CENA 01 - (MANSÃO DOS VENTURINI/INT./TARDE):
OTÁVIO: Meu filho!
ALEX (abraçando Otávio): Pai! Que saudades meu pai!
OTÁVIO: Você tá grande! Tá forte! Meu Deus, o tempo passa rápido!
ZÉLIA: Mas esse menino cresceu demais, gente! A última vez que eu vi era um garotinho!
ALEX: Zélia! Eu me lembro de você! Caramba, você não mudou nada!
ZÉLIA (rindo): Que nada, tô é velha, menino!
Joyce atravessa Alex, o olhar dela é mortal, como uma arma apontada sobre o rosto de Alex.
ALEX (sem graça): Como vai, mãe?
JOYCE (segurando a língua): Bem. Na medida do possível. Eu vou sair um pouco, pra espairecer. Você peça pra alguém por carregar suas malas no antigo quarto do seu irmão, rápido por sinal, não quero a sala cheia de bagagem.
OTÁVIO: Como assim, Joyce? O Alex acabou de chegar e você já vai saindo?
JOYCE: Qual o problema? Até parece que o Alex não conhece essa casa ou que você presam pela minha presença nesta casa.
JOYCE (pra Zélia): Zélia, querida, você liga pro cabeleireiro agendar daqui a meia hora pra mim. É melhor ir no cabeleireiro, por lá eu não me estresso e ainda fico linda.
Joyce sai pela mesma porta da frente, ascendendo pro motorista da casa.
Corta para:
CENA 02 - (HOTEL/INT./TARDE):
GIOVANNA (retocando o batom em frente ao espelho): Tem certeza que é uma boa ideia logo agora, Felipe? Não acha antecipado não?
FELIPE: Que nada, a Simone é uma tropeira, já vi de cara.
GIOVANNA: Olha lá, hein. Tô fazendo o maior esforço pra olhar pra cara daquela patricinha mimada.
FELIPE: Você vai se dar bem, meu amor. É só falar o que a Simone gosta de ouvir, aliás pra lidar com as pessoas, é assim. Basta dar aquilo que elas querem.
Corte:
CENA 03 - (CAFETERIA/INT./TARDE):
Giovanna dá o primeiro passo do plano armado por Felipe. Ela marca um encontro no cafeteria do Shopping com Simone.
SIMONE (cumprimentando com abraço): Giovanna, querida!
GIOVANNA: Como vai, meu amorzinho? Eu tava aqui por perto e lembrei que você trabalha aqui.
SIMONE: Pois é, eu decidi assumir a Maison Venturini... É o trabalho que eu sinto conforto, a moda em si pra mim, é um paraíso.
GIOVANNA: Eu imagino, eu também adoro a moda. Eu me lembro que desde pequena eu me vestia com os vestidos da minha mãe e desfilava pela casa.
SIMONE (rindo): Eu também! Só que a minha mãe odiava quando eu fazia isso. Me lembro de uma vez que eu peguei um vestido branco lindo, e quando ela viu entrou em estado de surto.
GIOVANNA: Depois eu posso passar lá pra olhar alguns looks. Eu vou numa festa no dia 15, e preciso de um vestido inovador, sabe? Eu quero parar essa festa.
SIMONE: Que tal irmos depois do café? Eu posso te mostrar alguns que eu posso te ajudar com isso.
GIOVANNA: Gente... Agora mesmo.
SIMONE: Ótimo, deixa que eu pago a conta.
Corta para elas indo até a Maison Venturini. Ao som de "Soltera" - Shakira. As duas experimentam inúmeros looks e desfilam pelo shopping, espalhando todo glamour.
CENA 04 - (CASA DE JORGE/INT./TARDE):
Felipe vai até a casa de Jorge.
JORGE (abrindo a porta, surpreso): Felipe?
FELIPE: Preciso falar com você.
JORGE: Eu não tenho nada pra falar com você, moleque.
FELIPE: Mas eu tenho, assunto do seu interesse.
JORGE (sarcasmo com toque de indignação): Hmm, então quer dizer que o filho pródigo, voltou pra casa do papai, hein? Que foi? Deu merda pra você?
FELIPE (tom mais agressivo e alterado): Vai me deixar entrar ou vai ai na porta com esse tom de ironia, falando merda?
JORGE: E Isso! É esse o filho que eu tenho! Entra ai vai.
FELIPE (entrando): Eu soube que a Marion te deu dinheiro. Soube que você foi bater na porta dela pra pedir esmola, pagar uma de mendigo.
JORGE: Pois é, fez algo que você não teve a mínima coragem de fazer.
FELIPE: Coragem do que? De ir pedir pra você? Mas é o cúmulo.
JORGE: Não é pedir não, é me ajudar mesmo. Eu sei que você tá montado na grana, morando em hotelzinho do bom. Nem lembra de mandar um dinheiro pro pai.
FELIPE: Mandar dinheiro pra que, hein? Todo dinheiro que eu te dou você usa pra encher o rabo de cachaça.
JORGE: E esse lugar aqui, você acha que é de graça?
FELIPE: Olha aqui, eu não vim aqui pra falar da grande bosta que é a sua vida financeira. (T) Eu tenho uma proposta pra fazer a você.
JORGE: Iiihhhh, lá vem.
FELIPE: Eu acho melhor você até sentar, porque lá vem mesmo. (T) Sabe quem eu conheci?
JORGE: Quem?
FELIPE: Simone Venturini!
JORGE: E quem é essa? Filha do papa?
FELIPE: Melhor! Filha de um dos maiores empresários do país, dono do maior shopping. Sabe de quem ela é namorada? Do meu primo.
JORGE: Como esse mundo é pequeno.
FELIPE: Você conhece a Simone?
JORGE: Eu conheço o pai dela. Foi ele que encampou aquele shopping que eu trabalhava.
FELIPE: Mentira? Olha só, hein. Tá vendo como tudo tá se encaixando?
JORGE: Me diz logo, que palhaçada é essa que você tá armando, hein, Felipe? Vai roubar a moça?
FELIPE: Não, quer dizer, talvez lá na frente de outros modos, mas agora-
JORGE (cortando): Agora o que?
FELIPE: Eu quero conquistar a Simone, ela vai ser a minha futura esposa.
JORGE (gargalha): Tá louco, pirou de vez?
FELIPE: Só que obviamente eu tenho que me aproximar, e melar com o romancezinho dela com o André. (T) E você vai me ajudar nisso.
JORGE: Você não tá vendo que essa história nunca vai dar certo?
FELIPE: Vai sim. E não pense que você vai sair dessa história de mãos pro ar. Se eu conseguir, significa que eu vou ter dinheiro, não só pra tirar você desse lixo, mas também fazer de você um novo homem... O homem que talvez você tenha sido um dia
JORGE (rejeitando): Mas você tá completamente louco, Felipe. Olha pra mim, você acha mesmo que eu vou participar desse circo que você tá armando? Isso ainda vai feder pro teu lado!
FELIPE: Olha aqui, eu quero te ajudar e me ajudar. Quero dar uma vida melhor pra gente! Não é você que tava ai reclamando que eu não te ajudo em nada, então? Tô querendo te ajudar agora, mas eu preciso que você me ajude também.
JORGE: Você quer é me usar pra essa sua armação, rapaz! E eu não nasci ontem não, eu te conheço! E sei direitinho qual a tua índole! A tua natureza!
FELIPE (risadas sarcásticas): Conhece o que? Você nunca se deu o trabalho de me conhecer. E mais uma vez eu preciso da sua ajuda, e mais uma vez você me vira as costas.
JORGE: Eu criei você, menino!
FELIPE (voz alterada): Não! Você diz que me criou, mas na verdade, você me deixou atoa a vida inteira. Sempre foi ausente, sempre descontou os fracassos da tua vida em mim! Cada maltrato, cada palavra, cada surra... Isso você se esqueceu, né papaizinho?
JORGE: Se você veio até aqui pra me dizer isso, pode ir embora, que eu não tô interessado em ouvir esse seu draminha de filho revoltado. E quer saber de uma, se eu quiser eu conto toda essa tramóia que tu tá armando!
FELIPE (alterado): Não se meta no meu caminho! Eu acabo de vez com a sua vida!
JORGE: Isso, filhão! Joga duro! Dá uma de macho!
FELIPE: Não quer pela primeira vez na vida ser o meu amigo? Ótimo. Mas fique na sua, é melhor pra você!
JORGE: Você acha que eu tenho medo de você, ô babaca!
FELIPE: Pois devia. Eu não tô brincando. (T) Saiba você, paizinho, que eu ainda vou ser um grande homem, coisa que você nunca foi, e nem vai ser.
*silêncio mortal no ambiente.
Felipe vai embora na mesma hora, o ambiente fica pesado e Jorge fica no mesmo lugar.
ABERTURA
CENA 05 - (MANSÃO DOS VENTURINI/INT./FIM DE TARDE):
Joyce, após passar a tarde no cabeleireiro, volta mais leve. Quando entra em casa, encontra André, que está esperando Simone.
JOYCE (sorridente): André! Mas que o você está fazendo aqui?
ANDRÉ: Como vai, dona Joyce? A Simone pediu pra eu vir aqui, a gente vai sair hoje a noite.
JOYCE: Hmmmm. Eu vou pedir a Zélia preparar um belo juntar. E nem tenha a ousadia de recusar, hein?
corta para:
Joyce vai até a cozinha.
JOYCE: Zélia! Você anotou a lista do jantar de hoje?
ZÉLIA: Claro, Dona Joyce! Aqui está.
Joyce pega a lista grosseiramente e analisa tudo.
ZÉLIA: Oh Dona Joyce, me perdoe a franqueza mas o Alex ficou tão cabisbaixo... Eu sei que a senhora ficou muito chateada com aquele escândalo no jornal, mas-
JOYCE (interrompendo): Zélia! Um quilo de camarão? Mas isso é muito pouco. Olhe aqui, amanhã mesmo você vai ligar pra secretária do Otávio e dizer que você errou gravemente na quantidade. Peça uns 20.
ZÉLIA (abaixando a cabeça): Tudo bem, a senhora me desculpa.
JOYCE: Ao invés de camarão, prepara uma boa alcatra para hoje, e também uma torta de geleia de morango pra sobremesa, o Otávio adora.
ZÉLIA: Até as oito vai estar tudo pronto.
JOYCE: Perfeito, eu vou subir e tomar um banho pra renovar as energias.
CENA 06 - (HOTEL/INT./NOITE):
Giovanna passa pela piscina do hotel e vê Felipe. Cheia de sacolas, ela vai até ele, bem humorada.
GIOVANNA: Ué, achei que você ia chegar mais tarde.
FELIPE: Não, eu tive uma conversa com meu pai.... Quer dizer, uma briga feia.
GIOVANNA: Novidade.
FELIPE: Acredita que eu fui fazer uma proposta pra aquele desgraçado, de ajudar a gente e ele recusou?
GIOVANNA: Tá Felipe, mas e daí? Desde quando você precisa do seu pai, meu amor?
FELIPE: Eu sei que ele não serve pra nada, muito menos pra algo na minha vida. Mas ele disse uma coisa intrigou (T). Você acredita que ele ameaçou abir o jogo pra minha tia?
GIOVANNA: E o que você fez?
FELIPE: Eu me alterei na hora, ameacei e tudo, ainda disse pouco que ele merecia ouvir.
GIOVANNA: Conhecendo o seu pai: ele vai ficar caladinho, esperando o desenrolar de tudo. Ele no fundo sabe que isso pode dar certo, e querer tirar proveito disso.
FELIPE: É, mas ele vai se fuder na minha mão. Ali não passa de um vagabundo, daqueles que vende a alma até o capeta.
GIOVANNA: Exatamente. Eu sei que eu fiz minha parte.
FELIPE: Ah sim, me fala como foi lá com a Simone.
GIOVANNA (ardilosa): Fiquei bem próxima da patricinha, já posso dizer oficialmente que a garota foi com a minha cara.
FELIPE: Eu sabia! Fazer amizade com a Simone é o primeiro passo, e o melhor coisa que você fez. Eu só preciso introduzir mais, tenho que achar um jeito de separar o casalzinho perfeito.
GIOVANNA: Ai pensa bem, viu? Que a sua futura mulherzinha me deixou cansadissima. Vou subir, tomar um banho naquela linda banheira. Você não vai subir?
FELIPE: Não, vou ficar aqui um pouco. Mais tarde eu subo.
GIOVANNA (indo): Você que sabe. Beijos.
* Foco em Felipe pensativo.
CENA 07 - (MANSÃO DOS VENTURINI/INT./NOITE):
Isabelle e Otávio chegam em casa, o clima raro de harmonia naquela casa é contagiante.
ISABELLE: Alex! Gente... Como você está enorme! A última vez que eu te vi você era uma criancinha!
ALEX: Que prazer em revê-la, minha tia.
ISABELLE: Você conheceu o André?
ALEX: Sim, estavamos falando sobre um dia a gente marcar pra pular de paraquedas.
ISABELLE: Paraquedas? Mas como assim?
OTÁVIO: Não sabia, Isabelle? O Alex é instrutor de paraquedismo e piloto de jatinho!
ISABELLE: Meu Deus, como eu não sabia disso? Admiro a sua coragem. E principalmente a do André.
ANDRÉ: Coragem? Eu desde pequeno sonho com isso.
Joyce desce as escadas.
JOYCE (descendo as escadas): Ouvir falar em sonhos?
ISABELLE: Chegou a condessa de Bresson.
JOYCE: Me poupe de suas ironias, logo agora.
ALEX: A senhora está linda, mãe!
JOYCE: Agradeço o seu elogio. E o jantar, já está pronto?
ANDRÉ: A Zélia acabou de preparar a mesa.
JOYCE: Hmmm, gosto assim, tudo em ponto. Vamos então?
Corta para:
Todos estão sentados a mesa, Zélia está servindo um vinho.
JOYCE: E então Alex, o que você fez durante esse tempo inteiro em Londres? Concluiu a faculdade pelo menos?
ALEX: Sim, mas eu não decide seguir na mesma profissão do Ricardo.
JOYCE: É, vindo de você eu não esperava outra coisa.
OTÁVIO: Joyce!
ALEX: Não, pai. Na verdade, mãe, eu sou piloto de jatinho, e até de avião. E além disso, fui campeão de paraquedismo.
JOYCE: Ou seja, uma baboseira que não vai te levar a lugar algum.
ISABELLE: Joyce, mas que humor insuportável esse seu.
JOYCE: Não se trata de humor, e sim, da realidade, minha queridinha. O Alex é um Venturini Albuquerque, um rapaz feito ele, é pra ser um homem de negócios igual ao pai, e não ficar pulando pelo céu feito um maluco, um inconsequente.
ALEX: Mas é o que eu gosto! É o que eu quero pra mim, e se isso não te agrada, eu só lamento.
Otávio começa a suar, e por a mão no peito... Porém discretamente, sem que ninguém perceba.
JOYCE: Olha lá como você fala comigo, menino. Eu nunca te dei permissão pra falar de tal maneira.
ANDRÉ: Gente vamos mudar de assunto, não é mesmo.
ISABELLE: Joyce cala essa boca! Mas que inferno, você parece que sente prazer em alfinetar os outros.
JOYCE: Tudo bem, eu como sempre sou a vilã por apenas falar a verdade.
Isabelle percebe o comportamento estranho de Otávio, que na mesma hora se levanta, sentindo dores no peito.
ISABELLE: Otávio! O que você está sentindo!
OTÁVIO: Eu... Eu tô me sentindo bem!
ALEX: Pai! Pai! Senta aqui!
JOYCE: Ah meu pai, era só o que faltava.
CONGELAMENTO EM OTÁVIO.
A novela encerra seu nono capítulo ao som do instrumental tenso.

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