SABORES EM GUERRA CAP. 05
Elenco:
Marcello Melo Jr.
Renato Góes
Marina Ruy Barbosa
Christiane Torloni
Deo Garcez
Maria Padilha
Danilo Mesquita
Sérgio Malheiros
Participação Especial:
Joana Fomm
Tony Ramos
Miguel Falabella
Cássio - Pai? Meu pai? O que o senhor faz aqui?
Roberto - Meu filho! Meu filho. Eu estou partindo filho.
Cássio - Não pai, não pai, eu não aceito isso!
Roberto - Eu estou indo te encontrar, filho.
Cássio - Meu pai, eu estou vivo. O senhor é forte, o senhor vai resistir.
Roberto - Não vou, filho. Já chegou a minha hora.
Cássio - Não, não, não. O senhor vai resistir, que nem da última vez. O senhor é forte, vai conseguir suportar.
Roberto - Cuida da tua mãe, filho. Cuida dela.
A máquina para.
Cássio - Meu Deus, pai, pai, pai não se vá pai. Ajuda aqui, socorre aqui! PAAAAAAAAAI. (Grito alto com eco)
A imagem congela em Cássio
ABERTURA: https://youtu.be/xCaDw2521gg?si=sN4rjD-jVddB-T0g
Cena 01: Hospital/Manhã
Cássio - Meu pai, meu pai, reaja meu pai. Socorro, cadê os médicos daqui, pombas?
Enfermeira - O paciente, o paciente teve uma parada cardíaca. Vamos reanima-lo
Eles usam a máquina de choque para reanimar, porém sem efeito.
Enfermeira - Sem efeito.
Cássio - Como assim sem efeito? Vocês estudam tanto pra que? Pra ver meu pai morrer e dizer que foi sem efeito?
Enfermeira - Ele chegou aqui já em estado crítico.
Cássio - Quer dizer que pagamos uma fortuna nessa espelunca pra deixarem meu pai morrer, é isso?
Enfermeira - Senhor, acalme-se.
Cássio - Como quer que eu me acalme? Como quer que eu me acalme? Você tem o que nessa cabeça? Gengibre.
Enfermeira - Um calmante pra ele.
Cássio - Eu não quero droga de calmante, eu quero meu pai de volta.
Enfermeiro - Por favor, tome isso.
Cássio - Uma pinóia bem grande pra você. Eu quero meu pai vivo, e a culpa é de vocês. Eu processo vocês, eu coloco vocês na justiça!
Enfermeira - Coloquem isso no soro.
Cássio - Mas o que é isso, tirem isso daqui.
Enfermeira - Acalme-se, acalme-se. Está tudo sobre controle.
Cássio - Eu quero o meu pai. PAAAAI (grito com eco)
Enfermeira - Pronto, pronto. Agora você vai se acalmar.
Cássio - Por favor, liguem para um amigo meu me buscar.
Enfermeira - Eu não posso fazer isso, é contra as regras.
Cássio - Por favor. Eu já tô aqui todo arregaçado, ainda perdi meu pai. É o mínimo que vocês poderiam fazer…
Enfermeira - Está certo, qual o número?
Cena 02: Casa de Luca/Manhã. O celular toca
Luca - Alô? Alô? sim, sou eu, Luca Andrada. O que? Espere, espere, eu estou indo!.
Ricardo - Meu filho, o que aconteceu que você está agitado assim?
Luca - É uma coisa meu pai, que não posso contar agora. Depois eu te conto.
Ricardo - Peraí, filho. Você nem comeu nada.
Luca - Eu como no caminho. Tchau!
Cena 03: Cemitério/Manhã.
Margarete - Ahh, Cristina, que sofrimento. Um sofrimento que não desejo nem para meu pior inimigo.
Cristina - Acalme-se, patroa. Deus está no controle.
Margarete - Mas que mania de ficar mandando ficar calmo. Eu não tenho como ficar calma com meu filho dentro de um caixão, e meu marido lá internado.
Cristina - Não te contaram ainda?
Margarete - O que, Cristiana? Não me diga que é outra desgraça? Porque minha vida ultimamente está assim, desgraça atrás de desgraça.
Cristina - O seu marido, patroa, o seu Roberto. Ele, ele não resistiu.
Margarete - O que? Cristina, me diga que isso é mentira, Cristina.
Cristina - É verdade patroa.
Margarete - Que mania, sua infeliz! Ninguém nunca te ensinou a dar notícias ruins não? Que vida miserável, miserável! Porque não me leva logo, hein? Porque não me leva também? Eu não tenho mais forças para ficar aqui. Eu não vou aguentar, não vou!
Cristina - Calma, patroa.
Margarete - Se você mandar me acalmar mais uma vez eu te dou uma surra! Uma surra ouviu bem?
Cristina - Entendi, entendi.
Margarete - Agora saia da minha frente, eu quero ficar sozinha.
Margarete se ajoelha no chão e começa a chorar muito.
Transição ao som de Manhã de Setembro - Vanusa
Cena 04: Casa de Fábio
Fabio - Meu Deus, meu Deus.
Silvana - Você já falou Meu Deus 342 vezes só hoje.
Fábio - Da pra ficar quieta?
Silvana - O que? É assim que você trata a pessoa que te criou com tanto carinho? Quando a desnaturada da sua mãe te largou a míngua.
Fabio - Me desculpa, meu desculpa. Eu tô muito nervoso, meu Deus.
Silvana - 343.
Fabio - 343 o que?
Silvana - 343 vezes que você falou Meu Deus.
Fabio - Ah, tenha santa paciência.
Silvana - Olha, o Ricardo me convidou para jantar.
Fábio - Aquele velho caquético? Ah não. A senhora ainda insiste nisso?
Silvana - O que? Você não quer que sua querida avozinha aproveite a vida? Não é porque estou na flor da idade, que não mereço me divertir.
Fabio - Flor da idade? Flor da idade? Se você tá na flor da idade eu tô aonde?
Silvana - E você, tá assim nervoso porque? Ainda pela morte daquele rapaz?
Fabio - E é pouco? Eu tenho culpa, vó, eu tenho culpa. É claro que eu desejava que ele morresse, mas não agora.
Silvana - Você não tem culpa. Você não falou que ele que corria feito um desgovernado pela pista? Falta de prudência da nisso. A culpa foi única e inteiramente dele.
Cena 06: Hospital/manhã
Cássio - A culpa foi única e inteiramente dele. E ele vai pagar.
Luca - Cara, que loucura. Que bom que você está vivo.
Cássio - Estaria melhor se meu pai estivesse aqui. Oh Luca, meu veinho se foi, na minha frente!
Luca - Oh, cara meus pêsames. Mas agora, sua mãe ficará feliz, já que você está vivo.
Cássio - E quem disse que você vai falar alguma coisa? Não vai falar nada.
Luca - O que? Vai deixar sua mãe lá sofrendo?
Cássio - Eu vou contar, claro que vou contar. Mas antes! Vou dar um susto no Fábio. Ah, se vou.
Luca - Isso vai dar ruim. E porque sua mãe não pode saber agora?
Cássio - Porque se ela souber, o Brasil e o mundo todo vai ficar sabendo. Aquele infeliz me matou, matou e saiu. Ele vai ver como é que se constrói uma canoa.
Luca - Não seria com quantos paus se faz uma canoa?
Cássio - Não interessa. Você vai seguir meu plano, e dará tudo certo. Dessa Fábio não escapa.
Luca - Rapaz, tira essa ideia de vingança de sua cabeça.
Cássio - Vingança sim, Luca, Vingança Sim! Esse infeliz só desgraçou minha vida. Sabia que por pouco eu não amputei a minha perna? As ferragens do carro quase que me fizeram perder a perna.
Luca - Mas se você ficou tão arrebentado assim, quem te trouxe pra cá?
Cássio - Dois caminhoneiros. Eles me viram cair. Nessa fora o idiota do Fábio já tinha ido embora. Eles desceram e me levaram pra boléia do caminhão. Aí eu vim parar aqui.
Luca - Que sorte, viu. Sua mãe ficará feliz..
Cássio - Ela não vai saber de nada! Antes de cumprir meu plano, ela não vai saber de nada.
Luca - Que ódio é esse no seu coração? Se foi você quem estragou a festa dele? Não tem sentido algum.
Cássio - Claro que tem, Luca, mas é claro que tem. Deixa só eu sair dessa espelunca aqui, que você verá. Mas enquanto isso, lembra daquele imóvel da Vila Souto?
Luca - Aquele que você queria comprar?
Cássio - Isso. Você vai comprar pra mim no seu nome.
Luca - No meu?
Cássio - Isso. Vou te passar uma procuração autorizando poder usar os meus bens. Você vai ficar responsável pelo meu dinheiro.
Luca - Isso vai dar ruim, cara.
Cássio - Não me diga que está com medo?
Luca - Estou. Claro que estou.
Cássio - Então você não é mais meu amigo, é isso?
Luca - Eu não disse isso.
Cássio - Você está praticamente dando o atestado de que vai me abandonar aqui agora.
Luca - Eu falei que é loucura isso que você quer fazer. Não tem lógica, não tem sentido e muito menos motivo para você tomar essas atitudes.
Cássio - Ah, tem, meu amigo. E como tem. É porque você não nos conhecia na época, e muito menos conhece o Fábio. Se conhecesse…
Luca - Ainda bem, ainda bem.
Cássio - Se eu falei que vai ter volta, é porque terá. Só basta você seguir os meus planos. Depois que você comprar, você vai transformar aquilo ali no maior restaurante que você já viu.
Luca - Que dinheiro que você vai fazer isso? Você só vivia pedindo pra sua mãe.
Cássio - Eu tenho tudo isso guardado, não se preocupe. Aí daqui até lá eu já saí daqui.
Luca - Aí você vai revelar que está vivo?
Cássio - Não. Vou voltar com um pseudônimo, Eric Fragonard, já pensei em tudo. E vou acabar com as mínimas chances do Fábio de tornar alguém.
Luca - Que droga colocaram nesse seu soro? Pra ter uma ideia tão absurda e ridícula que nem essa?
Cássio - Ele vai ver o que é bom pra tosse, ah se verá.
Cena 07: Casa de Margarete/Manhã. Margarete chora ao som de uma trilha triste.
Cristina - Oh, patroa, não chore não.
Margarete - Oh, Cristina. Porque eu não tinha pensado nisso antes?
Cristina - Aí ó, como já melhorou?
Margarete - Fica quieta, Cristina, se não eu te demito.
Cristina - Tá bom, tá bom, não está mais aqui quem falou.
Margarete se deita no sofá e começa a chorar
Cena 08: Apartamento de Miguel/Tarde.
Nicolas – Então você já tem a moça que vai levar os diamantes?
Miguel – Claro, você acha que não sou uma pessoa preparada? É uma moça que você conhece.
Nicolas – Conheço ? Quem é?
Miguel – Não vou contar, não posso. Tenho que manter sigilo, porque pode comprometer o plano.
Nicolas – Medo, viu. Medo.
Miguel – O quê? Já quer dar pra trás?
Nicolas – Mas é claro que não, eu por acaso sou homem dar pra trás?
Miguel – Que bom, quem bom. Eu não criei filho medroso.
Nicolas – Mas e como você quer fazer isso?
Miguel – Você vai ficar sabendo em breve, não se preocupe. Ficará sabendo em breve.
Cena 04: Casa de Gilda/Noite
Gilda – Milena, Milena, onde você está? Milena? Onde é que está essa menina?
Milena passa por sua mãe
Gilda – Milena, você não me ouvir chamar? Vem cá, porque você não me responde?
Milena – Ah, mãe, porque não me deixa em paz um minuto?
Gilda – O que? Então é assim que você me trata? Depois de tudo que fiz por você e é assim que você me trata? Não é possível uma coisa dessas.
Milena – Então expulsar meu pai de casa é fazer algo por mim?
Gilda – Sabia, sabia que era por causa disso. Depois que você se encontrou com aquele homem você começou a ficar assim, emburrada.
Milena – E é pouco?
Gilda – Você devia procurar o que fazer, isso sim, procurar o que fazer. Mas era só o que me faltava
Transição de cena. Passagem de tempo de duas semanas ao som de A Vida é Dura.
Cena 09: Casa de Margarete/Manhã
Margarete – Cristina, tem alguém na porta. Abra por favor.
Cristina – Estou indo.
Gilda entra
Gilda – Margarete, preciso falar com você.
A cena congela em Margarete, encerramento ao som do tema de abertura.

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