra de tênis, Henrique e Alice se encaram sob a chuva. As gotas escorrem pelo rosto dos dois, mesclando-se ao suor e à tensão do momento.
HENRIQUE — (IRRITADO, CRUEL) Eu cansei, Alice (T) Cansei de você, dos seus ciúmes doentios, dessa insegurança patética. Você se afunda cada vez mais e me arrasta junto!
Alice, visivelmente embriagada, ri de forma amarga, desequilibrada. O vestido de gala já molhado gruda em seu corpo, os cabelos colados ao rosto.
ALICE — (SARCASTICA, MORDAZ) Patética? CIÚMES? Ah, Henrique (RINDO) Eu estou cansada (T)Sim (T) Cansada de ser traída! De ser humilhada (T) Você acha que eu não percebo? Trocar-me por uma (SOMBRIA, REPLETA DE DESPREZO) paquita de quinta categoria? Sim, eu sei de tudo! Da Sol (T) Daquela vadia que só sabe rebolar!
Henrique estreita os olhos, a chuva escorrendo pelo rosto, a expressão se tornando ainda mais cruel.
HENRIQUE — (FERINO) Sol me dá prazer, Alice. Você só me dá desgosto. Aceitei noivar com uma campeã de tênis, não com essa (OBSERVA-A DE CIMA A BAIXO) essa bêbada desesperada que você se tornou. Olhe para si mesma. (PAUSA) Ridícula.
Alice vacila, o peito arfando de raiva e dor. As palavras de Henrique a atingem como facas. Ela olha ao redor, buscando algo — qualquer coisa — para revidar. Seus olhos se fixam na raquete de tênis abandonada no chão. A chuva agora é intensa, o barulho das gotas misturando-se ao som abafado da festa.
Num movimento rápido e brutal, ela agarra a raquete e, com um grito primal, desfere um golpe violento contra a cabeça de Henrique. O impacto é seco, o som abafado pelo trovão distante. Henrique cambaleia, a mão instintivamente tocando a testa agora aberta, o sangue se misturando à água da chuva.
Ele a encara, atordoado, os olhos arregalados de dor e incredulidade. O sangue escorre pelo rosto, tingindo a camisa branca.
HENRIQUE — (FERIDO, OFEGANTE) Você (TOSSE) Tem ideia do que acabou de fazer?
Ele fraqueja, os joelhos dobrando, escorregando nas poças formadas pela chuva. Alice o encara de cima, a respiração ofegante, o peito subindo e descendo em um misto de adrenalina e choque. A raquete em sua mão está manchada de sangue, e a chuva começa a lavar lentamente as marcas vermelhas.
ALICE — (FRIA, SOMBRIA) Finalmente, Henrique (T) Agora você sabe como é se sentir derrotado.
CLOSE NA EXPRESSÃO DE HENRIQUE, QUE VAI PERDENDO O FOCO.
A câmera se afasta lentamente, mostrando Alice ainda segurando a raquete enquanto a chuva castiga o cenário.
A IMAGEM FUNDE-SE COM:
CENA 2. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. SALA. INT. DIA
A sala luxuosa, iluminada por uma luz suave de fim de tarde, está em completo silêncio, exceto pelo tilintar discreto do gelo em um copo de uísque. Todos estão visivelmente tensos e chocados com o reaparecimento de Alice. Sentados nos sofás de veludo: Aníbal, Joana, Joaquim, Sol, Olga, James, Mary Léon e Amelinha. Alice, ligeiramente embriagada, está em pé, segurando uma taça de espumante, com um sorriso ferino no rosto, com uma expressão lembra inconveniente, sarcástica.
JAMES — (CONTROLANDO A IRRITAÇÃO, FIRME) Alice todos nós ficamos preocupados com o seu sumiço (T) Você sumir daquela forma foi irresponsável e alarmante!
OLGA — (MORDAZ, COMO OLGA PORTELA, COM UM SORRISO ÁCIDO) Todos? Acho que não, James. Você parecia aliviado (T) Quase liberto.
ALICE — (BEBE UM GOLE, OLHAR GELADO) Talvez ele tenha seus motivos, não é, vovó? Afinal, sempre fui um peso morto nas costas do grande James Sharapova (T) Um estorvo que ele nunca soube como carregar sem se envergonhar (PAUSA, MAIS FERINA) Ou sem esconder.
AMELINHA — (IMPLACÁVEL, CRUZANDO OS BRAÇOS) Basta! Alice, um pouco de compostura, pelo amor de Deus! Esta casa já viu escândalos demais (T) Não precisamos de outro espetáculo patético da sua parte.
SOL — (AFIADA, PROVOCANDO) Ah, deixa ela, Amelinha. Eu, sinceramente, estou curiosa. No jantar, ela fez tanto mistério, tanta insinuação (T) Quero saber, Alice. O que é tão importante assim? Ou era só mais uma cena de tenista decadente?
ALICE — (ESVAZIANDO A TAÇA COM ELEGÂNCIA) Calma, Sol (T) Tudo tem seu momento. E este, queridinha, ainda é o momento (LEVANTA A TAÇA, IRÔNICA) de degustar mais um gole de espumante (T) Francamente divino, não acham?
James se levanta de súbito, atravessa a sala e segura o braço da filha com força, tentando se conter.
JAMES — (DURO, VOZ BAIXA E FRIA) Já chega, Alice. Pare com esse espetáculo ridículo (T) Agora.
OLGA — (MORDAZ, OLHAR GELADO) Solte-a, James. Ou pretende reforçar seu dom para fracassar como pai? (PAUSA DRAMÁTICA) Acho que já vimos bastante disso.
Joana, impaciente, se levanta e sorri com deboche.
JOANA — (ENTEDIADA) Bom, o show está ótimo, mas eu preciso descansar (T) A propósito onde é o meu quarto? Ou vou ter que disputar um com algum fantasma da casa?
AMELINHA — (SECA, LEVANTANDO A SOBRANCELHA) Depende (T) Pretende dormir com Joaquim? Ou quem sabe com Aníbal?
JOAQUIM — (SE ERGUE, DURO) Vó, por favor! (RESPIRA FUNDO) Chega dessas provocações.
AMELINHA — (VENENOSA, FALANDO COM CALMA) Ah, querido (T) Eu só cumpro minha sina: proteger essa família de oportunistas (PAUSA, MAIS FERINA) E, pelo visto, a sina é interminável.
Ela faz um gesto discreto para Glória, a governanta, que se aproxima.
AMELINHA — (SARCÁSTICA) Glória, leve a nossa convidada ao quarto. Com discrição, se possível.
Mary Léon aproveita o momento para se levantar.
MARY LÉON — Já que estão distribuindo quartos, eu também gostaria de ser levada ao meu aposento, por favor.
AMELINHA — (SARCÁSTICA, LEVANTANDO-SE) Claro, querida. Mas não se acostume tanto com esse luxo. Imagino que, em circunstâncias normais, esteja mais familiarizada com os aposentos destinados aos empregados.
MARY LÉON — (SARCÁSTICA, SEM PERDER A CLASSE) Ah, Amelinha (T) E eu achando que o veneno quem possuía era apenas insetos e répteis (RI) Parece que me enganei.
Glória conduz Joana, Mary Léon e Joaquim para o andar superior. Na sala, o silêncio retorna, denso e pesado. Os demais permanecem estáticos, cada um processando as farpas lançadas.
CORTA PARA:
CENA 3. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. QUARTO DE JOAQUIM. INT. DIA
O quarto é elegantemente decorado, com tons sóbrios e móveis antigos. A luz da tarde entra pelas cortinas entreabertas. Joana está de pé perto da janela, os braços cruzados, visivelmente irritada. Joaquim a observa, sentado na beirada da cama, tentando conter a tensão.
JOANA — (RESSENTIDA) A sua avó (T) Como ela consegue ser tão venenosa? Não há justificativa pra tratar as pessoas assim, Joaquim.
JOAQUIM — (SUSPIRANDO, FIRME) A vida a endureceu, Joana. Ela perdeu muito. Foi traída, enganada (T) Pessoas como ela aprendem a se proteger atacando primeiro.
Joana se vira, encarando-o com intensidade, ainda magoada.
JOANA — (MAGOADA) Proteger-se? Ou se sentir superior? Porque o que ela faz não é autodefesa é humilhar, machucar (SÉRIA) E eu não vou fingir que está tudo bem.
SONOPLASTIA – SUA ESTUPIDEZ – GAL COSTA
Joaquim se levanta, aproxima-se dela com calma, a voz mais suave, tentando apaziguá-la.
JOAQUIM — (TENDER, OLHANDO-A NOS OLHOS) E se eu te dissesse que, talvez, eu possa amolecer o coração dela?
Joana esboça um sorriso irônico, balançando a cabeça em descrença.
JOANA — (SARCÁSTICA, SUAVE) Ah, Joaquim (T) Você amolece o coração de todo mundo (T) Inclusive o meu.
Ele sorri, um sorriso leve, mas carregado de sentimento. Há um instante de silêncio. Então, ele levanta a mão e toca suavemente o rosto de Joana. Ela fecha os olhos por um segundo, sentindo o toque.
Eles se aproximam, o olhar de ambos profundo, carregado de desejo e vulnerabilidade. Ele a beija, primeiro de forma delicada, explorando, até que o beijo se aprofunda, tornando-se mais intenso.
Joaquim desliza as mãos pela cintura dela, puxando-a suavemente para mais perto. Joana corresponde, suas mãos se perdendo nos cabelos dele. O beijo se intensifica ainda mais, até que Joaquim começa a descer os lábios pelo pescoço dela, provocando arrepios visíveis.
JOANA — (OFEGANTE, ENTRE RISOS SUAVES) Joaquim (T) a porta...
Ele murmura algo inaudível, perdido no momento, enquanto a conduz lentamente para a cama. Joana se entrega, retribuindo com igual intensidade, seus corpos se enlaçando em um misto de paixão e ternura.
A câmera se afasta lentamente, focando nas cortinas balançando levemente com a brisa, enquanto os dois se perdem um no outro.
CORTA PARA:
CENA 4. CENTRO HISTÓRICO DE PARATY. EXT. DIA
SONOPLASTIA – “ELA É MINHA CARA” - MART'NÁLIA
O centro histórico de Paraty brilha sob a luz dourada do fim de tarde. As ruas de pedra irregular, as fachadas coloniais impecavelmente brancas com janelas azuis e portas de madeira antigas criam um cenário pitoresco. Turistas caminham tranquilamente, admirando o artesanato local exposto em bancas charmosas. Um artista de rua toca violão suavemente enquanto crianças brincam próximo à fonte central. Sol, exuberante e magnética em um vestido branco fluido e chapéu de abas largas, passeia confiante. Seus óculos escuros e o sorriso radiante atraem olhares por onde passa.
Ela para em um café aconchegante, sentando-se em uma mesa externa de ferro com detalhes vintage. O garçom serve um café fresco. Sol o aprecia lentamente, cruzando as pernas com elegância e observando o movimento ao redor, quando Soraya Thronicke, a senadora, aproxima-se com um sorriso afável.
SORAYA — (SIMPÁTICA) Sol do Verão? Meu Deus, que coincidência maravilhosa!
Sol ergue os óculos escuros levemente, reconhecendo Soraya com um sorriso cativante.
SOL — Ora, senadora! Que surpresa agradável (T) O que a traz a Paraty?
SORAYA — (PUXANDO UMA CADEIRA) Ah, um pequeno refúgio depois de tantas batalhas em Brasília. Mas, veja só, estou acompanhando você nas redes sociais. É admirável como você enfrenta certos oligarcas. (OLHAR SIGNIFICATIVO)
Sol ri com um toque de sarcasmo, levando a xícara aos lábios.
SOL — Ah, sim (T) Alguém precisa cutucar essas cobras de vez em quando, não é? Elas se acham tão confortáveis nos seus pedestais...
SORAYA — (GRACIOSA, SEM PERDER O TOM) E você faz isso com uma coragem que poucos têm, querida. E, quem sabe (PUXA UM CARTÃO DO BOLSO) Talvez esteja pronta para algo maior. Nosso partido precisa de mulheres fortes, carismáticas e com a voz que você tem. Já pensou em entrar para a política?
Sol arqueia uma sobrancelha, surpresa, mas lisonjeada. Ela pega o cartão com delicadeza, lendo-o rapidamente.
SOL — (SENSUAL, DIVERTIDA) Bem (T) Sempre gostei de jogar luz em certas sombras. (OLHA PARA SORAYA) Talvez seja o momento de iluminar alguns corredores do poder também, não acha?
SORAYA — (SORRINDO) Exatamente. Ligue-me. Tenho certeza de que podemos fazer história juntas.
Sol assente com um sorriso encantador. Soraya se levanta, dá um último aceno elegante e se afasta. Sol observa o cartão com um brilho pensativo nos olhos antes de voltar a saborear o café.
CLOSE EM SOL
CORTA PARA:
CENA 5. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. ESCRITÓRIO DE AMELINHA. INT. TARDE.
O escritório é imponente, com móveis de mogno polido e cortinas pesadas que filtram a luz da tarde. Um aroma amadeirado se mistura ao cheiro do uísque servido em taças de cristal. Amelinha e Olga estão sentadas frente a frente, a tensão palpável entre as duas.
Olga toma um gole de seu uísque, cruzando as pernas com elegância calculada. Amelinha, impecável, observa-a com o olhar frio e analítico, girando o copo com destreza entre os dedos.
OLGA — (INSINUANTE, SERENA) A chegada de Alice (T) mudou tudo, não é? A menina ressurgindo assim, como se tivesse saído do túmulo (T) intrigante.
AMELINHA — (SECA, CONTIDA) Mudou, sim. Mas o importante é que agora teremos finalmente as respostas que tanto nos escaparam. (BEBE UM GOLE, OLHAR CORTANTE) Ela sabe que não se brinca com esta família impunemente.
Olga esboça um sorriso enigmático, inclinando-se ligeiramente para frente.
OLGA — (MORDAZ) Cuidado com o que deseja, Amelinha. Respostas podem ser inconvenientes (T) Sobretudo quando envolvem fantasmas antigos.
Amelinha ergue uma sobrancelha, o olhar se estreitando.
AMELINHA — (GÉLIDA) Está querendo insinuar alguma coisa, Olga? Se tem algo a dizer, diga de uma vez.
Olga faz uma pausa dramática, saboreando o momento.
OLGA — (AFIADA) Apenas que talvez você não devesse se alegrar tanto com o que Alice tem a dizer. Quem sabe James não seja o homem tão impecável que você insiste em defender?
O silêncio pesa. Amelinha, visivelmente irritada, pousa o copo com firmeza na mesa de vidro, o som ecoa pelo ambiente.
AMELINHA — (IMPLACÁVEL, GELADA) Escute bem, Olga. Não confunda o seu veneno barato com fatos. James é um homem íntegro, o pilar da sua família. (INCLINA-SE) E se Alice voltar a cuspir insinuações covardes, ela será silenciada como já deveria ter sido.
Olga mantém o sorriso, mas seus olhos brilham com desafio.
OLGA — (PROVOCATIVA) Ah, Amelinha (T) Sempre tão cega quando se trata do meu querido filho (BEBE MAIS UM GOLE) Mas tudo bem (T) O tempo se encarrega de desfazer ilusões.
AMELINHA — (CORTANDO, FATAL) O tempo não desfaz nada. Eu sim. E esteja certa disso Olga.
O silêncio volta, espesso e cortante. As duas se encaram, o clima de tensão prestes a explodir. O som do gelo derretendo nos copos é o único ruído no ambiente.
CORTA PARA:
CENA 6. PARATY. EXT. ANOITECER
SONOPLASTIA - "NUMA ILHA" - MARINA SENA
O sol se põe sobre Paraty, tingindo o céu em tons de laranja e púrpura. As luzes dos lampiões coloniais começam a se acender, refletindo nas águas calmas do cais. Pequenos barcos balançam suavemente com a maré, enquanto o som distante de risadas e música ecoa pelas ruas de pedra. A câmera passeia pela arquitetura histórica, revelando o charme das construções antigas e sacadas floridas, até se fixar na imponente fachada da mansão dos Campos de Sodré, com suas janelas iluminadas, sugerindo mistérios à espreita.
CORTA PARA:
CENA 7. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. PISCINA. EXT. NOITE
SONOPLASTIA - O QUE TINHA DE SER - INSTRUMENTAL
A piscina está iluminada por luzes subaquáticas, refletindo o brilho suave da mansão. Alice, ainda segurando uma taça de champanhe, caminha de forma instável pelo deque molhado. A bebida transborda levemente da taça, acompanhando seu andar trôpego. Seus olhos estão vermelhos, e o batom manchado denuncia o estado emocional fragilizado. Ela ri sozinha, amargamente, olhando o reflexo distorcido na água.
Olga surge de dentro da mansão, atravessando a porta de vidro com firmeza. Seus passos ecoam no chão de pedra. Ela se aproxima com elegância, mas seu olhar é tenso, controlado. A voz sai fria, porém cheia de expectativa.
OLGA — (CONTIDA) Alice (T) Chega de se esconder atrás desse teatro (T) Precisamos conversar.
Alice gira lentamente, encarando Olga com um sorriso cínico, os olhos marejados.
ALICE — (BÊBADA, MORDAZ) Conversar? Ora, Olga (T) Desde quando você se importa com o que eu tenho a dizer? Ou será que o seu súbito interesse tem a ver com (LEVANTA A TAÇA) o grande espetáculo?
Ela dá um gole longo e desajeitado. Olga mantém o controle, mas estreita os olhos, avaliando cada palavra.
OLGA — (FIRME) Poupe-me desse show patético, Alice. Estou aqui porque me importo. E porque quero respostas. Você desapareceu, todos ficaram (T) preocupados.
ALICE — (RINDO AMARGAMENTE) Todos? Mesmo? Ah, Olga, pare com isso! (CAMBALEIA UM PASSO) Você quer saber de verdade? Quer a verdade nua e crua? Porque ela dói, querida (T) Dói como esse champanhe barato que vocês chamam de luxo.
Olga se aproxima um passo, controlando o impulso de responder de imediato. Respira fundo.
OLGA — (BAIXANDO O TOM) Eu vou respeitar o seu tempo, Alice. Mas você precisa entender que Eu não posso proteger você sem saber o que aconteceu. (T) Quem são os culpados? Quem fez isso com você? Deixe-me agir.
Alice a encara, o rosto suavizando por um instante, como se considerasse a proposta. Mas, num rompante, ela balança a cabeça e ri, desta vez mais amarga e vulnerável.
ALICE — (BAIXINHO, FERIDA) Proteger? Ninguém pode me proteger. Nem você, nem Amelinha, nem esse palácio de vidro (T) Agora, se me der licença (LEVANTA A TAÇA) Preciso brindar à hipocrisia.
Ela dá as costas e se aproxima da borda da piscina, encarando seu reflexo enquanto a chuva fina começa a cair. Olga permanece no mesmo lugar, olhando-a com um misto de frustração e compaixão.
CLOSE NA EXPRESSÃO DE OLGA
CORTA PARA:
CENA 8. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. CASA DA PISCINA. QUARTO. INT. NOITE
SONOPLASTIA – "SYMPATHY FOR THE DEVIL" (THE ROLLING STONES - THE NEPTUNES REMIX)
A iluminação é baixa, com a luz suave de um abajur projetando sombras pelo ambiente. O som da chuva fina batendo contra as janelas se mistura à trilha sonora envolvente. O quarto tem um ar decadente e sensual, com cortinas de seda vermelha e almofadas espalhadas pelo sofá. No centro, Sol está sentada no colo de Aníbal, vestindo apenas uma lingerie vermelha rendada, provocante. Ele, sem camisa, está recostado, observando-a com um olhar predador.
SOL — (SEDUTORA, JOGANDO O CABELO) Você anda tão ousado ultimamente, gostoso. Gostando de brincar com fogo?
ANÍBAL — (SORRINDO, PERIGOSO) Só se for o seu, cachorra. E eu não brinco. Eu domino.
Ela sorri, mordendo o lábio, enquanto seus dedos deslizam pelo peito de Aníbal. Ele a segura firme pela cintura, puxando-a mais para perto.
SOL — (FALSA INOCÊNCIA) É mesmo? Então me diz o que você quer dominar agora?
ANÍBAL — (OLHANDO-A NOS OLHOS, INTENSO) Quando essa palhaçada da Amelinha acabar, eu quero a gente longe daqui. Juntos. Numa casa só nossa. Sem ninguém pra se meter.
Sol inclina a cabeça, olhando-o com um misto de desejo e provocação.
SOL — (RINDO, BEIJANDO SEU PESCOÇO) Morar com você, gostoso? Isso parece um sonho (FIRME) Mas você sabe que Amelinha não vai deixar barato. Agora que ela sabe que o Joaquim é neto dela...
Aníbal estreita os olhos, a expressão se fechando em algo sombrio.
ANÍBAL — (SINISTRO, SUSSURRANDO) Não por muito tempo.
Sol se afasta ligeiramente, encarando-o com curiosidade e malícia.
SOL — (SUSSURRANDO, PROVOCANTE) O que você quer dizer com isso, hein? Tá planejando alguma coisa, Aníbal?
Ele sorri de lado, puxando-a de volta e mordendo de leve o lóbulo da orelha dela, a voz grave e rouca.
ANÍBAL — (MALICIOSO) Eu? Nunca (T) Só estou dizendo que acidentes acontecem.
Sol ri, mordendo o lábio, e o beija com intensidade. O beijo se aprofunda, quente, enquanto ela passa as unhas pelo peito dele. Ele segura o rosto dela com força, dominando o momento. Sol puxa a calça de Aníbal e a desliza para baixo, atirando-a no chão.
O beijo se intensifica. A trilha sonora atinge o clímax, a câmera fecha no olhar ardente entre eles.
CORTA PARA:
CENA 9. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. QUARTO DE AMELINHA. INT. NOITE
Amelinha está diante de sua penteadeira, vestindo um luxuoso robe de seda champanhe, bordado com detalhes finos. O quarto é elegantemente decorado, com tons pastéis e móveis de época, refletindo o gosto clássico e imponente da matriarca. A luz suave do abajur dourado realça as joias que ela usa discretamente. Ela segura um telefone de linha fixa antigo, com um olhar frio e calculista.
PEDRO — Delegado Pedro falando.
AMELINHA — (IMPECÁVEL, FRIA) Delegado, que bom ouvir sua voz. Tenho notícias intrigantes (PAUSA) Alice ressurgiu.
INTERCUT COM O ESCRITÓRIO DO DELEGADO PEDRO. INT. NOITE
Pedro está em seu escritório, uma pilha de arquivos espalhados pela mesa. Ele está com a camisa social desabotoada no colarinho, visivelmente cansado, mas sua expressão se torna atenta e séria ao ouvir a voz de Amelinha.
PEDRO — (RÍGIDO) Ressurgiu? Preciso de detalhes,Amelinha. Ela está bem? O que exatamente aconteceu?
AMELINHA — (CORTANTE, SARCÁSTICA) Ah, por favor, delegado. Bem é um conceito tão relativo. Vamos apenas dizer que ela fez uma entrada digna de sua habitual teatralidade. Cercada de mistério, claro, mas como sempre, vazia de conteúdo.
PEDRO — (SECO) Imagino que ela tenha dito algo relevante. Onde ela esteve? Com quem?
AMELINHA — (AFIADA, GELADA) Infelizmente, nada de concreto. Apenas um espetáculo lamentável, como já era de se esperar. Mas tenho certeza de que um homem perspicaz como o senhor saberá como extrair a verdade, não é mesmo?
PEDRO — (FIRME) Estarei em Paraty amanhã cedo. Quero falar com ela pessoalmente.
AMELINHA — (SUTILMENTE AMEAÇADORA) Excelente. Espero que venha preparado. Alice tem o dom de confundir os mais impressionáveis.
Ela encerra a ligação com um leve sorriso de triunfo, levando a taça aos lábios com elegância calculada.
CORTA PARA:
CENA 10. MANSÃO DOS CAMPOS DE SODRÉ. JARDINS. EXT. NOITE
SONOPLASTIA - "SEVEN DEVILS" - FLORENCE AND THE MACHINE
A noite está densa, o vento sacode as árvores, a chuva cai fina. James, elegante e sombrio, veste um sobretudo preto e segura um guarda-chuva. As luzes da mansão ao fundo refletem de forma difusa nos jardins molhados. Ele olha para o relógio, impaciente, até que passos ecoam no cascalho.
Aníbal surge da escuridão, vestindo uma camisa parcialmente aberta, sem pressa, mas tenso. O olhar entre os dois é carregado de segundas intenções.
JAMES — (GELADO, SEM EMOÇÃO) Está atrasado. Detesto ser feito de idiota, Aníbal.
ANÍBAL — (FERINO, TENTANDO LEVEZA) Relaxa, doutor. Foi só um contratempo. Mas eu estou aqui, não estou?
James o encara, olhos estreitos, controlando a raiva.
JAMES — (SECO) A situação exige pontualidade. E discrição. Alice voltou e isso muda tudo.
ANÍBAL — (TENSO, OBSERVANDO) Ela sabe de alguma coisa?
JAMES — (FRIO, CALCULISTA) Ainda não. Mas eu não pretendo esperar para descobrir até onde ela pode chegar. Está na hora de agir antes que Alice abra a boca sobre a morte de Henrique. (PAUSA DRAMÁTICA) Amelinha precisa ser eliminada.
O trovão corta o céu ao fundo. Aníbal esboça um sorriso tenso, encarando James como quem avalia o perigo que ele representa.
ANÍBAL — (PROVOCANTE, MAS FRIO) Sempre tão drástico, James. Tem certeza que quer se sujar desse jeito?
James dá um passo à frente, aproximando o rosto do de Aníbal, voz baixa, cortante.
JAMES — (SINISTRO) Você me conhece o suficiente para saber que eu quase nunca me sujo. Somos cúmplices. Mas eu comando, você executa (T) Ou devo lembrar para qual lado da balanca o peso pende mais?
Aníbal estreita os olhos, ofendido, mas mantém a pose.
ANÍBAL — (SUSSURRANDO) Eu cuido disso. Amelinha não será mais um problema.
James recua, ajeitando o colarinho do sobretudo, satisfeito. A câmera se afasta, os dois silhuetados sob o guarda-chuva, enquanto a trilha cresce em intensidade. A chuva aumenta.
CORTA PARA:
FIM

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