16/07/2025

Teia de Sedução - Capítulo 30 (Últimos Capítulos)





“TEIA DE SEDUÇÃO”

Novela criada e escrita por 

Susu Saint Clair

Capítulo 30


CENA 01: PRÉDIO DE OTÁVIO - FRENTE - MANHà

Otávio se desespera ao ver Afonso caído no chão desacordado. Ele corre e se ajoelha diante dele. 

OTÁVIO: Afonso, fala comigo meu amor. 

Ele pega o celular e liga para a emergência. 

CORTA PARA os paramédicos colocando Afonso dentro da ambulância. Otávio vai junto, com expressão de desespero em seu rosto.

CENA 02: MANSÃO VON BERGMANN - SALA DE ESTAR - MANHÃ

Gisela serve de uísque. A porta abre. Gioconda entra com expressão de êxtase em seu rosto. 

GISELA: Uau, chegando agora… Onde é que você passou a noite? 

GIOCONDA: No Veludo Vermelho. Me divertindo… relaxando… tava precisando. Quando saí de casa ontem você já não estava aqui. Onde é que você foi? 

GISELA: Visitar meu filho. 

GIOCONDA: Olha… fez as pazes com o Otávio? Que ótimo! 

GISELA: Que Otávio, Gioconda? Eu lá quero saber de Otávio?! Quero mais é que ele se foda! Eu fui ver meu filho de verdade. Meu único filho, que eu desejei, que eu sempre quis. Meu filho que eu achava que tava morto.

GIOCONDA: (sem entender) Como assim, Gisela? 

GISELA: Aquela múmia deu dinheiro e um emprego pra Susane em troca de criar meu filho e colocou um cadáver no lugar dele. Ele fez com que eu pensasse esse tempo todo que meu filho estava morto!  

GIOCONDA: (em choque) Meu Deus… mas isso é muito grave, Gisela. Onde é que tá o papai? Ele tá lá em cima? Ele precisa explicar tudo isso! 

GISELA: Ele saiu! 

GIOCONDA: Como saiu?

GISELA: Saiu ontem à noite e até agora não voltou!

GIOCONDA: Mas isso é um absurdo. Ele tava mal ontem por causa daquela história, daquele plano horrível seu! (pegando o celular) Eu vou ligar pra ele! 

Caetano ouve a conversa furtivamente atrás da pilastra no corredor que dá para a sala de jantar. 

GISELA: Não adianta, Gioconda! Eu já liguei várias vezes e nada.

Sabrine desce as escadas. 

SABRINE: Ai, mãe. Ainda bem que você chegou! Eu liguei pra você tantas vezes…

GIOCONDA: Ah, eu tava out, tava curtindo a noite com um bofe delicioso que eu conheci no Veludo Vermelho… Ah, seu futuro padrasto, tá? 

GISELA: Que isso, que conversa é essa, Gioconda? Ficou louca?

SABRINE: (p/ Gioconda) Mãe… o Marcos invadiu o apartamento do Otávio ontem à noite.

GIOCONDA: Invadiu o apartamento do Otávio? Mas como ele conseguiu o endereço? O Otávio saiu dessa casa e nunca mais deu notícias, o José Carlos nunca falou nada.

SABRINE: Eu sei lá como ele conseguiu. Só sei que ele foi pra lá, e deve ter rolado uma confusão enorme porque ele voltou machucado e tudo, deve ter levado na cara. Disse que foi o Afonso. Ele pegou o carro e saiu, falando que ia voltar lá pra acabar com ele. O Marcos não quer atender as minhas ligações e eu não sei o que ele pode fazer. 

Gioconda fica apreensiva. Gisela apenas observa enquanto toma seu uísque.

CENA 03: HOSPITAL - SALA DE ESPERA - MANHÃ

Nadine, Felipe e Otávio conversam com o médico.

NADINE: Então, como tá meu filho, doutor?

MÉDICO: Ele está fora de perigo. Por um milagre, ele só torceu o pulso esquerdo. No momento, só vai precisar passar a noite aqui em observação pra fazer alguns exames e amanhã já poderá voltar pra casa. 

Os dois suspiram aliviados. 

Momentos depois, os três conversam sozinhos.

NADINE: Isso tá passando dos limites, Felipe. Primeiro foi a surra na prisão, agora esse atropelamento… 

FELIPE: (com o telefone no ouvido) Não se preocupe que eu já tô tomando as providências. (fala ao telefone) Alô, polícia? — ele se afasta. 

OTÁVIO: Afonso tá fora de perigo, mas acho que vamos ter que adiar a data do nosso casamento, dona Nadine. Infelizmente. 

CENA 04: HOSPITAL - QUARTO DE AFONSO - MANHÃ

AFONSO: Adiar? Nunca! Eu não vou deixar de me casar porque aquele doente passou com o carro dele em cima de mim. Se ele acha que assim vai impedir a gente de ser feliz, ele tá muito enganado! 

Felipe entra no quarto. 

NADINE: Então, você falou com a polícia?

FELIPE: Sim, eles vão registrar ocorrência. 

Afonso e Otávio se entreolham. 

CENA 05: CASA DE VOLNEY - SALA - MANHÃ

Jaqueline e Volney discutem. 

VOLNEY: Agora você vai me explicar tudo. E eu não quero trechos. Eu quero a história toda! Anda. 

CORTA PARA A COZINHA:

Estela ouvindo toda a conversa. 

JAQUELINE: (off) Eu falo. Mas só se você também abrir o jogo comigo. 

CORTA NOVAMENTE PARA A SALA:

Volney suspira. 

VOLNEY: Tá certo. 

JAQUELINE: Você tá comigo pra fazer ciúmes no Afonso?

Volney respira fundo. 

VOLNEY: Tô. 

JAQUELINE: Então você se aproveitou do meu sentimento pra poder me usar, né?

VOLNEY: Peraí, não tenta inverter as coisas pro meu lado não, Jaqueline. Que se você gostasse mesmo de mim, cê não taria se envolvendo com aquele cara.

JAQUELINE: Volney, a minha relação com o José Carlos começou muito antes da gente se aproximar. E outra, eu não sou mulher de me contentar com um homem só não. Nunca fui. E o José Carlos também não. E você também não, pelo visto, porque se fosse, não teria traído o Afonso com a Sabrine! 

Volney respira fundo, passa a mão pela cabeça. 

VOLNEY: Então você virou amante dele pra se vingar da Gisela?! 

JAQUELINE: Isso mesmo. 

VOLNEY: Você já tinha me contado tudo, Jaqueline. Tudo… menos isso. Por que você inventou aquela história de estágio de contabilidade? Por que você não falou logo que tinha um caso com o ex-marido da Gisela? Era só você ter aberto o jogo comigo ao invés de ficar escondendo as coisas de mim!

JAQUELINE: Porque eu não queria que você descobrisse que eu sou garota de programa. O José Carlos era meu cliente antes de se tornar meu parceiro. 

Volney fica chocado. Os dois se encaram, ambos em silêncio. 

VOLNEY: (ri, desacreditado) Espera… Então, nesse caso… você… é garçonete e… faz programa ao mesmo tempo?!

JAQUELINE: Na verdade… é um emprego só.

Volney fica surpreso. 

VOLNEY: O quê?! Você tá insinuando que…

Nesse momento, a porta se abre e Raí entra, interrompendo a conversa dos dois. 

RAÍ: Eu tô atrapalhando alguma coisa?

Volney divide os olhares entre os dois. 

VOLNEY: Então ele sabia de tudo?! 

RAÍ: Eu sabia de tudo o quê? (olha pra Jaqueline) O que é que tá acontecendo aqui?

JAQUELINE: Eu contei tudo sobre a minha relação com o Zé Carlos. Tudo.

RAÍ: (se desespera) Como é que é? Você contou pra ele que eu…

Estela entra na sala. 

ESTELA: Esse tempo todo você mentiu pra mim, Raí?! Ou melhor, omitiu. Escondeu de mim que era cafetão?

RAÍ: Peraí, mozão, eu posso explicar. 

ESTELA: Explicar que você cafetinava sua própria prima? Você sabia que ela era garota de programa e deixou que isso acontecesse? Que ela se envolvesse com o meu filho? E se ele pegasse alguma doença?

JAQUELINE: Ei, me respeita, você tá pensando que eu sou alguma cadela sarnenta de rua? 

VOLNEY: Mãe, eu não sou nenhuma criança não, eu sei me cuidar.

RAÍ: Estela, eu não queria que você soubesse, eu tinha medo de que você reagisse dessa forma e acabasse sei lá, se separando de mim. 

ESTELA: O meu filho escondeu de mim que gostava de homem, você escondeu que era cafetão, vocês todos ficam escondendo as coisas de mim, que tipo de ser humano vocês acham que eu sou? Quer dizer, ninguém aqui pode contar comigo pra nada, né? 

RAÍ: (se aproxima) Amor, vamos conversar direito sobre isso, só nós dois.

ESTELA: (se desvencilhando) Não, não, não, me larga, não quero conversa nenhuma com ninguém não, eu quero ficar sozinha, vocês ficam aí com os segredinhos de vocês que eu vou sair. Bando de mentirosos!

Ela pega suas chaves e sai. Raí olha pra Volney.

RAÍ: Quando teu primo sair da cadeia diz pra ele que tem vaga lá no meu bar. 

Raí vai pro quarto e fecha a porta. Volney e Jaqueline se entreolham. 

VOLNEY: Tô confuso com tudo isso, acho melhor a gente ficar um tempo afastados.

JAQUELINE: É… acho que vai ser melhor mesmo. 

Ela pega sua bolsa e vai embora, batendo a porta. Volney fica pensativo.

CENA 06: MANSÃO VON BERGMANN - SALA DE ESTAR - MANHÃ

Gioconda, Marcos e Sabrine conversam. 

GIOCONDA: Você é um idiota sabia disso?

MARCOS: Ué, eu não fiz nada demais. 

GIOCONDA: Não, imagina… Só essa noite você cometeu dois crimes. Invasão de domicílio e tentativa de homicídio. 

MARCOS: Peraí, eu posso ter invadido o apartamento do Otávio sim, mas tentativa de homicídio, mãe?! Tá louca é?

SABRINE: Marcos, pouco antes de você chegar, a polícia bateu aqui, eles tão atrás de você por causa do atropelamento do Afonso. Você é um imbecil, sabia? Eu avisei a você: quem procura acha. Você não me ouviu! Agora você vai pra cadeia e o nosso nome vai ficar como? Sujo! Por sua causa. Dessa vez eu não vou fazer nada, eu não vou te ajudar, eu vou ficar na minha. Você cavou a tua cova, agora você vai cair dentro dela sozinho! 

Ela sai. 

GIOCONDA: Impressionante que depois de uma noite incrível como a que eu tive, eu tenho que voltar pra essa casa… e ter que lidar com você. Com a sua tia. Com todos vocês. É um inferno isso aqui! Eu se fosse você, subia e fazia as malas, pegava o primeiro jatinho pra bem longe daqui porque deus que me perdoe, mas eu vou concordar com a sua irmã. Se você cair, eu também não vou te ajudar, Marcos, você vai se ferrar sozinho, porque eu tô farta. Cansada, exausta de confusão, de complô, de briga… Farta! 

CENA 07: HOSPITAL - QUARTO DE AFONSO - TARDE

Jaqueline conversa com Afonso.

JAQUELINE: Ele admitiu que tava mesmo comigo só pra te provocar. 

AFONSO: Vocês terminaram tudo?

JAQUELINE: Não, a gente só tá dando um tempo. 

AFONSO: Enfim, mudando de assunto, eu preciso te pedir uma coisa. 

JAQUELINE: O quê?

AFONSO: Quero a gravação que a Gisela fala sobre segredo da irmã dela com o mordomo. O Otávio me contou que você tem tudo isso nas mãos. 

JAQUELINE: Pra quê você quer isso, Afonso?

AFONSO: A Gisela, junto com a Sabrine, o Marcos, e o mordomo armaram pra eu levar aquela surra na cadeia. Agora ele passou com o carro em cima de mim. O Otávio e eu conversamos e chegamos à conclusão de que já passou da hora deles todos terem o que merecem! Eu já tinha um encontro marcado com a Jéssica amanhã, então, de qualquer forma, liguei pra ela, pedi pra ela vir aqui.

JAQUELINE: (chocada) Você vai dar a gravação pra Jéssica publicar? 

AFONSO: Eu quero que todos eles aprendam que em rio de piranha, jacaré nada de costas. 

CENA 08: MANSÃO VON BERGMANN - GARAGEM - TARDE

O motorista da mansão caminha entre os carros estacionados. Ele se aproxima do carro de Marcos e olha pro veículo. 

CENA 09: PEDRA DO FORTE - RUA DESERTA - TARDE

Otávio fala com o motorista discretamente, segurando um envelope na mão. 

OTÁVIO: E aí? Fez o que te pedi?

MOTORISTA: Fiz, sim senhor. 

OTÁVIO: (entrega o envelope para ele) Aqui, seu pagamento! E ó: bico calado! Ouviu?

MOTORISTA: Fica tranquilo, seu Otávio. O senhor sabe que pagando bem, o senhor pode contar comigo pra tudo. 

CENA 10: HOSPITAL - QUARTO DE AFONSO - TARDE

Jaqueline com o celular na mão, e Jéssica Klein sentada num sofá com o notebook aberto. Afonso da cama, observando as duas. 

JAQUELINE: (desvia os olhos do aparelho e encara Jéssica) Pronto, Jéssica. Compartilhei a gravação com você. 

JÉSSICA: (encarando o notebook) Pronto? Pronto! Chegou. Agora é só enviar essa preciosidade… nossa, Afonso, você como sempre me entregando os melhores babados, hein?! 

Afonso apenas sorri discretamente. 

JÉSSICA: Transcrição pronta… (ela dá um clique) Pronto! (sorri) Enviado. 

Jaqueline e Afonso se olham, sorrindo maquiavelicamente. 

CENA 11: MANSÃO VON BERGMANN - QUARTO DE MARCOS - TARDE

Caetano e uma empregada arrumam as malas de Marcos, que está ao celular. 

MARCOS: (cel, irônico) Não, é pra daqui há dez anos. Claro que é pra hoje à noite! Tá, anda logo, que eu não tenho o dia todo. 

Ele desliga. 

MARCOS: (pros serviçais) E aí, ainda não acabaram com essas malas?

CAETANO: Calma, senhor…

MARCOS: Calma é o caralho, anda logo! 

Eles continuam colocando peças de roupa e acessórios dentro da mala quando ouvem um grito. 

MARCOS: O que foi isso?

Ele sai do quarto correndo. Caetano decide ir atrás.

CAETANO: Fica aqui e termina de arrumar essas malas que eu vou ver o que tá acontecendo. 

Ele sai. 

CENA 12: MANSÃO VON BERGMANN - SALA DE ESTAR - TARDE

Gioconda desce, juntamente com Gisela. Marcos e Caetano vem logo em seguida. Sabrine está na sala, aos prantos, com o celular na mão.

GIOCONDA: O que é isso, minha filha, o que houve?

SABRINE: (chorando) Eu é que te pergunto, mãe! (mostra a tela do celular) Que porra é essa?

Gioconda pega o aparelho das mãos dela e à medida que vai lendo, vai ficando cada vez mais chocada. 

GIOCONDA: Como é que isso veio parar aqui? (olha pra Gisela e Caetano) Vocês armaram tudo isso?

GISELA: Armou o quê, sua louca?

GIOCONDA: A nossa conversa… Gravaram a nossa conversa!

MARCOS: Peraí, do que vocês estão falando?

SABRINE: (com a voz embargada) Fala, mãe! Conta pra ele!

GIOCONDA: Meu filho…

SABRINE: CONTA PRA ELE! CONTA O SEGREDO QUE VOCÊ ESCONDEU ESSES ANOS TODOS! 

Marcos olha pra mãe, que já chora de desespero. Sabrine se aproxima dele. 

SABRINE: (chorosa) A gente não é filho do nosso pai. A gente é filho do Caetano! 

Marcos arregala os olhos, em choque. 

MARCOS: O QUÊ?

SABRINE: A NOSSA MÃE MENTIU ESSES ANOS TODOS E A TIA GISELA SABIA DISSO, SEMPRE SOUBE. 

Gisela olha pra eles tentando manter a frieza, mas sem conseguir disfarçar seu desespero. Ela e Caetano se encaram desesperados, com uma expressão de “e agora?”. 

Sabrine dá play no áudio gravado dos três:

GISELA: Nós temos um pacto, minha irmã. Se você contar pra alguém o que nós estamos fazendo. Todo mundo vai saber o que você fez. 

CAETANO: E também vão saber que o Marcos e a Sabrine… são meus filhos!

GIOCONDA: Vocês não têm o direito de me ameaçar. Nem de usar o que fizemos como justificativa pra esse absurdo com o papai.

GISELA: (baixa e cortante) Não se faça de sonsa, Gioconda. Você atravessou essa linha muito antes de mim. Quando decidiu empurrar seu marido pro túmulo só pra garantir pensão vitalícia e nome de rica na lápide.

GIOCONDA: (com os olhos marejados) Eu não tive escolha... ele ia...

GISELA: Ia te deserdar. Ia arrancar o futuro dos seus filhinhos bastar... ops, legítimos. (ri, venenosa) E quem encobriu tudo? Quem simulou o acidente, jogou o carro no precipício?

CAETANO: Fomos nós. Todos nós. E agora, se alguém cair, caímos juntos.

A gravação acaba. Todos em silêncio. 

GISELA: (desesperada) Como é que isso vazou? COMO É QUE A NOSSA CONVERSA FOI PARAR AÍ? QUEM PUBLICOU ISSO?

SABRINE: (com ódio) Além desse segredo vocês tinham outro pelo visto… que envolvia o meu avô. Que tá desaparecido desde ontem e ninguém sabe onde ele tá. 

MARCOS: (em choque) Eu… filho de um subalterno. De um empregado… 

Caetano tenta se aproximar de Marcos. 

MARCOS: SAI DE PERTO DE MIM. Eu nunca vou aceitar isso. Nunca! (encara a mãe) Eu prefiro morrer a ter que ser filho de um merda como ele. 

Ele sobe as escadas, pega suas malas e entra no carro, dando a partida. 

Gisela fala discretamente com Caetano:

GISELA: Arruma suas coisas e vá embora. Se esconda por um tempo. 

CAETANO: Mas senhora…

GISELA: Faça o que eu tô mandando, seu idiota. Com o vazamento dessa conversa, vão concluir que nós estamos envolvidos na morte da múmia quando o corpo dele for encontrado. Eu vou te enviar um dinheiro pra você se manter, mas fique bem escondido. Eu ainda posso precisar dos seus serviços. 

Caetano assente com a cabeça. 

Na sala, Sabrine conversa com Gioconda. 

GIOCONDA: (chora) Minha filha… Eu fiz tudo isso pra garantir segurança financeira pra gente, pra você, pro seu irmão. Seu pai tava decidido a deserdar a gente! Eu não tive outra escolha. 

SABRINE: O que é que vai ser de mim agora, mãe? O que vai ser da minha vida social? Eu já fui corna, agora sou uma bastarda, filha de uma assassina com o mordomo da família. Eu tô acabada!

Sabrine faz menção de subir as escadas. 

GIOCONDA: Filha…

SABRINE: Eu vou arrumar minhas malas e vou embarcar no mesmo vôo do Marcos. Eu vou sumir no mundo e você nunca mais vai olhar pra minha cara de novo. 

Sabrine sobe correndo. Gioconda chora, desolada. 

CENA 13: CARRO DE MARCOS – TARDE

Marcos dirige em alta velocidade. O olhar fixo, tomado de ódio. A respiração curta. O volante apertado entre os dedos.

Ele avista uma área da pista adiante interditada por cones e cavaletes, com serventes trabalhando no calor do asfalto. Há uma rampa improvisada com placas metálicas e brita.

Ele tenta frear.

MARCOS: (desesperado) Merda... merda!

O carro não responde. Ele pisa no freio outra vez. O pedal afunda. Nada.

Ele apalpa o painel, nervoso. Pisa com força. Nada. O carro ganha mais velocidade.

Os serventes percebem o carro desgovernado e gritam, correndo em desespero para fora da área.

Marcos solta o volante, cobre o rosto com os braços, fecha os olhos. O carro avança, invade a área interditada, atira os cones para o alto.

O carro sobe a rampa, voa por alguns segundos como uma cena em câmera lenta...

E então, capota com violência.

Uma, duas, três vezes.

Bate no chão, gira no ar, amassa o capô, arrebenta o para-brisa.

Até parar de cabeça para baixo, no acostamento.

CLOSE NOS DESTROÇOS.

Fumaça. Óleo escorrendo. Um dos pneus ainda gira lentamente.

Marcos está desacordado, sangrando, com o corpo pendurado pelo cinto de segurança.

Silêncio absoluto.

CENA 14: MANSÃO VON BERGMANN - FACHADA - TARDE

Caetano e Gisela saem. Ele pára e a encara. 

CAETANO: Senhora, antes de ir, tem uma coisa que a senhora precisa saber.

GISELA: (impaciente) O que é? Fala logo!

CAETANO: Ouvi sua conversa com d. Gioconda mais cedo, quando a senhora fez para ela a revelação sobre seu filho. Bem… O Sr. Nelson armou toda essa situação porque ele não queria ter como neto um filho seu com o sr. Felipe. 

GISELA: Isso eu já sei, imbecil. 

CAETANO: Mas não sabe que o sr. Nelson só armou toda essa situação, só a afastou do Felipe, para que a sra. casasse com o sr. José Carlos. E ele só queria que a senhora se casasse com o José Carlos para mantê-lo por perto! 

GISELA: O quê?!

CAETANO: O sr. Nelson e o sr. José Carlos eram amantes. Foram amantes esses anos todos enquanto ele esteve casado com a senhora. 

Um carro para em frente à mansão. 

CAETANO: (sorri) Meu carro chegou. Até mais ver, dona Gisela! 

Ele entra no carro, que dá a partida. Gisela fica em estado de choque, paralisada. 

CENA 15: PEDRA DO FORTE - STOCK-SHOTS - NOITE

Anoitece na cidade.

CENA 16: APART-HOTEL - SUÍTE DE JOSÉ CARLOS - NOITE 

José Carlos olha o relógio no pulso. Ele se senta, pega seu celular e faz uma ligação.

JOSÉ CARLOS: Oi, boa noite. Eu gostaria de registrar um desaparecimento. (pausa) Do senhor Nelson von Bergmann. Meu ex-sogro. 

CENA 17: HOSPITAL – SALA DE ESPERA – NOITE

Gioconda caminha de um lado pro outro, aflita. Os olhos vermelhos de tanto chorar. Um relógio na parede marca o tempo que parece não passar. A porta se abre. Uma médica entra. Gioconda corre até ela.

GIOCONDA: (angustiada) Doutora… e o meu filho? Como ele tá?

MÉDICA: (séria, contida) O estado dele é delicado. Marcos sofreu um traumatismo craniano e lesões internas. Está sedado e respirando com a ajuda de aparelhos.

GIOCONDA: (se desfaz, chorando) Meu Deus… Mas ele vai sobreviver?

MÉDICA: (olhar firme) As próximas horas são cruciais. O corpo dele precisa responder... Mas eu preciso ser honesta: o quadro é grave.

Gioconda fecha os olhos, leva as mãos ao rosto. Um soluço escapa. Ela sente as pernas fraquejarem, mas se mantém de pé.

A médica a observa com empatia. Gioconda encara o corredor. Lá na frente, uma porta com a plaquinha: UTI – PACIENTES CRÍTICOS.

CENA 18: HOSPITAL – QUARTO DE AFONSO – NOITE

Luz baixa. O quarto é silencioso. Otávio entra e fecha a porta com cuidado.

AFONSO: (sem rodeios) E aí?

OTÁVIO: (baixo, direto) Tudo como a gente previu. O carro capotou na estrada em alta velocidade. Ele tá aqui... nesse mesmo hospital. Internado. Estado grave. Respirando por aparelhos.

AFONSO: (um sorriso lento se forma) É… como diz a terceira lei de Newton: toda ação tem uma reação. (pausa, encara Otávio) Trouxe as roupas?

Otávio abre a mochila que trouxe. De dentro, tira um saco plástico fino, com uma muda de roupas dobradas cuidadosamente: calça branca, camiseta azul clara.

OTÁVIO: Roubei isso da ala de enfermagem. 

Afonso pega as roupas, inspecionando. 

CORTA PARA:

Afonso em pé, tirando o roupão de paciente. Por baixo, já está de cueca. Com movimentos lentos, ele veste o uniforme de enfermeiro, peça por peça. Por fim, coloca a touca hospitalar (gorro cirúrgico) e uma máscara descartável.

CLOSE NOS OLHOS DE AFONSO, agora cobertos pela máscara.

CENA 19: HOSPITAL - UTI – PACIENTES CRÍTICOS - NOITE

Ambiente silencioso, dominado pelo som ritmado das máquinas. A luz é fria e fosca. Marcos está entubado, rosto machucado, totalmente imóvel. Ao lado da cama, o monitor mostra seus batimentos: estáveis, mas fracos.

Afonso surge ao fundo, vestindo o uniforme de enfermeiro. Camuflado, caminha com passos firmes entre os leitos divididos por cortinas plásticas. A ala está quase vazia. Outros pacientes dormem. Nada se move. Ele se aproxima da maca de Marcos.

AFONSO: (sussurra encarando Marcos) Tentou acabar com a minha vida, né? Mandou me espancarem na cadeia. Me atropelou como se eu fosse um bicho qualquer… (mais baixo, se inclina) E agora olha só... quem tá por cima — e olha quem tá por baixo! 

Afonso encosta o rosto no de Marcos, sem tocar. A tensão é palpável. Ele abaixa a máscara, falando diretamente no ouvido do rival.

AFONSO: (com ódio sussurrado) Vai pro quinto dos infernos…

Ele se afasta, encara os cabos por um segundo. Sem hesitar, começa a desligar cada conexão. Primeiro o respirador. Depois o monitor cardíaco.

A MÁQUINA EMITE UM SOM AGUDO, OS BATIMENTOS COMEÇAM A CAIR.

Afonso recoloca a máscara com calma. O gráfico de batimentos vai ficando plano. CLOSE EM MARCOS: seu rosto imóvel, a vida escapando.

O SOM DO APARELHO VIRA UM BIP CONTÍNUO. SILÊNCIO TOTAL. 

CLOSE EM AFONSO, agora de costas, saindo da UTI como se nada tivesse acontecido.

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